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Apegos e desapegos

27 julho, 2008

Há perguntas que fazemos para obter as respostas que já sabíamos, porque na boca do outro tudo parece mais doce ou mais amargo; porque o mais sempre se encaixa melhor a essa capacidade humana de desejar o ilimitado em quase tudo ou por quase nada.

– Você ainda me ama?

Havia saído para pensar um pouco sobre nós depois da briga. Corri alguns quarteirões, voltei para casa, deixei a chave no simpático porquinho que as guarda. Passei direto pela sala, tirei a roupa, liguei a ducha e a vi assim, chorosa como uma criança triste. Crianças não deveriam se entristecer, mas eu a vi assim; olhando-me pelo vidro embaçado, profunda e indagadora como sempre foi.

– Você ainda me ama? – Ela repetiu.

Abri a porta, precisava vê-la. Puxei-a para perto, mas a senti se esquivar teimosamente, resistir orgulhosa; tão minha quanto sempre foi.

– Aqui.

– Você não me respondeu. – Ela insistiu tensa.

– É o que estou tentando fazer, amor. – Aproximei-me e comprimi meu corpo contra o dela, forçando um beijo desejado, adiado, querido. – Eu… Amo… Você… – Disse finalmente entre uma pausa e outra no meio daquele beijo gostoso. Suguei o pescoço dela, encaixando o corpo mais, abaixei as alças do vestido para vê-lo cair leve como ela estava naquele instante em minhas mãos, minha. Seios à mostra, boca nos seios, e eu ali, ajoelhando-me diante da mulher que eu amava, deixando que ela reinasse, mandasse, ordenasse com a voz trêmula de prazer enquanto minha língua ávida passeava em seu sexo – o meu paraíso particular. Quando a senti desfalecer completamente, levei-a para cama e deitei ao seu redor só para vê-la adormecer segura, comigo. Se eu a amava? Amava. Amava daquele tanto que não se mede. Daquele tanto que não se pede, porque já se dá.

Tentando ocultar, aprendemos do pior ou melhor modo que não se nega aquilo que se sente realmente. Das horas que passei buscando respostas em mim, apenas uma me aparecia com clareza naquele momento: Eu a amava. Mas como recebê-la com uma expressão de amor na face após aquilo tudo, após aquele nada que transformamos em alguma coisa para termos do que reclamar? Escolhendo. Escolhendo o melhor do que sinto pela única pessoa que me colocou em contato com os meus defeitos e reveses antes de me dizer que eu estava pronta. Não há prontidão no amor; há entrega e desvelo, há apego ao que importa e desapego ao que se pode deixar para lá. Importava então que eu a amava. O resto? Não ficaria nem para pensar depois.

 

***

Minhas queridas,

já coloquei todos os e-mails em dia, portanto, se não respondi o seu, provavelmente não chegou mesmo. É só enviar novamente que respondo com prazer! Querendo prosear ou sugerir algo, portanto, pode enviar e-mail para aranelhaldatir@hotmail.com . Em breve, escrevo duas coisas que prometi para algumas de vocês! Tenham uma excelente semana,

Aranel. =]]]

10 Comentários leave one →
  1. Té Pazzarotto permalink*
    27 julho, 2008 5:51 pm

    Achei esse texto irretocável!
    As lições e aprendizados provenientes de reflexões íntimas e profundas são, realmente, muito importantes…

  2. 27 julho, 2008 7:08 pm

    Adorei seu texto.Inteligente e sensível.De fato é muito revelador saber que encontramos o que realmente importa,aquela essência maior.Parabéns.

  3. Amanda Andrade permalink
    27 julho, 2008 9:03 pm

    de uma leveza indiscutível… Lindo! Sereno! Profundo…

    Adorei! =D

  4. 27 julho, 2008 9:21 pm

    Li como se fosse um presságio. E que assim seja…

  5. 28 julho, 2008 1:22 am

    Amei, achei lindo o texto, de uma sensibilidade e delicadeza incrivel, parabéns!

  6. 28 julho, 2008 4:13 pm

    Nossa, Té! =]]]

    Fiquei até sem palavras! Um irretocável seu é como um cafuné gostoso daqueles que fechamos os olhos para fazer jus à atmosfera de sonhos na qual nos vimos – vez ou outra – imersas!

    Beijos regados ao saboroso pudim de leite pós pasta! Ô delícia! =))))))…

  7. 28 julho, 2008 4:25 pm

    Ô Marcia!

    Muito linda você! Fiquei bastante feliz com o que você disse; sobretudo, porque quem fala desse encontro com aquilo que realmente importa com tanta intimidade – como você bem fez – já alcançou a beleza de viver um romance assim: forte o suficiente para ser real sem deixar de ser mágico!

    Muito Obrigada Mesmo!

    Beijos! =]]]]

  8. 28 julho, 2008 4:31 pm

    Minha querida Amanda,

    alegra-me de uma maneira muito especial saber que você gostou tanto!

    Na verdade, leveza é algo que você traz sempre que passa por aqui!

    Adoro você, amore!

    Beijos! =]]]]]

  9. 28 julho, 2008 4:44 pm

    Eu,

    que o presságio seja de coisas tão boas para você e para as pessoas que você ama como esse texto é para mim e para aqueles em quem eu me inspirei!
    O texto fala em apego ao que importa (o essencial) e desapego ao que se pode deixar para lá (mágoas, ressentimentos…).
    Somente ultrapassando o que um dia nos incomodou é possível seguir em frente, superar e se superar!

    Que o texto seja mesmo um presságio de muito amor e felicidade na sua vida, na vida de todos!

    Assim seja! =]

  10. 28 julho, 2008 4:48 pm

    Nossa Ione!

    Que alegria você me deu dizendo isso!

    Muito Feliz pelo que você disse e imensamente grata por sua generosidade!

    Um Grande Beijo! =]]]]]…

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