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A melhor cantada

4 julho, 2008
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Silvia havia desembarcado em São Francisco havia uma semana anterior, mas até então só tinha visto a cidade da janela, entre uma reunião e outra. Teria agora três dias para finalmente aproveitar a cidade.

Escondeu os olhos azuis atrás das enormes lentes de seus óculos escuros, prendeu os longos cabelos loiros num rabo de cavalo e deixou o quarto 418 do hotel Radisson em direção ao Castro, o bairro mais gay da cidade mais gay do mundo. Sua intenção era matar sua curiosidade de como seria este local. Silvia era hétero, casada com um homem havia cinco anos e não se imaginava com uma mulher, embora tivesse curiosidade sobre como seria beijar alguém do mesmo sexo.

 

Depois de caminhar alguns quilômetros, as bandeiras com o símbolo do arco-íris começaram a aparecer com mais freqüência na frente das casas e dos estabelecimentos. Silvia definitivamente chegara ao Castro. Avistou um caffè e decidiu fazer uma pausa ali. Foi até o balcão, e, enquanto escolhia entre o espresso, o café-latte ou o cappuccino, percebeu alguém se aproximar do seu lado direito. Era uma moça de estatura média, cabelos curtinhos e um sorriso enorme. “Oi. Posso te pagar um café?”

Silvia ficou surpresa com aquela atitude.

– Prazer, Valerie! – disse a moça esticando a mão direita. Silvia retribuiu o sorriso e o cumprimento e apresentou-se.
– Puxa, de onde você é? –  perguntou Valerie ao notar o sotaque diferente.
– Do Brasil.

As duas falaram sobre amenidades enquanto esperavam seus pedidos, depois pegaram suas bandejas (um cappuccino para Silvia e um espresso duplo para Valerie) e foram até uma mesa à janela. Silvia percebeu um interesse além do normal por parte de sua interlocutora e, de repente, notou que era um flerte. Sentiu-se feliz, pois achou Valerie bonita e com um papo agradável, mas não tinha nenhum interesse amoroso ou sexual na moça.

Valerie parece ter notado isso e minutos depois perguntou:

– Você não é gay, é?

Silvia soltou uma risada.

– Infelizmente não. Mas se eu fosse, você já teria me conquistado.

Elas riram e conversaram mais 15 minutos. Despediram-se quando as bebidas terminaram.

– Foi um prazer conversar com você, Valerie.
– O prazer foi meu.

Silvia saiu do café com duas convicções: ela era definitivamente heterossexual. Mas que aquela tinha sido a melhor cantada da sua vida.

* Essa história aconteceu de verdade e a Silvia  (que obviamente não se chama Silvia) realmente disse que, embora seja hétero, foi uma lésbica que proporcionou a melhor cantada da sua vida. Achei que valia a pena compartilhar. 🙂

10 Comentários leave one →
  1. Mara permalink
    5 julho, 2008 12:23 am

    Nem sei mais onde achei teu blog, mas tenho que confessar que tem sido um prazer passar por aqui!

    Abraço

    Mara

  2. 5 julho, 2008 6:38 pm

    olá boa noite
    adorei seu site…
    vim através do site UVANAVULVA
    li gostei e te linkei em meu blog tudo bem???
    sempre passarei por aqui pra te ler
    suave seja sua noite!!!
    bjOsss….no coração
    .
    .
    .

  3. Carol permalink
    6 julho, 2008 1:01 am

    Blog fantástico!

  4. 7 julho, 2008 2:56 am

    Mulheres, ai as mulheres.
    Adoro a objetividade tão “desobjetiva” delas…
    Adoro a forma que elas têm de olhar pra dentro de nós é não só pro que está por fora.Adoro a intensidade com que nos beija e nos aperta quando apaixonadas, sem medo de parecerem exageradas.
    Levei 30 anos para aprender isso, mas confesso que minha vida começou a partir desse momento.

  5. Marina Meirelles permalink
    7 julho, 2008 12:47 pm

    Meninas,

    Obrigada pelo prestígio e fiquem à vontade!!

    Bjos!!

  6. robervania permalink
    4 agosto, 2009 11:11 am

    olha eu vou te dizer em essas mulheres de hoje !

  7. rafa permalink
    22 agosto, 2011 9:47 pm

    nossa vivemos num pais tão lindo e temos varias diferenças mais um sentido muito legal nela qui é o afeto apesar das diferenças minha namorada é lesbik e eu o oposto mais agent si ama si respeita e somos felizes

  8. 21 setembro, 2011 10:30 pm

    Oi, vocé está perdida? Nao. Mas ja encontrou o que procurava

  9. Carol permalink
    3 janeiro, 2012 1:50 pm

    Também piá so passa cantada besta tipo:ta com sede?pq to com água na boca ku tanso

  10. Marciane permalink
    8 maio, 2012 7:19 am

    Adorei, com certeza é uma otima historia.. bjus

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