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Apitou! Fora!

11 abril, 2008

 

Nada de regra inovadora no futebol. Antes fosse… Mas, uma saída forçada, por motivos de preconceito, em nada se assemelha a uma competição esportiva saudável.

Em Abenójar, município da Espanha na província de Ciudad Real, uma mulher de 54 anos foi expulsa da irmandade católica por ser lésbica. O padre se encarregou de apresentar o “cartão vermelho”, respaldado pelo Bispado que considerou “irregular” e “manifestamente escandalosa” a situação do casamento da lésbica com sua companheira após 15 anos de convivência, e ainda o comunicou por escrito.

“Vão fazer com que renegue os meus princípios cristãos… É uma pena que, a estas alturas, ocorra isto”, – afirmou a devota expulsa, Maria Rey Nieto, que já recorreu aos Tribunais para ver respeitado o seu direito de exercitar a fé sem renegar a sua sexualidade.

Embora inexista o fogo da inquisição hoje, torna-se evidente a persistência de uma chama simbólica, mais perigosa ainda por ser fisicamente “invisível”: a intolerância. Ela tem o poder de converter a fé num problema em que a crença em Deus se torna menos importante do que a obediência às regras do “jogo” social. Mas, se “o que Deus uniu o homem não separa”, não é a Igreja quem o fará também dessa vez, mesmo se valendo das “técnicas de expulsão”.

Para acessar duas notícias no site “CADENASER”, em espanhol, clique aqui e aqui.

7 Comentários leave one →
  1. Nickie / Mrs. Pills permalink
    11 abril, 2008 5:50 pm

    Correndo o risco de ser chamada de intransigente, o caso não causa surpresa. A Igreja Católica tem entendimento (por enquanto) fechado e definido quanto ao comportamento homossexual. Ela tenta deixar claro aos fiéis que ama o homossexual (a pessoa, o indivíduo), mas condena seus atos afetivos (os relacionamentos homossexuais, a atividade sexual entre duas pessoas do mesmo sexo). Todo fiel sabe muito bem que essas são as regras aplicadas dentro da Igreja Católica. Assim, por coerência, a única forma de ser católico e gay é optar por ser católico, gay e celibatário também.

    O que realmente me incomoda não são as regras da Igreja em si, já que ela pode muito bem determinar o código de conduta que seus fiéis devem adotar. Meu problema é com a hipocrisia que existe dentro da própria Igreja. O “faça o que falo, mas não o que faço.” Enquanto continuarem existindo casos de padres, freiras, bispos e madres que se casam, que são pedófilos, que são homossexuais (em atividade) e tantas outras possibilidades, continuarei não vendo seriedade ou conteúdo na pregação de regras como as relacionadas à condenação ao ato homossexual.

    Seja transparente e terá o direito de impor as regras aos fiéis. Igreja não é lugar de hipocrisia, por mais que seja constituída de seres humanos, já que ela se empenha em ser um exemplo para o mundo.

    Bjs!

  2. Aranel permalink
    11 abril, 2008 8:06 pm

    Nickie,

    comentário grande o seu! Valeu a provocação então! Eu não a achei intransigente (adoro conversar).

    Deixa-me compartilhar como vejo um pouco essa questão de código interno da Igreja.

    É natural que existam regramentos em cada instituição, inclusive religiosa (isso não se questiona).

    Regrar a conduta é uma ação típica do homem e sem normas, dificilmente, seria possível visualizar o que diferencia um grupo do outro a tal ponto de sermos atraídos por um e nos afastarmos dos demais.

    Contudo, nenhum regramento deveria, em tese, valer-se disso para violentar os direitos de uma pessoa.

    Basta imaginar que, um dia, também fez parte do Código de Conduta dessa mesma Igreja queimar feiticeiras (lá pelos idos do século XIV quando a Inquisição foi criada). Sendo assim, é preciso ver a liberdade de codificar uma coisa e proibir outras dentro de um parâmetro mínimo de razoabilidade.

    Pergunta-se: é razoável queimar pessoas por prática de feiticaria? Certamente a resposta será negativa.

