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A Teoria do “Aísmo”

1 junho, 2008

 

Se o desejo tem seus mistérios; as mulheres, os seus enigmas. Há nelas a capacidade inafastável de transformar instantes de prazer em momentos intermináveis de gozo profundo. Talvez, mais ainda que isso…

Costumo dizer que o prazer de certos jogos é insuperável. Quando acontecem de maneira inusitada então, a satisfação pode ser ainda melhor; porque o surpreendente arrebata com a mesma força com que derruba as defesas.

– Fico pensando em como vou resolver isso com Marta e não chego à conclusão nenhuma… – Kika pousou os cotovelos sobre a mesa com uma expressão inquieta. Enfadada, levantou-se e se deitou na rede do quarto.

– Você já sabe como penso… As coisas mal resolvidas sempre tornam a nossa porta. Às vezes, elas batem mesmo quando já se solucionaram dentro de nós, afinal sempre existe o outro…

– Eu sei, Nel… Eu sei, mas minha cabeça anda fora do lugar.

– Não convém perder a cabeça com quem permanece com a sua no lugar mesmo estando conosco… – Falei olhando Kika profundamente enquanto sentia toda ela se desconcertar. – Se for para enlouquecer, que se endoideça a outra junto também.

– Ai! – gemeu Kika de maneira inesperada.

– “Ai”? Por que o gemido… Nem toquei em você ainda… – Brinquei de maneira pouco inocente.

– Não foi um gemido, Dona Aranel, – protestou Kika.

– Amor, aquele “AI” foi um gemido… Existem “ais” e “ais” e acredite em mim quando digo… Há algo mais em seu “ai”.

– Virou especialista em “ais”, Nel? Explique melhor… Achei interessante sua teorização…

– Existe o “ai” de esquecimento, o de dor… Há o que representa uma mistura de dor e prazer… O que antecede o prazer… E o que concentra em si a própria definição do gozo… – Disse de modo provocante percebendo a excitação de Kika.

– E você acredita que o meu “ai” é…

– Seu “ai” é uma confissão do seu prazer em estar comigo, – arrisquei com ousadia.

– Como?

– Seu “ai” é uma introdução ao prazer que você vai sentir depois que eu tocar em você assim, – Afirmei enquanto deitava na rede em que Kika estava.

– Não… Você é louca… – ela murmurou sentindo meu corpo se encaixar perfeitamente no dela. – Vamos cair…

Com suavidade, desci minha mão sem pressa dos seios para o quadril de Kika observando o efeito imediato do meu gesto na respiração dela. Forcei o encontro de lábios em um beijo preguiçosamente gostoso deixando meus dedos escorregarem para o meio de suas pernas.

– Ai… – Kika sussurrou repetidamente como se estivesse em transe.

– Isso… É isso… Quero todos esses “ais”.

Cada um possui seu modo de tocar; cada qual guarda em si a sua predileção, o seu desejo particular que revela como gosta de ser preenchido pelo outro afetiva e sensualmente, mas nada substitui a surpresa da entrega e da conquista.

Se tudo perde o sentido quando somos um corpo de sensações que nos convida ao prazer, parcela das respostas parece surgir justamente quando estamos a um passo de ganhar significado para uma nova pessoa em nossas vidas.

E, ainda que estejamos encerrando o que passou, perceberemos: há certas coisas que vivemos por acreditar e outras que provamos justamente para ter a certeza de que existem. Os recomeços também são assim.

 ***

Para sugerir temas e trocar idéias, pode escrever também para aranelhaldatir@hotmail.com que terei prazer em responder. =]]]

 

7 Comentários leave one →
  1. Té Pazzarotto permalink*
    1 junho, 2008 9:52 pm

    Olha… eu tenho um protesto a fazer!Ou seria um pedido? rs

    Quero um texto seu sobre uma noite (manhã, madrugada ou tarde) tórrida de amor que você tenha tido… E, preste atenção, não vale usar reticência nas preliminares! Só permito o uso delas depois do “último ai”…rs

    aceita o desafio?

    =)

  2. Aranel permalink
    1 junho, 2008 10:06 pm

    Ai!

  3. Aranel permalink
    1 junho, 2008 10:19 pm

    Té, Té…

    Que terrível você me desafiando… rs.

    Um texto meu sobre uma noite, manhã, madrugada ou tarde tórrida de amor? E numa versão sem cortes? Sem reticências?

    Confesso que seu protesto/pedido/desafio é bem excitante… bem excitante…

    Desafio aceito!

    =]]]]

    PS.: Ao menos, posso usar as reticências depois do “último ai”… Mas, lembre-se de que, nesse caso, as reticências marcam apenas o recomeço de outros “ais” ainda maiores…

  4. Té Pazzarotto permalink*
    1 junho, 2008 10:22 pm

    Não se preocupe, eu lembro dessa história de “ais”…rs

    A dona “n” nomes, sua namorada, já contou pra mim, ou você esqueceu?

    Vou cobrar o texto!
    =D

  5. Cris permalink
    2 junho, 2008 3:43 pm

    Aranel,
    Como sempre sabe definir bem o que sentimos…

    “E, ainda que estejamos encerrando o que passou, perceberemos: há certas coisas que vivemos por acreditar e outras que provamos justamente para ter a certeza de que existem. Os recomeços também são assim.”

  6. Aranel permalink
    7 junho, 2008 10:00 am

    Pode cobrar, Té… rs.

    =]]]

  7. Aranel permalink
    7 junho, 2008 10:01 am

    Cris,

    generosidade sua! Imensa generosidade, amore!

    Beijos e beijos. =]]]]

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