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Mamãe é lésbica, e daí?

8 maio, 2008

Entidades de apoio aos direitos homoafetivos, numa campanha inédita lançada no Recife, espalharam 5 outdoors em pontos estratégicos da cidade com a seguinte mensagem:

“Uma mãe é aquela que ama e protege. Duas mães são aquelas que amam e protegem. Homenagem ao Dia das Mães, em especial às mães lésbicas e bissexuais”.

Além de três ONGs (o Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania Homossexual da Universidade Federal de Pernambuco, Grupo Luas e Leões do Norte), a propaganda contou com o apoio da Prefeitura do Recife, do partido político PSB e do governador do estado. A intenção é promover uma homenagem desconstruindo os preconceitos que cercam as famílias compostas por mães lésbicas e bissexuais.

Trata-se efetivamente de uma medida louvável e que reflete uma verdade: não existe apenas o modelo de família formado por pai, mãe e filhos. Retratar essa realidade também nos meios de comunicação aproxima a sociedade de um fato que precisa ser assimilado, de modo a oportunizar que essa “nova família” seja observada com naturalidade e respeito dentro do círculo social.

Nem é preciso destacar o quão discriminatória a sociedade pode ser nos casos em que a diversidade se faz presente.

Há alguns anos, a cantora Cassia Eller declarou: “quando soube que estava grávida, quis ter meu filho e continuar minha vida ao lado de Eugênia, com quem vivo há treze anos. Chicão sente falta do pai, que morreu cinco dias antes dele nascer. Eu tive um pai e uma mãe e sei quanto isso é bom. Nós conversamos muito com ele sobre a nossa orientação sexual e acho que ele segura bem a onda. Na escola, quando alguém grita: – Sua mãe é sapatão!, ele responde: – E daí?”.

Marcela P.*., uma professora do interior de Santa Catarina afirmou: “Minha filha nasceu quando eu estava no final do meu relacionamento com o pai dela. Estava terminando meu casamento de anos, porque não conseguia viver mais naquela mentira. Foi muito complicado até que as coisas ficassem claras, mas dei o melhor que podia. Muito amor. Aí Bianca* surgiu em minha vida e na de minha filha e estamos juntas até hoje. Ela tem duas mães e um pai. Todos preocupados em fazê-la feliz”.

“O único problema é que tenho que gastar minha mesada em dois presentes”, – reclamou Fernanda. P. A*., com dezesseis anos, filha de Marcela. – Mas sei que tenho muita sorte por ter duas mães. Na escola, sempre que aparece algum chato, não me importo, porque, desde pequena, mamãe, mãe Bia e meu pai me explicaram tudo.” – Concluiu a garota, antes de ser lembrada por Bianca que já era hora de dormir.

A recomendação dos especialistas é no sentido de abordar a verdade sobre o relacionamento homoafetivo tão logo a criança desenvolva os elementos mínimos para compreender tal situação, uma vez que o mais importante ainda continua sendo os laços de amor.

________________

* Nomes modificados a pedido da família entrevistada.

Fonte: Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão

19 Comentários leave one →
  1. Julia permalink
    8 maio, 2008 7:23 pm

    Realmente, louvável a iniciativa de Recife com esses outdoors. Gostaria de ver algo parecido aqui em São Paulo… Parabéns pelo texto.

  2. 8 maio, 2008 10:32 pm

    Olá…

    Você me convocou e aqui estou!!!

    Tenho uma missão???

    Gostaria de lhe parabenizar!!! Seu blog é muito bom!

    Beijos!

  3. Ana permalink
    9 maio, 2008 2:28 am

    Boa noite, garotas 🙂
    Que animal esta iniciativa de Recife! Amei!!! Outras cidades deveriam seguir o exemplo. Vc eh de Recife? viu na rua?
    Só uma crítica: o post começou na linha da reportagem, mas se perdeu e faltou um fim. Fiquei sem entender se vc copiou de algum lugar ou se tentou escrever.
    Bjos a todas e parabéns pelo blog

  4. 9 maio, 2008 11:32 am

    Nossa, muito legal a iniciativa do governo lá de Recife, em pensar que eu achei que só veria esse tipo de coisa em pais de primeiro mundo. Legal mesmo..

