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Antes, durante e depois…

26 maio, 2008

A Parada

A Parada contou esse ano com o patrocínio de 1 milhão de reais, dinheiro que veio de vários setores, tanto do privado quanto do público, valor irrisório diante dos 189 milhões de reais arrecadados com o evento.
Até agora, a única estimativa oficial, referente à quantidade de pessoas, é da Guarda Civil que disse que o público chegou a 3 milhões de pessoas.

Com o tema: “Homofobia Mata, Por um estado laico de fato”, a organização do evento prometeu algo mais politizado. No tocante à proposta, parece que ficou só na promessa, pelo menos foi essa a impressão de algumas pessoas…

O início oficial se deu por volta das 13h, quando o primeiro carro começou a andar. Houve vários discursos, dentre eles o do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, falando que pretende continuar apoiando a Parada do Orgulho GLBT e os direitos homoafetivos.

A Mídia

Uma cobertura… Na verdade, quase não teve cobertura, né?
A maioria das notícias que saíram nos jornais e nos sites que cobriram a Parada, ontem, falaram, em grande parte, apenas de problemas e números, dificilmente entraram no tema: homofobia.
Escreveram matérias ou notas sobre a bebedeira, o uso de drogas, a violência, o tumulto, a quantidade de pessoas passando mal, o homem que foi atropelado etc.

Pela televisão, ouvi dizer que passou algo no Gugu, não vi, então não sei como foi tratado lá.
Já no Fantástico, o que vi foi um “V.T” com pouco mais de 3 minutos voltado para o entretenimento: a diversão, a grande festa que é a Parada Gay de São Paulo.
Mais uma vez: e a homofobia? 
Quando o “carro-chefe” não é a farra, é o dito “pink money”.

Hoje não foi diferente.
Procurei em vários sites: G1, Mix Brasil, Folha de São Paulo etc. As notícias continuavam “pesadas”.
O atropelamento que provocou a passagem do trio em silêncio pela Consolação, em sinal de respeito, foi notícia novamente dando o desfecho do caso:

“Odimar Rubens Martins, funcionário do trio elétrico Canibal, alugado pelo Sindicato dos Enfermeiros para a 12ª Parada Gay de São Paulo, precisou amputar a perna esquerda após ter sido atropelado pelo trio em que trabalhava. O acidente ocorreu por volta das 15h30.”

“Apesar de ainda estar internado, o seu estado de saúde é estável.”
(Mix Brasil)

Outro assunto que ganhou grande repercussão foi o confronto da polícia militar com a Conlutas:

“O caso aconteceu às 15h na esquina da Paulista com a Joaquim Eugênio de Lima. Segundo os organizadores, os sindicalistas estavam fazendo discurso político e pararam o carro, atrapalhando a passagem dos demais. Segundo a organização, o carro da Conlutas não tinha toda a documentação. Os PMs disseram que foram agredidos com cabos de bandeira e cavaletes. Os sindicalistas dizem que foram tirados com golpes de cassetete.”
(O Globo)

No geral, existe esse impasse: a PM e a Organização da Parada falam uma coisa, o pessoal da Conlutas outra.
Há uma matéria no site da Conlutas explicando o ponto de vista da entidade, um dos trechos diz:

“Ao contrário de certas versões divulgadas, o carro da Conlutas estava totalmente legalizado, o que, inclusive, fez com que, durante toda a semana, ele aparecesse, tanto no site da Associação quanto em toda a imprensa, como o 4º a sair pela Paulista. ”

Isso é bem verdade, mas o motivo alegado para a não participação da Conlutas seria a possível propaganda partidária promovida pelo trio, o que ainda está proibido por lei. Somente a partir de 6 de julho, estará permitida a propaganda eleitoral. Os candidatos ficarão liberados para realizar comícios e utilizar aparelhos de som.

Essa história repercutiu numa das mais importantes comunidades do Orkut, a HJE ou HOJE com o tópico: Parada Gay: intolerância e falta da liberdade.
Uma das participantes, Ana que é estudante de ciências sociais e tem 18 anos disse:

“Os carros alegóricos, quando vão participar da parada, assinam um contrato, e uma das clausulas do contrato é que nao se pode fazer discurso político.
A Conlutas é liderada pelo movimento de esquerda, principalmente PSTU e PSOL, e queria esse ano ‘ousar’, fazer discursos políticos, enfim, o que não se pode fazer de acordo com o contrato.
Não sei na integra o que rolou lá na hora, tenho amigo da conlutas, vou falar com eles depois… Pelo que estava escrito no jornal, tinha gente com bandeira do PSTU, e isso eu realmente sou contra, sem partidarismo na parada, e é provavelmente o que aconteceria.
Não to falando que eles estão certos em terem retirado o carro da Conlutas, só estou apresentando um outro lado…

E sim, eu vejo política na parada. Política não é so aquela que se faz no congresso, política se faz no dia a dia. Não é preciso bandeira de nenhum partido para se fazer política.
Ao ter 3 milhões de pessoas na rua, pulando, mostrando abertamente sua sexualidade, não é uma forma de fazer política? Ao se ver gays andando pela cidade com a pulseirinha gay, não é uma forma de mostrar visibilidade, de mostrar que EXISTIMOS? Quando um menino enrustidinho vai para a parada, e vê que os gays são NORMAIS, já não estamos fazendo política?
É preciso vincular a partidos políticos ou a políticos? Acho que politica é muito mais do que partidos e senado…”

Enfim, eu gostaria muito de saber como foi a Parada ontem, além das notícias ruins e confusões.


Gostaria que o foco da mídia em relação a Parada Gay fosse outro… 
Que os 3milhões, ou mais, de pessoas estivessem juntas depois também.
Espero que os participantes façam uma reflexão sobre o tema, que fixem em suas cabeças: Homofobia Mata!!! E não que apenas reproduzam como quem dá um “bom dia” e que acabe virando um discurso automático…

Que venham as outras Paradas!

 

 ____

Vídeo bacana do Bom Dia Brasil

Leituras que podem interessar:

Quase 8 ou quase 80

O Globo Online
 

 

 

 

4 Comentários leave one →
  1. Té Pazzarotto permalink*
    26 maio, 2008 8:44 pm

    Pessoal a Organização divulgou uma nota sobre a Conlutas:

    http://www.paradasp.org.br/parada2008/index.php?sec=abrenoticias&cat=1&noti=63

  2. Marina Meirelles permalink
    26 maio, 2008 11:20 pm

    Que bizarra essa história de cobertura. Não vi NADAAAAA sobre a PLC 122. Nada sobre a homofobia, como você comentou. Ou quase nada, enfim.

    Falta foco? Falta informação? Falta vergonha? Ou falta a falta de vergonha de falar de certos temas de maneira séria?

  3. Té Pazzarotto permalink*
    27 maio, 2008 12:28 am

    Acho que falta um pouco de tudo.
    Quando a Parada de Sampa bateu seu primeiro recorde e se tornou a maior do mundo, lembro da master cobertura.
    Era Faustão, Fantástico, JH, JN etc. Todos falavam em respeito as diferenças.
    Ontem e hoje, achei a cobertura, como disse LD, “xoxa”…

    =/

  4. Marina Meirelles permalink
    27 maio, 2008 9:07 am

    Tem uma avaliação ótima sobre a Parada no Dykerama.

    http://dykerama.uol.com.br/src/?mI=1&cID=36&iID=1123&nome=%C3%89_preciso_saber_viver_a_Parada!

    Fala bem disso, da grande micareta que a Parada virou.

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