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O Segredo dos Românticos

8 junho, 2008

A vida sem romance é uma versão pouco charmosa do cinema em branco e preto. É olhar “preto no branco” o nosso dia a dia, que já nos impede de demonstrar como somos, e esquecer que as cores dos relacionamentos se mostram mais facilmente sob a luz, do que abrigadas na escuridão.

Humanos que somos, temos nossos momentos de claridade e sombra, inclusive quando o assunto é romance; sobretudo quando a história amorosa é o centro romântico da discussão.

Se é difícil compatibilizar percepções diferentes numa relação a dois (numa convivência a duas), é igualmente complexo fugir da necessidade de harmonizar os anseios de um(a) com as satisfações que o(a) outro(a) pode proporcionar.

O lado mais sensível do relacionamento sempre precisará encontrar aconchego para a sua expressividade amorosa ainda que inexista uma correspondência de ações. No amor, a idéia de reciprocidade pode guardar uma armadilha perigosa: esperar do outro aquilo que, na verdade, reflete o que nós podemos dar. Sequiosos por uma doação semelhante àquela que empreendemos, deixamos de perceber a entrega única que a pessoa amada nos faz. E, desse modo, passamos a crer no fim do romance, quando pode ter acontecido tão somente a morte do ideal romântico para o nascimento da realidade amorosa¹.

Por mais confortante que seja, pouco adiantaria dizer que, no “pretérito”, os amores “eram” mais amores, como se isso justificasse nossa inabilidade romântica. No passado, os amores não se faziam mais amores do que podem ser hoje nem as criaturas mais amáveis do que aquelas com quem nos deparamos a cada virar de rua; eles apenas estavam numa outra época e se vêem observados agora pelo olhar benevolente de quem os vê tempos depois.

O fim do “romance” não ocorreu e os “últimos” românticos continuarão a existir, já que o amor permanece para provar nossa capacidade infinita de reviver um sentimento “antigo” com contornos tão nossos, tão novos.

E o segredo dos românticos? Não é preciso ser romântico para se viver um bom romance, mas é fundamental responder ao sentimento do outro quando ele se mostrar. Sem respostas, vamos nos abstendo de falar e, no império do silêncio, pode se chegar ao prenúncio da morte do amor ou da possibilidade dele.

Mesmo assim, nada bastante forte se encerra sem a possibilidade de reconquista daquilo que ainda não se foi. E é assim que vemos as flores, os olhares marejados, as desculpas sinceras, o beijo salgado depois do perdão, o tato e a respiração ofegante durante o amor… Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência, porque a arte imita a vida e, às vezes, a vida deveria se mirar na arte para reencontrar a paixão, sensibilidade, a razão e a verdade que a inspirou.

___________________________

1 Realidade composta de bons e maus momentos.

***

Para sugerir temas e trocar idéias, pode escrever também para aranelhaldatir@hotmail.com que terei prazer em responder. =]]]

14 Comentários leave one →
  1. Té Pazzarotto permalink*
    8 junho, 2008 11:14 am

    “difícil compatibilizar percepções”

    ainda mais quando as pessoas são diferentes…

    “No amor, a idéia de reciprocidade pode guardar uma armadilha perigosa: esperar do outro aquilo que, na verdade, reflete o que nós podemos dar.”

    Realmente, mesmo que algo não seja o suficiente pra gente, esse algo talvez seja o máximo que o outro pode oferecer…

    “Sequiosos por uma doação semelhante àquela que empreendemos, deixamos de perceber a entrega única que a pessoa amada nos faz.”

    “às vezes, a vida deveria se mirar na arte para reencontrar a paixão, sensibilidade, a razão e a verdade que a inspirou.”

    Inspirador, romântica.

  2. 8 junho, 2008 11:31 am

    =]]]]]]]]]

    Nossa! Que bom que gostou!

  3. Té Pazzarotto permalink*
    8 junho, 2008 12:36 pm

    “Românticos são poucos,
    Românticos são loucos, desvairados
    Que querem ser o outro,
    Que pensam que o outro,
    É o paraíso.

