Você percebe, amor, quando eu chego mais perto

como um sopro de vento em busca de abrigo; à procura de você?

 

Difícil se desvencilhar do desejo quando ele se transforma numa nota marcante demais em sua vida. Das dominações mais poderosas que uma pessoa pode exercer sobre a outra, certamente essa guarda o perigo particular da onipresença.

E era um fato que eu e Carol nos desejávamos, apesar da amizade, mesmo com ela tendo namorado. Os olhares denunciavam isso e o tremular aveludado das nossas vozes sedutoramente entoadas nas conversas que tínhamos não negava a existência de toda uma tensão erótica existente entre nós duas. 

- Trust me… Quem canta ela mesmo? – Escutei a música tocando baixinho assim que entrei no apartamento dela e me acomodei na sala. Fiz um esforço descomunal para não observar por muito tempo as pernas da garota, mas ela não tomou o menor cuidado ao olhar da minha boca para os meus seios.

- Acho que Dee Joy… Gostoso, não é? – Ela me respondeu com simplicidade enquanto voltou a arrumar sobre a mesa aquela pilha de papéis e livros que precisaríamos consultar.

- Excitante…

- Excitante, é? – Virando o rosto em direção ao sofá onde eu me encontrava sentada, ela provocou por brincadeira, mas eu respondi com seriedade:

- Sim, muito… Se você viesse aqui, eu mostraria o quanto…

- Eita… Quanto?

- Do tipo que me faria pegar você bem gostoso por horas, provocar, arranhar, até você não suportar mais e se entregar a mim; até você implorar também para me possuir.

- Gostei da parte do arranhar… Adoro isso nas costas, Nel… – Carol deixou um dos livros cair sobre a mesa.

- Venha aqui… Quero sentir você… beijar, morder… ver você me abrindo faminta, segurando minhas coxas…

- Sinto arrepios… Essa música que está tocando agora é boa para dançar juntinho, Nel…

- É sim… sentindo a respiração, o calor do corpo, as pernas enfraquecendo…

- As minhas já estão moles…

- É? Por quê?

- Porque você mexe comigo…

- É? Mexo sem precisar tocar em você?

- Mexe sim. E acho que arrasaria comigo se me tocasse realmente, – senti Carol ruborizar vindo em minha direção e o meu corpo reagir naturalmente com a visão daquela pessoa agora tão próxima.

- Seria bom se eu me sentasse assim em você? – Ela abriu as pernas sobre meu colo e me entrelaçou numa posição gostosa fazendo meu sexo umedecer.

- Você gosta de provocar…

- E você? Gosta que eu me balance assim fechando minhas pernas devagar, prendendo seu corpo no meu, encaixado? – Carol me perguntou comprimindo minha bunda com aquelas pernas fortes.

- Gosto, mas gosto disso também… – disse ao pressionar meus dedos nas suas costas, por baixo da blusa, arranhando-a levemente.

Enquanto nos beijamos, sentimos os olhares se derreterem numa reação elétrica a cada contato entre nossas peles.

- Nel, estou completamente molhada…

- Mostra pra mim…

Livrando-se das roupas, Carol deslizou lentamente pela minha coxa molhando-a em cada centímetro de extensão. Mudando agilmente de posição, ela alcançou o meu clitóris iniciando um movimento delicioso que arrancava a todo segundo um gemido mais forte de prazer.

- Como você pega gostoso… – Confessei ao mesmo tempo em que escorregava minha mão para dentro dela.

- Ah… Isso… Com força… Ah… Esfrega… Isso…

Orcar Wilde dizia que “o único modo de se livrar da tentação é cedendo a ela”. Na realidade, pode até não ser a única forma, mas foi certamente a que preferimos naquele instante – e por obvias motivações.

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