  5. Amanda Andrade permalink
    9 maio, 2008 11:55 am

    Olá querida Aranel,

    Adorei o texto, como sempre, e achei louvável a iniciativa do pessoal de Recife. É bom saber que temos apoio e que aos poucos estamos ganhando mais espaço.

    Realmente família não quer dizer “Pai, Mãe e Filhos”, família é AMOR antes de qualquer coisa e a cima de qualquer preconceito.

    Você realmente esta de parabéns!!

    E só fazendo um pequeno comentário ao que a nobre colega Ana falou no post anterior… Desculpe-me, mas não concordo com a crítica que fez ao texto da Aranel.

    Não acho que ela tenha se perdido em sua explanação, muito pelo contrário, ela a conduziu de forma a não tornar a leitura maçante, facilitando assim o entendimento de todos (ou quase todos).

    Fato é que nem sempre podemos agradar a “gregos e troianos”, você poderia até dizer que “não gostou” do texto, mas de forma alguma vejo o referido como algo solto e sem coerência.

    Contudo, deve-se lembrar que é apenas um “toque” e se você se interessar e quiser aprofundar o assunto, faça pesquisas mais detalhadas tomando como ponto de partida o texto aqui publicado.

    Bem é isso…

    Bjinhos a todas!!

    Mandinha

  6. Cris permalink
    9 maio, 2008 3:09 pm

    Boa Tarde,
    Sou nova por aqui, na verdade já visito o site há tempo, mas hj tive um empurrãozinho para postar.
    Concordo com a Amanda, o texto da Aranel está muito bem escrito e com certeza muito louvável a atitude do pessoal do Recife.
    Beijos a todas

  7. Julia permalink
    9 maio, 2008 8:04 pm

    Gente, críticas são bem-vindas, lembram???
    Vamos tentar ser mais humildes. Nem todos os posts serão perfeitos e nem todos os comentários serão elogiosos. Eu achei o TEMA excelente, mas o TEXTO, como FORMA, realmente está um pouco confuso. Isso é normal e pode acontecer com qualquer um.
    Vamos levar a vida menos a sério e aprender com os erros????? Love and peace pra vcs

  8. Amanda Andrade permalink
    10 maio, 2008 1:02 pm

    Julia…

    “Gente, críticas são bem-vindas, lembram???”
    Vamos tentar ser mais humildes. Nem todos os posts serão perfeitos e nem todos os comentários serão elogiosos.”

    Críticas são SEMRE bem-vindas, mas eu sou obrigada a concordar??? Se eu gosto de usar AZUL e vc fala q azul não combina com quase nada, o melhor é usar preto… Eu aceito calada e mudo de opinião? Acho que vc cometeu um equívoco… vc deveria estar pensando em conivente ao invés de humilde quando escreveu esse post e sinceramente, não da para ser conivente… uma vez que não concordo com o que ela disse…

    “Eu achei o TEMA excelente, mas o TEXTO, como FORMA, realmente está um pouco confuso. Isso é normal e pode acontecer com qualquer um.”

    Digo e repito…

    Não acho que ela tenha se perdido em sua explanação, muito pelo contrário, ela a conduziu de forma a não tornar a leitura maçante, facilitando assim o entendimento de todos (ou quase todos).

    ”Vamos levar a vida menos a sério e aprender com os erros?????”

    Lógico que vamos levar a vida menos a sério… e se “vc” faz uma crítica, deve esta preparada para ouvir respostas.. seja contra ou a favor!!

    “Love and peace pra vcs”

    Para nós, querida… para todas nós!

    beijinhos a todas…

    Mandinha

  9. 10 maio, 2008 3:29 pm

    Se ela copiou ou escreveu, não sei, mas adorei o conteúdo: achei incrível a iniciativa dos outdoors. Bem que a moda podia pegar em todo o país… Estamos precisando de mais tolerância.

