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Suicídios ou Assassinatos Sociais?

22 abril, 2008

O Conselho da Europa, sediado na França, publicou novo relatório reconhecendo que as taxas de suicídio são “significativamente maiores” entre a população jovem LBGT*. A divulgação da notícia serviu de base para que a Assembléia Parlamentar do Conselho (PACE) solicitasse, aos 47 Estados Membros da União Européia, uma série de medidas para detectar crianças e adolescentes com tendências suicidas, a fim de prevenir que atentem contra a própria vida ou repitam tais tentativas**. 

Na realidade, a questão já se transformou em um sério problema de saúde pública. De acordo com Bernard Marquet, relator da Comissão dos Assuntos Sociais, da Saúde e da Família , “é fundamental que os governos reconheçam o suicídio na adolescência como um importante problema de saúde pública que exige a implementação de políticas de prevenção de tais atos desesperados”.

Para a Assembléia do Conselho, é necessário aumentar as medidas de combate à homofobia, já que há provas do maior número de suicídios entre jovens lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, do que na população jovem em geral. Tudo isso, associado à parca informação e suporte nas escolas, reforça a mensagem negativa sobre a homossexualidade, agravando ainda mais esse triste quadro.

A pesquisa descobriu, com efeito, que os jovens LBGTs assumem cada vez mais cedo sua sexualidade, de sorte que enfrentam também mais rapidamente a intimidação homofóbica. Marquet, que é membro da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa, acrescentou ser ainda pior “pelo risco dos suicídios decorrentes de pactos (…) principalmente com a promoção de suicídio na internet para perpetuar o problema”.

Nem é preciso ressaltar que se tornou imprescindível a tomada de medidas efetivas para o apoio psicológico e social da juventude gay. O Conselho da Europa deu o primeiro passo conclamando os 47 países da União Européia; resta somente que, de forma responsável, esses Estados dêem continuidade à “caminhada” que se iniciou.

No Brasil, essa realidade não é diferente. O Grupo E-jovem, fundado por Deco Ribeiro, vem monitorando com atenção as estatísticas relacionadas ao suicídio de jovens gays. Para ele, “cada vez que um menino prefere se matar a ter de ir a escola e ser humilhado de novo ou chegar em casa à noite e apanhar do pai homofóbico, foi a sociedade que falhou (…) o garoto morreu porque não foi aceito no mundo em que vivia. Porque amava diferente de seus colegas e de seus pais. Que gente monstruosa é essa, que mata um filho a cada 8 horas?”

Infelizmente, os dados obtidos pelo Grupo E-jovem apontam para uma taxa anual de suicídios entre os adolescentes LBGTs brasileiros superior a mil, o que ultrapassa também a média internacional. Vale repetir: são mais de mil adolescentes em um total de 10.000 suicídios - por ano - registrados em nosso país.

Portanto, no Brasil, mais de 10 % dessa cifra negra é preenchida por jovens que se suicidam motivados pelo forte preconceito social em torno da homoafetividade. São 3 mortes por dia e ainda dizem que a homofobia não precisa ser criminalizada.

* Lésbicas, bissexuais, gays e transexuais.

**15% dos adolescentes que tentam suicídio, tentará fazê-lo novamente.

_____________________

Fonte: PinkNews e Matéria do Grupo E-Jovem sobre o “genocídio gay”.

7 Comentários leave one →
  1. 22 abril, 2008 10:14 pm

    Números assustadores!!!!!!!

    Infelizmente existem pessoas que pregam a intolerancia e pior que isso é a familia não aceitar e ainda reprimir.

    Sol

  2. 23 abril, 2008 10:37 am

    Verdade, Sol! São realmente números apavorantes e lembrar que essa intolerância parte também da família fornece uma dimensão da gravidade desse problema.

    Abraços.

  3. Marina Meirelles Link Permanente
    23 abril, 2008 12:49 pm

    Triste!

  4. 23 abril, 2008 5:38 pm

    Muito, Marina! Muito! =//////////

  5. 9 dezembro, 2008 1:44 am

    Olá! Onde consigo essa revista de onde vc tirou essa página? Eu estudo um tema próximo.

  6. 14 dezembro, 2011 12:42 pm

    Na nossa sociedade nao existem pessoas afim de ajudar, apenas nao aceitam as diferenças das outras pessoas. o nosso corpo pertence a cada um de nos e devemos ter liberdade de fazermos o que quisermos com ele e ter Liberdade de fazermos nossas escolhas sem que nenhum “santinho“ fique se metendo. Prefiro fazer minhas escolhas a fazer coisas piores
    ..

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