    Questiona-se: é razoável expulsar uma devota que frequentava a igreja desde o nascimento apenas porque ela é lésbica e resolveu há 1 ano atrás sacramentar sua
    união? Ela foi expulsa de um lugar (a igreja), porque assumiu publicamente ser lésbica e se casou. Viu seu laço matrimonial ser chamado de “escandaloso”…

    Seja como for, as regras evoluem, os códigos que materializam tais regras também, a sociedade se modifica… mas dificilmente se conseguem mudanças sem uma contrariedade ao que nos é imposto…

    Ainda bem que ela recorreu aos Tribunais(veremos o que acontece).

    Beijos! =)

  3. Té Pazzarotto permalink
    11 abril, 2008 8:12 pm

    Pra mim, o problema maior não é não seguir o que se prega. Mesmo “pertencendo” a uma igreja, o individuo ainda tem sentimentos, vontades, desejos. Não creio que Deus pretenda mudar hormônios (ele até poderia, já que foi quem creou*).
    A questão é o mau uso dos dogmas da Igreja, tanto por ela quanto por fiéis.
    Concordo que ela tem o direito de determinar seu código de conduta, mas por ser uma religião cristã, pega mal, mesmo que sem intenção, fortalecer o preconceito, além de ir 100% de encontro as bases da religião: misericordia, compaixão, amor ao proximo etc.

    Como a Aranel bem disse em um dos textos:
    “Quando o homem cansar de ver o diverso como anormal, perceberá que não há regra que aprisione a essência humana.”

    Não é por amar diferente que “a” ou “b” deveria ser expulsa de alguma religião, grupo, irmandade…

    “Direito de exercitar a fé sem renegar a sua sexualidade”

    __________

    creou; do lat. creare: utilizado para ressaltar a diferença entre criar (cuidar, orientar) de crear (dar origem a).

  4. Aranel permalink
    11 abril, 2008 8:44 pm

    Té,

    realmente a visão dos dogmas tem esse efeito aprisionante para quem não consegue se ver livre apesar das regras.

    Aliás, como você, também não acredito,”que Deus pretenda mudar hormônios (ele até poderia, já que foi quem creou*)”. Eis uma verdade que não pretende ser dogma, mas já ganhou minha adesão…

    Beijos =))))

    PS.: Amei o “creou” rs… acrescentarei mais essa qualidade à sua lista. =)

  5. missgray permalink
    11 abril, 2008 11:39 pm

    Oi, de novo, meninas!
    Acho que, mais uma vez, irei “chover no molhado”.
    Parece-me que a Igreja Católica usa – de uma forma mais abstrata e bem menos quente – a fogueira ex-queimadora das “bruxas”: de um lado parece que esta fogueira queima o que conhecemos como individualidade, pois todos devemos ter, especificamente neste caso, os mesmos gostos e desejos, néam? Por outro lado, como já foi dito, a labareda está subindo pelas paredes da própria Igreja Católica: os tempos mudam, mas os supremos dogmas continuam (sempre) os mesmos.
    Torço para que o Papa(-)Bento queira se transformar em um Papa Pop e acabe mudando ou queimando, ao menos, umas milhares de regras que, se nunca fizeram sentido, hoje parecem, hm, hipócritas? ridículas?…cada uma escolhe o adjetivo mais conveniente!

    Só pra você não se desacostumar, Aranel, aí vai: “Post tudow”.

    Beijão!

  6. Aranel permalink
    13 abril, 2008 12:44 pm

    Missgray,

    como sempre deixando sua sempre bem vinda contribuição! Ela não chove no molhado, e sim nos enriquece com mais esse importante ponto de vista! Também acredito que o respeito ao código de um grupo importa, mas a individualidade não deve ser relegada por isso, assim como o respeito ao que ela representa em cada um…

    Obrigada por compartilhar sua opinião conosco!

    PS.: Vai me acostumar mal com seu “Post tudow”, querida rs… Só você, hein? Mas, a melhor parte veio pela conversa (meu post foi mais uma provocação para ela que ela se iniciasse). Beijão!

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