  10. Té Pazzarotto permalink*
    10 maio, 2008 9:58 pm

    Oi Julia,

    críticas são sempre bem-vindas sim, principalmente quando são construtivas e isentas.

    Você poderia apontar aonde faltou humildade nos comentários? Ou no texto da Aranel, caso você esteja se referindo a ele?

    Algumas vezes, a sede em apontar falhas se perde e as críticas acabam ficando sem base, sem critério…

    Acho que certas coisas são “insignificantes” diante da proposta do blog.

    amor, paz e maturidade pra todas nós =)

  11. Aranel permalink
    14 maio, 2008 12:03 am

    Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pela demora em apresentar as devidas respostas. Uma viagem a trabalho me impossibilitou de ofertá-las no instante em que eu gostaria, mas, apesar da distância, fui informada por telefone sobre os últimos acontecimentos nessa postagem.

    Aproveito, inclusive, para me desculpar com aqueles que ainda aguardam respostas por e-mail (sempre respondo a todos que me escrevem com o máximo de celeridade possível). Estejam certos que, em breve, receberão suas respostas – como sempre. =]]]

  12. Aranel permalink
    14 maio, 2008 12:24 am

    Julia,

    imagino que você deve ter ficado realmente muito magoada para reagir com essa avalanche crítica – como se ela pudesse “devolver” algum “mal” que eventualmente a minha opinião poderia ter lhe causado.

    (In) felizmente, publicamos o que escrevemos cientes de que nem sempre o efeito será o melhor. Por vezes, os resultados são muito mais satisfatórios que o almejado pela nossa expectativa, mas há a possibilidade de que o contrário também aconteça e isso pode doer bastante se tivermos um olhar demasiadamente severo com nós mesmos. Para mim, a forma como vemos as coisas muda inclusive o impacto delas sobre nós.

    Talvez sua crítica aqui tenha sido motivada pela minha crítica à sua crítica da entrevista de Mônica Bergamo.

    Na sua crítica ao texto da citada colunista, você diz:

    “…falei que a entrevista estava uma merda…”

    Além de teorizar sobre outras coisas com as quais discordei.

    Acredito, entretanto, que a parte mais incômoda da minha opinião deve ter sido quando eu disse:

    “críticas bem feitas, para mim, são aquelas lastreadas em algo que ultrapassa o ponto de vista pessoal; são aquelas que passam longe dos ataques incautos de incultos na hora de opinar. Assim sendo, seja lá o que tenha sido publicado na matéria da Mônica Bergamo (não pude ler, pois não sou assinante) reputo desnecessário certas formas de tratamento utilizadas aqui (ou “destratamentos”, permitindo-me um neologismo).”

    Bem, reitero o que disse: críticas bem feitas são aquelas que passam longe dos ataques incautos de incultos na hora de opinar. E, evidentemente não estou chamando ninguém de ignorante com essa frase, já que a palavra “inculto” significa também “rude, grosseiro”. Creio não ser muito polido chamar a entrevista de uma colega de profissão de “merda”…

    Enfim, críticas bem feitas são aquelas que passam longe dos ataques imprudentes de rudes (pessoas grosseiras) na hora de opinar…

    Como não sou arrogante (se fosse, dificilmente tantas pessoas se sentiriam bem em dialogar comigo), sempre que percebo algo aparentemente ofensivo, vejo se foi aquilo que realmente a pessoa quis dizer (inclusive consultando o dicionário, uma vez que não tenho medo de parecer pouco inteligente fazendo uso dele). Observo ainda o perfil da pessoa antes de imaginar que ela possui um problema pessoal comigo.

    Portanto, acredito que sua crítica foi efetivamente motivada mais por uma mágoa do que por qualquer outra coisa, afinal no dia 8 (antes de sua saída do Blog) você disse:

    “Realmente, louvável a iniciativa de Recife com esses outdoors. Gostaria de ver algo parecido aqui em São Paulo… Parabéns pelo texto.”

