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Cuba libre e gay…

18 abril, 2008

 

Cuba! 

 

Atualmente Cuba é governada pelo irmão de Fidel Castro, Raúl. Tão logo assumiu o poder, Raúl Castro promoveu reformas estruturais, principalmente na econômia do país.

Entretanto, sua filha, Mariela Castro, luta por outros tipos de mudanças.
Diretora do Centro Nacional de Educação Sexual (
CENESEX), Mariela vem lutando pelos direitos de homossexuais na ilha.

O CENESEX enviou um projeto de lei, considerado um dos mais liberais da America Latina, a Assembleia Nacional, que já começou a discutí-lo e deve votá-lo na próxima sessão geral do parlamento entre junho e julho deste ano.

O projeto propõe o reconhecimento da união entre casais homossexuais, o direito a herança, dá aos transexuais o direito de se submeter a cirurgia de mudança de sexo e que estes mudem de nome oficialmente, independente de já terem feito ou não a operação.

O passado de repressão parece estar ficando cada vez mais distante.

 

____

Brasil!

Há tempos que queria ‘noticiar’ este ‘progresso’ cubano e compará-lo com a burocracia retrógrada brasileira. A motivação final foram os comentários na matéria de Marina Meirelles: Trabalho: a última porta do armário. Fazendo uma pequena referência a mesma…
Penso já ser um avanço empresas como a Petrobras terem políticas direcionadas ao público gay. Quanto ao receio em falar sobre elas, acho que uma outra postura seria excelente para “nós”, mas entendo a forma mais reservada como tratam o tema. Num país onde o próprio homossexual tem muito receio em assumir sua orientação, não é de se estranhar que empresas “friendly” também o tenham.

Retomando o assunto político… Bruna e Julia tocaram neste tema nos comentários da matéria citada acima. Então, eis a minha humilde opinião.

Bruna disse:
“em dado ponto da matéria, ao discutir a união civil, a reflexão é a seguinte: nenhum político daria apoio a essa lei porque, depois, como ele se explicaria ao eleitorado? na justiça, porém, muitos gays conseguem fazer valer seus direitos, já que a função primordial do direito é garantir tratamento igual a todos. assim, a esfera judicial supriria a ausência de um estado que, para manter as aparências, insiste em manter a desigualdade de tratamento a casais gays em questões como benefícios, heranças e guarda de crianças. Mesmo sendo democrático (ou justamente por que é), é difícil que um estado conservador e católico como o brasileiro não se comporte dessa maneira que você denomina “ausente”, já que depende de votos obrigatórios para se manter. não sei se devemos esperar dele uma iniciativa (bem, eu já não acredito no estado há tempos). o mercado e os tribunais têm mais chance de sair na dianteira…”

Julia disse:
” ‘nenhum político daria apoio a essa lei porque, depois, como ele se explicaria ao eleitorado?’. Pera lá! Tudo bem, pode ser meio utópico da minha parte, mas eu acho que o ‘eleitorado’ deveria ver de forma positiva um político ‘moderno’ o suficiente pra bancar uma iniciativa dessas. Se a nova geração, o pessoal dos 30 pra baixo, não valorizar esse tipo de postura, realmente será impossível conseguirmos alguma evolução contra o preconceito…
Além disso, o Estado não pode ser católico. O Estado é laico e não pode (ou não deveria) seguir as leis religiosas para fazer as suas próprias…”

Vejo a necessidade da mudança dessa “consciência” política. Mas concordo com a Bruna. No momento, candidatos com propostas para homossexuais no seu plano administrativo são poucos, e, menos ainda, são aqueles que conseguem se eleger tendo este ‘tópico’ dentro do plano de governo.

E sim, o Estado Brasileiro é laico, ou como bem a Julia, disse: “deveria ser”. Mas não é. Não pra mim!
Nem falo da maioria católica, mas de algo mais concreto como por exemplo o nosso querido “Projeto de Lei 122 (PLC 122) de autoria da deputada Iara Bernardi que, resumidamente, transformaria em crime o preconceito baseado na orientação sexual.

Esse projeto esta tramitando desde 2001, já passou pela câmara, agora está no Senado Federal. Deveria ter sido votado em outubro do ano passado, mas a votação foi adiada. Houve um pedido de vista, e a presidência acolheu por Questão de Ordem do Senhor Senador Marcelo Crivella, bispo evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus, e pertencente a ‘bancada evangélica’ do Congresso Nacional; sim há uma bancada “evangélica”!
E isso vem se arrastando até hoje. A PLC 122 ainda não foi votada, e no site do Parlamento não se acham notícias recentes. A última foi que a PL estaria na pauta para votação, mas um novo pedido de vista foi concedido, e a aprovação da lei mais uma vez adiada.

Enfim… Além do “Deus seja louvado” presente em todas as cédulas da moeda nacional, fica evidente que na hora da ação, a religião é bem presente no nosso “Estado laico”.
__________

Situações apresentadas, fica aí uma reflexão sobre os Estados Cubano e Brasileiro …

 

Cuba 1
Cuba 2
Tramitação da PLC 122
Projeto contra homofobia

 

One Comment leave one →
  1. Greenie permalink
    19 abril, 2008 4:57 pm

    Pooois é, Tézinha.

    Acho que você tá certa. O Estado brasileiro é laico, em tese, mas ainda é bastante influenciado por certas posições religiosas cristãs. O próprio preâmbulo da nossa Constituição ilustra essa antítese.

    Acho que o “temor” (!?) da bancada evangélica, e de outras figuras que são contra a aprovação do projeto, é o de que, se este for aprovado, ninguém poderá criticar abertamente a homossexualidade. Se alguém tem alguma dúvida, é só dar uma espiada na entrevista que o Crivella deu no Jô Soares… u.u

    Só que, por mais que se insista nessa misturança com preceitos religiosos, o nosso Estado não deixa de ser LAICO. O povo brasileiro podia ter escolhido que fosse de uma outra forma, mas não foi. Aliás, há que lembrar que nem todo mundo que vive no Brasil é cristão.

    Quem quiser continuar acreditando que o homossexualismo é pecado, que continue acreditando. Nenhuma lei tem o poder de regular o pensamento das pessoas. Agora, a manifestação aberta desse pensamento é outra história.

    Não é razoável que um patrão evangélico demita a empregada porque descobriu que ela é lésbica. Não é razoável obrigar o filho gay a se submeter a tratamento psicológico objetivando a “cura” (?) da sua homossexualidade, se ele não se sente mal com isso. Não é razoável que se exponha qualquer homossexual à humilhação pública em quaisquer discursos/pronunciamentos/sermões.

    Como mamãe dizia, a liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro.

    Pra quem não viu a entrevista, e quiser ver: http://br.youtube.com/watch?v=iFpQZ7cXc2Q&feature=related

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