    Românticos são lindos,
    Românticos são limpos e pirados
    Que choram com baladas,
    Que amam sem vergonha e sem juízo
    São tipos populares, que vivem pelos bares
    E mesmo certos vão pedir perdão
    E passam a noite em claro
    conhecem o gosto raro
    De amar sem medo de outra desilusão
    Romântico é uma espécie em extinção.”

  4. Nefertari permalink
    8 junho, 2008 10:53 pm

    Aranel…
    seus textos são deliciosos!
    mas temos que concordar que a realidade amorosa mesmo com seus maus momentos vale muito a pena pelos bons…quando a gente se encontra nessa realidade com a garota certa é tudo de bom!
    beijos!

  5. 9 junho, 2008 6:43 pm

    Té, Té… uma música… infinitas lembranças… =]]]

  6. 9 junho, 2008 6:46 pm

    Nefertari,

    você me fez ganhar o dia com esse gostoso comentário!

    E, realmente, “a realidade amorosa mesmo com seus maus momentos vale muito a pena pelos bons… quando a gente se encontra nessa realidade com a garota certa (…)”.

    Não falaria melhor!

    Um super beijo! =]]]]]]]

  7. 9 junho, 2008 10:34 pm

    sim.sim..
    mto inspirador…

    [Mar sob o céu, cidade na luz
    Mundo meu, canção que eu compus
    Mudou tudo, agora é você

    A minha voz que era da amplidão
    Do universo, da multidão
    Hoje canta só por você

    Minha mulher, meu amor, meu lugar
    Antes de você chegar
    Era tudo saudade
    Meu canto mudo no ar
    Faz do seu nome hoje o céu da cidade

    Lua no mar, estrelas no chão
    Aos seus pés, entre as suas mãos
    Tudo quer alcançar você

    Levanta o sol do meu coração
    Já não vivo, nem morro em vão
    Sou mais eu, porque sou você

    Minha mulher, meu amor, meu lugar
    Antes de você chegar
    Era tudo saudade
    Meu canto mudo no ar
    Faz do seu nome hoje o céu da cidade

    Lua no mar, estrelas no chão
    Aos seus pés, entre as suas mãos
    Tudo quer alcançar você

    Levanta o sol do meu coração
    Já não vivo, nem morro em vão
    Sou mais eu, porque sou você]
    http://www.inaeternum.blig.ig.com.br

  8. Baixinha permalink
    9 junho, 2008 11:15 pm

    Nossa!!!! amei o texto

  9. Marina Meirelles permalink
    10 junho, 2008 12:35 am

    Eu também amei. Principalmente esta parte (fazendo coro com a Té):

    “No amor, a idéia de reciprocidade pode guardar uma armadilha perigosa: esperar do outro aquilo que, na verdade, reflete o que nós podemos dar. Sequiosos por uma doação semelhante àquela que empreendemos, deixamos de perceber a entrega única que a pessoa amada nos faz. E, desse modo, passamos a crer no fim do romance, quando pode ter acontecido tão somente a morte do ideal romântico para o nascimento da realidade amorosa¹.”

  10. 12 junho, 2008 5:37 pm

    Enas,

    uma bela lembrança essa composição que citou!

    Beijos e fico feliz que tenha gostado! =]]]

  11. 12 junho, 2008 5:38 pm

    Puxa, Baixinha, que bom!

    Beijos, querida! =]]]]]

  12. 12 junho, 2008 5:42 pm

    Marina,

    também fico feliz que tenha gostado! Nem sempre eu me lembro dessa parte quando preciso, mas, uma hora a recordação do que importa chega. Ainda bem!

    Grandes Beijos. =]]]

  13. barbara permalink
    17 junho, 2008 8:02 pm

    o texto eh bastante verdadeiro
    simples e objetivo…
    resumido mais claro…
    adorei!
    =DD

    =**
    by

  14. 19 junho, 2008 6:56 pm

    Nossa, Barbara!

    Eu ADOREI o seu comentário!

    Muito Obrigada Mesmo!

    Beijos e beijos. =]]]]

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