    Alterando a opinião completamente no dia 9:

    “Gente, críticas são bem-vindas, lembram???
    Vamos tentar ser mais humildes. Nem todos os posts serão perfeitos e nem todos os comentários serão elogiosos. Eu achei o TEMA excelente, mas o TEXTO, como FORMA, realmente está um pouco confuso. Isso é normal e pode acontecer com qualquer um.
    Vamos levar a vida menos a sério e aprender com os erros????? Love and peace pra vcs”.

    Um amigo meu diria que “é intriga da oposição”. Mas não costumo usar os meus amigos para falar – a quem quer que seja – aquilo que me compete.

    Seja como for, prefiro crer que a nobreza de espírito ainda se faz presente apesar da pequenez de certas atitudes.

    Se o texto está do seu agrado (opinião 1), fico feliz e agradeço os parabéns.

    Se o texto não está do seu agrado (opinião 2), você ainda poderá aproveitar o conteúdo (acredito que tenha compreendido o principal dele) além de outras notícias (há muito para ver, inclusive, em outros lugares). Agradeço da mesma forma a visita (ela sempre pode render uma boa leitura, porque existem mais duas outras autoras que dividem o trabalho, a administração e, principalmente, a árdua atividade de tomar decisões imparciais e nada protecionistas).

    Tanto para a opinião 1 como para a 2, deixo resposta. Você decide.

    A proposta do blog continua firme e que a diversidade não se transforme em adversidade!

    Sucesso para você sempre,

    Aranel. =]]]

  13. Aranel permalink
    14 maio, 2008 12:28 am

    Grazi,

    vou passar os links lá no Consciência Lésbica! Marina, Té e eu ficamos muito felizes em saber que gostou do blog! Beijos. =]]]]

  14. Aranel permalink
    14 maio, 2008 12:29 am

    Ana,

    Boa noite! Então… Já noticiamos coisas sobre Londres, Nigéria, Brasília, mas não me perguntou se eu residia em nenhuma dessas localidades. Algum problema com Recife, com as ruas de lá ou os pernambucanos?

    Por sorte, não precisamos passear pelas ruas do Iraque ou da Palestina para termos notícias do que ocorre lá.

    Qualquer dúvida sobre a notícia, basta acessar a fonte (ela foi citada).

    Agradeço a sua visita e os parabéns em nome de toda a equipe do Blog.

  15. Aranel permalink
    14 maio, 2008 12:35 am

    Naná,

    realmente. Muito bom ver atitudes como essas! É um começo. =]]]

  16. Aranel permalink
    14 maio, 2008 12:37 am

    Amanda,

    seu comentário é daqueles que dispensam comentários. Obrigada mesmo pelo carinho e, sobretudo, pela opinião sincera! Bom saber que as opiniões importantes chegam independentemente de pedidos para que elas ocorram.

    Um grande beijo, um forte abraço e, mais uma vez, muito obrigada! =]]]]]

  17. Aranel permalink
    14 maio, 2008 12:40 am

    Cris,

    é um grande prazer ver você também aqui!

    Muito Obrigada!

    Grandes beijos, Aranel. =]]]]

  18. Aranel permalink
    14 maio, 2008 12:42 am

    Alice,

    de fato essa moda poderia pegar! E sim: precisamos de mais tolerância.

    Abraços, Aranel. =]

  19. Aranel permalink
    14 maio, 2008 12:46 am

    Té,

    não poderia dizer que amo você, porque certamente as pessoas entenderiam de outro modo, mas, mesmo assim, digo: amo você e suas palavras foram precisas, sóbrias, perfeitas.

    Permita-me citá-las:

    “Algumas vezes, a sede em apontar falhas se perde e as críticas acabam ficando sem base, sem critério…

    Acho que certas coisas são “insignificantes” diante da proposta do blog.

    amor, paz e maturidade pra todas nós =)”

    =]]]]]]]]…

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