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O Círculo

13 julho, 2008

Ela chegou até mim com um abraço esperado;

surpreendeu-me com um beijo indescritível

e, entre um arrepio e outro, fez do amor a sua definição em minha vida.

***

Quando nossos olhares se encontraram pela primeira vez, não havia a certeza de como seria o futuro, mas inexistiam dúvidas de que permaneceríamos unidas nele de maneira inafastável. E estar com Agnes era por assim dizer… indescritível. A presença dela representava um reencontro com uma porção indissociável da minha vida sem que eu precisasse senti-la metade para saber que, juntas, havíamos nos percebido finalmente “inteiras”.

Mas, porque o amor suspende “todas” as neuroses no começo, não significa dizer que supere todas as “Nelroses” afinal…

– Aranel, já disse a você que preciso dessas coisas. – Agnes argumentou como se a justificativa já se fizesse presente apenas naquela sentença.

– Como? Você precisa se expor ao perigo de que outra pessoa a agarre, porque isso faz bem ao seu ego, mesmo que destrua o meu?

– Não distorça as coisas…

– Não preciso… Elas não estão mesmo em seus lugares… – Disparei visivelmente magoada.

Foi somente com o tempo que percebi: não há locais certos para as coisas do coração. E quando inexistem regras imutáveis em um amor, eleva-se ao ilimitado a sua capacidade de ultrapassar o novo e fazer da novidade uma de suas muitas definições.

– Nel… – Ela se aproximou de mim na cama ao final do dia e estendeu o meu olhar em sua direção.

– O que foi, amor? – Perguntei com brandura. Não conseguia ficar triste com Agnes por muito tempo.

– Você… “Meus dias são mais felizes com você perto de mim”… Então… – Após me surpreender com um beijo suave, ela revelou dois brilhantes círculos dentro de uma caixinha vermelha.

– Amor?

– Não vale chorar… – Agnes apanhou uma das alianças e colocou em meu dedo lentamente enquanto balbuciava um “eu te amo” doce. Esforçando-me para a emoção permanecer guardada, repeti aquele gesto beijando-lhe a mão e a boca de maneira completamente apaixonada.

O que somos amando? Uma nota do divino com um traço do diabólico, o vestígio primevo da mais requintada forma de expressar que amamos: dando palavras ao corpo como verbalizamos o amor em palavras.

E como é preciso palavrear o amor, dar voz ao toque, timbre ao abraço; escrever – em cada murmúrio, gesto, ato – uma prova inconteste da resistência amorosa, da existência ardorosa do próprio amor, nós fazemos amor; fazemos do amor esse círculo com começo, mas sem fim.

Já dizia Titãs citando Bertolucci que deve ter se “apropriado” de alguém: “não existe o amor, somente as provas de amor”. Naquele dia, eu havia recebido uma delas.

 

***

Meus amores,

Té está de férias, eu estava levemente desaparecida (com inveja das férias da Té) e Marina cuidando de vocês com um carinho triplicado para suprir a breve falta sem deixar faltar nada =]]] Mas, como diria Alberto Caeiro: “aqui estou!” e com muitas saudades (acrescento).

Os e-mails logo ficarão em dia. Portanto, se não receber uma resposta minha até terça, provavelmente não recebi o e-mail e é só enviar novamente para aranelhaldatir@hotmail.com .

Grande Beijos,

Aranel. =]]]

5 Comentários leave one →
  1. Té Pazzarotto permalink*
    13 julho, 2008 4:07 pm

    “E como é preciso palavrear o amor, dar voz ao toque, timbre ao abraço; escrever – em cada murmúrio, gesto, ato – uma prova inconteste da resistência amorosa, da existência ardorosa do próprio amor, nós fazemos amor; fazemos do amor esse círculo com começo, mas sem fim.”

    Achei tão lindo =))

  2. Cláudia permalink
    14 julho, 2008 8:52 pm

    Lindo ^^

    =D

  3. 15 julho, 2008 5:17 pm

    Obrigada, Té!

    =))) Fiquei tão feliz por você ter achado.

    Beijos e beijos.

  4. 15 julho, 2008 5:19 pm

    Você é um doce, Cláudia!

    Muito Obrigada mesmo!

    Beijo Grande. =]]]

  5. Cláudia permalink
    29 julho, 2008 2:51 pm

    Eu que agradeço ^^
    Bjão Grande p/ você também!!!
    =D

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