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Gafes e “Garfos”

6 abril, 2008

As Gafes Que Cometemos Ao Usar Os “Garfos”

 

Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência…

 

É intrigante como, em certos momentos de nossas vidas, nós parecemos prontas para os refletores das passarelas, mas, ao invés disso, somos abundantemente iluminadas pelos holofotes constrangedores daquela gafe absurda. São ocasiões em que estrelamos uma ou mais comédias de erros intermináveis e, mesmo sem intenção, abocanhamos as premiações máximas da cama, mesa e banho. Pena que nem sempre a nossa estatueta será o “Oscar”.

Por vezes, manejar o garfo na hora de comer – literal ou simbolicamente – pode nos render indicações ao prêmio “Framboesa de Ouro” e, pior, ainda corremos o risco de ganhá-lo.

*** 

Como “esgarfear” a fome alheia

Eu e Kika tínhamos passado uma tarde absolutamente perfeita. E a noite despontou lenta e preguiçosa como nós mesmas estávamos o dia inteiro. No topo de um céu pontilhado de estrelas, a lua se erguia belíssima e triunfante. Nós podíamos escutar o barulho do vento e as rajadas da chuva fresca molhando o telhado de maneira convidativa. Não demorou para nos entregarmos aos braços uma da outra…

– Ummm… – Ela gemeu baixo e, sem interromper o beijo, mudou de posição para ficar sobre mim.

– Kika… – Eu murmurei com uma voz aveludada.

– Fala, Aranel…

Com uma expressão linda, ela me encarou enquanto seus cabelos pendiam suavemente da sua testa para minha face. Aquele cheiro gostoso dela me entorpeceu a tal ponto que precisei de alguns segundos antes de recordar o que pretendia dizer: – Acho que acabei de ter a idéia para resolver o nosso problema das cortinas… – Falei ainda tonta.

– Hahahahahaha… – Kika começou a rir sem parar.

– O que foi? – Indaguei ainda sem entender.

– Meu amor, só você…

– Eu o quê? – Tornei a perguntar.

– Só você para ter um “Eureka” no momento em que eu estava prestes a “Eurekar” você… – Ela me disse paciente e com um senso de humor incrível. Nem eu consegui deixar de rir. 

***

Como matar alguém de fome

Kika era realmente má; muito má. Ela havia me provocado até o limite do perigo absoluto no jantar – daquela maneira que apenas ela conseguiria fazer. Já havíamos tateado as paredes e chegado à cama, mas ela parecia ter sido envolvida numa sonolência galopante e a última coisa em que eu queria montar era sobre o sono dela.

– Kika… – eu a chamei entre um beijo e outro no pescoço…

– Hum… – ela sussurrou com uma voz que eu imaginava ser de prazer, mas logo constataria ser de outra coisa…

– Kika… Kika…

– ZzZzZzZzZZzZzZzz – o que escutei em resposta foi o ronronar do meu amor completamente adormecido. Uma semana depois, após eu repetir essa história malvadamente pela terceira vez, ela confessou entre risos:

– Você que é má, Aranel. Muito má… Quando tiver com 83 anos e eu também, ainda vai me lembrar disso: “naquele dia, eu quis e você dormiu. Eu nunca mais vou dormir”.

***

Se, em situações como essas, infelizmente a vergonha ocorre; inegavelmente, o vexatório diverte – e muito. Ao menos, as almas mais elevadas, que conseguem rir de si mesmas, terão histórias para contar e entreter.

Quem nunca cometeu qualquer dos erros acima (ou foi vitimada por eles), não atire nenhuma pedra… Enquanto houver vida, há esperança de protagonizar esses e outros, pois a verdade é apenas uma: ninguém está totalmente livre das gafes ao usar o garfo.

Como locomotivas que somos, tendemos a descarrilar vez ou outra para experimentar a liberdade de fugir dos trilhos e a sensação única de ser a piada e o riso daquela que nós amamos. E, por mais que tomemos a perfeição como meta, nós nunca seremos amantes ideais na integralidade do tempo – sempre erraremos aqui ou ali e as metáforas são os riscos que precisaremos correr para ultrapassarmos as barreiras do ilimitado.

Mas, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Inclusive, aceitar orgulhosamente o “Framboesa de Ouro”, porque ele não impede o glamour do “Oscar” que veio antes ou chegará depois…

***

Para sugerir temas e trocar idéias, pode escrever também para aranelhaldatir@hotmail.com que terei prazer em responder. =)

 

 

 

7 Comentários leave one →
  1. Té Pazzarotto permalink
    6 abril, 2008 8:05 am

    “E, por mais que tomemos a perfeição como meta, nós nunca seremos amantes ideais na integralidade do tempo – sempre erraremos aqui ou ali”

    fato!

  2. Té Pazzarotto permalink
    6 abril, 2008 8:05 am

    Ahhh! E eu achei a foto linda…

  3. Aranel permalink
    6 abril, 2008 12:23 pm

    De fato, um fato! Mas, melhor que a amante ideal é ser e ter uma amante real. As imperfeições fazem parte do “pacote” e o importante saber lidar com elas com leveza. Fico feliz por você ter achado linda a fotografia (também acho belíssima) =)

  4. 6 abril, 2008 11:01 pm

    Meninas,

    Sou fã do blog de vcs e estou agora, com uma amiga, criando o nosso. Fiz questão de colocar o link pro na Ponta dos Dedos, pois também falaremos de situações típicas do mundinho lés. Passem por lá, e se gostarem, dêem uma força nos indicando tb… Ainda está muito cru, começamos hoje, mas esperamos que cresça e conquiste leitoras fiéis. Um abraço!

  5. 7 abril, 2008 6:15 pm

    gafes nessa horas todo mundo comete mesmo… claro q soh eh tranquilo qd vc jah tem aquela intimidade com a pessoa… dae sim dah pra rir disso… bom q jah estou namorando ha tres anos, entao temos varias dessas historias. e eu tb sou q nem a Aranel, perdoo sim, mas me reservo o direito de encher o saco dela pro resto da vida… hauahauahuha

    Abraço,
    Renata.
    http://www.oraculodelesbos.blogspot.com

  6. Aranel permalink
    10 abril, 2008 1:47 pm

    Renata,

    verdade… A intimidade é uma fonte para muitas histórias. Ainda bem que você entende essa minha maldade boa hahahaha…

    Beijos =)

  7. Aranel permalink
    10 abril, 2008 1:52 pm

    Olá, Alice,

    ficamos felizes em saber que gosta do “Na ponta dos dedos”. Desejo muito sucesso para vocês como blogueiras! Aos poucos, o blog de vocês vai ficando do jeitinho que vocês querem!

    Abraços!

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