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Mau dia? Bom dia!

28 abril, 2008

Sabe aquele dia em que tudo (tudo mesmo) parece dar certo? Sua piada mais patética provoca risos extasiados; os fios do seu cabelo se rebelam como um motim de homicidas prestes a matá-la e, mesmo assim, as pessoas elogiam uma mudança no seu penteado que sequer existiu realmente – ao menos, não de forma intencional (você simplesmente não teve tempo de se arrumar de modo decente).

Em dias como esses, em que até a nossa falta de sintonia com o mundo aparenta se tornar uma sucessão de fatos prazerosos, o melhor a fazer é aproveitar cada mínimo instante como se houvéssemos recebido a maior das premiações: um dia perfeito inteirinho para nós.

Infelizmente, aquele não era o meu dia perfeito. Esperei duas horas na fila de um banco (detesto bancos, porque até as balinhas que eles oferecem são feitas para matar. Engasguei-me com uma enquanto era atendida e, acreditem, tentaram me vender um seguro de vida). Recuperada do incidente (e sem seguro, claro!), segui para encontrar alguém que não apareceria nem telefonaria para desmarcar.

O mau dia já estava se encerrando quando me lembro de algo que deveria estar comigo pela manhã bem cedo. Ótimo! Fui obrigada a retornar ao local do qual saíra sem pretensões de voltar àquela noite.

– Droga… – resmunguei alto ao constatar que havia esquecido a chave, e sem perceber que mais alguém tinha chegado.

– Minha última esperança era você. – disse uma voz doce.

– O quê? – Eu perguntei já me recriminando por não ter dito algo mais inteligente do que aquela pergunta tosca.

– Também precisava de alguns papéis que estão aí dentro, mas estou sem a chave e, quando a vi, pensei que tivesse dado sorte nisso… Eu já havia reparado em você, mas nunca tivemos oportunidade de conversar… Você fica no 5° andar, não é? – Eu sorri de maneira agradável tentando recordar por que não a percebi antes (era linda!).

– Sim, e você…

– Sétimo… meu consultório fica no sétimo. Bem, hoje não vamos conseguir entrar com essa porta fechada… – ela disse me olhando com aquelas brilhantes esferas verdes.

– Verdade… – o dia poderia melhorar ali ou se estragar de vez. Eu preferi arriscar. – Mas, nem sei se quero mais sair daqui agora, – eu sorri de modo confiante. – Afinal, a conversa parece que ficaria muito interessante.

– Vamos terminá-la em outro lugar? – Era o convite que eu precisava depois daquele dia, após aquela porta fechada. E, ainda que eu não quisesse perceber; mesmo que eu me recusasse a notar, eu sabia: há portas que se mantém fechadas nas nossas vidas para que possamos simplesmente nos abrir para o mundo.

***

Para sugerir temas e trocar idéias, pode escrever também para aranelhaldatir@hotmail.com que terei prazer em responder. =)

4 Comentários leave one →
  1. 28 abril, 2008 6:16 pm

    ADOOOOOREI o post! Principalmente o comentário do final, acho que vou começar a prestar mais atenção nisso, nas minhas portas fechadas… quem sabe elas não me “dizem” algo?
    Para refletir.
    Beijos

    P.S.Como foi o encontro?

  2. Marina Meirelles permalink
    29 abril, 2008 7:48 am

    Pois é… é duro a gente ter essa serenidade de perceber que as portas fechadas implicam em outras aberturas.

  3. 2 maio, 2008 1:44 am

    Persona,

    tenho certeza de que suas portas fechadas lhe “revelarão” algo… Principalmente, sua capacidade de superação.

    Beijos e beijos. =]]]

    PS.: O encontro foi, como diria Hugh Grant em “Um lugar chamado Nothing Hill”, “surreal, mas encantador”. rs

  4. 2 maio, 2008 1:57 am

    Marina,

    eis uma verdade… nem sempre será fácil enxergar que certas portas fechadas podem representar aberturas em outros aspectos… Principalmente, quando aquilo representa uma frustração momentânea com a qual teremos de aprender a lidar.
    Mas, sempre será possível passar e ultrapassar as coisas na vida. E ela muda tão rapidamente… tudo “num piscar de olhos” que, ao observarmos mais detidamente, podemos constatar que, mesmo o nosso incômodo, já se modificou…

    Grandes beijos. =]]]]

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