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Poderia te falar do amor…

2 maio, 2008

Era uma manhã de domingo e eu estava feliz. Eu tinha, finalmente, feito as pazes com meu passado e estava leve. Virando a esquina da minha rua, me deparei com esta imagem:

Precisa dizer mais?

Precisa, não precisa, mas eu vou…

Eu estava feliz porque no dia anterior decidi que era hora de parar de remoer dois relacionamentos mal-resolvidos do passado – um que terminou há cinco anos (!!) e outro há dois meses. Era um ciclo de raiva e remorso que eu estava tão acostumada a alimentar com pensamentos e palavras que eu já não sabia direito como sair dali.

Pensei, pensei e resolvi. A maneira de parar com tudo isso seria agradecer. Aceitar que essas pessoas, que me fizeram tão mal, também me fizeram algum bem. E que ok, everybory hurts, como diz a música do REM. Ou seja, eu estava numa confortável posição de vítima, como se eu fosse a única criatura do mundo a sofrer e a passar por isso.

Abri meu computador, coloquei a gratidão nos meus dedos e digitei duas listas – uma para cada pessoa – que ficaram maiores do que eu esperava. Li. Reli. Queria comer aquelas palavras, digeri-las e fazer com que elas passassem a ser parte de mim.

Decidi que a experiência seria ainda mais significativa se eu enviasse essas mensagens para as respectivas pessoas. Procurei não criar expectativas, mas é claro que no fundo, no fundo, beeem lá no fundo, eu esperava a redenção. Esperava o reconhecimento daquele gesto “tão nobre” (vítima de novo)  e que poderia “contribuir para a paz mundial”, talvez num efeito borboleta.

Delírios.

A redenção não veio. Para um dos destinatários, foi mais um e-mail que provavelmente foi para a lixeira eletrônica. Nunca respondeu. O outro quis retomar discussões do passado, cobrar DVDs, devolver livros. Mantive firme meu propósito e refiz meus agradecimentos ao invés de mandar à merda, que era minha vontade. Porque daí a pessoa se colocou na posição de vítima quando foi ela que causou todo o estrago e… Deixa pra lá, isso não importa mais.

Nunca mais falamos.

Mas o que ficou disso tudo foi uma manhã de domingo em que eu estava feliz e que dei de cara com essa mensagem simples, mas que resumia tudo o que eu estava sentindo. Já valeu.

2 Comentários leave one →
  1. Aranel permalink
    3 maio, 2008 4:32 pm

    Sinceramente, apenas uma palavra: LINDO!

    Senti cada uma dessas linhas, Marina! Beijos e abraço bem apertado,

    Aranel.

  2. uiu permalink
    2 julho, 2008 9:20 am

    Um blog, excelente..
    estou devorando ele aqui!!! Lendo post por post!
    😀

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