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Será um sinal?

20 maio, 2008

Torcedor é detido por homofobia 
                                     Luciene Braga

 

Rio 
“Os travestis Kakau Ferreira (Flávio Ferreira dos Santos Rodrigues), de 23 anos, e Andréa Brazil (André Luiz da Costa Silva), 35, foram agredidas pelo estudante e torcedor do Fluminense Carlos Eduardo Pinheiro, 23, e registraram queixa contra ele por homofobia na 18ª DP (Praça da Bandeira). Elas participavam da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), quando saíram para almoçar no restaurante popular e retornar para um ato contra a violência direcionada a homossexuais. Elas relataram que, ao passar em frente ao Maracanã, que tinha uma fila de torcedores que pretendiam comprar ingressos para o jogo de quarta-feira, teriam sido vítimas de uma seqüência de xingamentos liderados pelo estudante, aos gritos de “trava”, “travecos”, “put…”, prostitutas, “Ronaldinho não está aqui”, “traveca fdp”, entre outros.

Inconformadas com a agressão gratuita, Andréa e Kakau avistaram uma viatura da Polícia Militar e chamaram os policiais, que abordaram Carlos Eduardo e o levaram para a delegacia, apesar de ele negar ter participado da agressão.

‘Os policiais foram muito educados e sensíveis. Eles explicaram que bastavam duas testemunhas para que a queixa fosse considerada. Ele negou as agressões, assim como as pessoas que estavam ao lado dele e que haviam aderido aos xingamentos. Mas ninguém o defendeu. Nós trabalhamos, pagamos impostos como todos, não podemos ser expostos a esse tipo de comportamento homofóbico”, afirmou Andréa, que trabalha como professora na formação de cabeleireiros na Obra Social da Prefeitura do Rio. “Eu atravessava a calçada do Maracanã e comentava o quanto estava feliz, porque tenho alunos e alunos de todas as idades, entre eles, evangélicos. Todos nos tratam muito bem. Decidimos registrar a queixa como ato simbólico, porque justamente hoje discutíamos políticas públicas contra a homofobia. Homofobia tem que ser entendida como crime”, justificou. Kakau, que é professora de telemarketing, “Quando os policiais foram abordar o agressor, foram aplaudidos. Ele chegou a sair da fila dos ingressos para gritar as ofensas. Tinha muito ódio no olhar’, conta ela, ressaltando que ontem foi o Dia Mundial da Luta Contra a Homofobia.

A jornalista Renata Cristiane de Oliveira, 35 anos, que também participava da conferência e testemunhou tudo, disse que o recente episódio que envolveu o jogador de futebol Ronaldo Fenômeno com os três travestis na Barra da Tijuca gerou uma opinião generalizada de que todos os travestis são aproveitadores ou  prostitutas e potencializou a homofobia. “Para muita gente, travesti é sinônimo de prostituição, porque os travestis não são incorporados ao mercado de trabalho, por preconceito. Você dificilmente vê um travesti em uma recepção, em um restaurante ou área de atendimento. Muitos se vêem restritos à prostituição, sim, por falta de oportunidades, mas não são todos. O que também não justificaria qualquer agressão, porque prostitutas têm todos os direitos. O caso é emblemático. É preciso registrar a queixa para que as pessoas entendam que não podem agredir as outras por causa da orientação sexual. A cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil. Na cidade em que vivo, Cabo Frio, cinco foram assassinados desde janeiro. Isso não pode continuar impune”, protestou.

‘Tudo isso acontece enquanto o Congresso vota o Projeto de Lei Complementar 122, que transforma a homofobia em crime. Como não há essa lei, o agressor será enquadrado somente na Lei 9.099, para crimes de pequeno potencial ofensivo, e será julgado em juizados especiais. De qualquer forma, esse registro policial deve servir de exemplo’, explica Camila dos Santos Mendes, 26, advogada que também participava da conferência e seguiu para a delegacia com os dois travestis agredidos. Pela Lei 9.099, se condenado, o agressor pode ter de cumprir pena alternativa, como o pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços comunitários.

Na delegacia, Carlos Eduardo negou ter feito as agressões. ‘Não falei nada. Eu não disse nada. Acho que estão me usando como exemplo. Estou pagando pelo que as pessoas da fila falaram’, defendeu-se. As testemunhas disseram que ele estava com amigos que, quando ele foi abordado pelos policiais, não se manifestaram ou ajudaram. Ele disse que não conhecia ninguém da fila. “Não estava com amigos. E, por favor, não diga que sou Fluminense. Não sou tricolor. Eu só queria comprar o ingresso para o jogo de quarta-feira’, insistiu. Segundo ele, como são amigas, elas teriam se unido para acusá-lo. Mas Andréa e Kakau nunca se viram antes. ‘Só nos conhecemos aqui, na conferência’, disse Kakau. Do grupo, somente Renata e Camila se conheciam, de Cabo Frio, mas elas só foram à delegacia porque testemunharam o fato e quiseram ser solidárias à Andréa e Kakau. O caso agora poderá ser encaminhado a um Juizado Especial Criminal, onde será julgado.”

 

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fonte: http://odia.terra.com.br/rio/htm/torcedor_e_detido_por_homofobia_171883.asp

 

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