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As escolas ensinaram bem a lição

13 agosto, 2008

Estudava numa escola em que era praticamente “proibido” para meninas gostar de futebol. Aliás, era proibido fazer qualquer coisa que fosse de “menino” – brincar de carrinho, jogar bafo, bolinha de gude – sob pena de ser tachada de “mulher-macho” e excluída de um convívio social saudável.

Há pouco tempo, me “libertei” e comecei não só a gostar, como a jogar. Hoje, ouço jogo no rádio quando estou no carro – coisa impensável pra mim há um tempo atrás. (“Coisa chata”, eu pensava).

 


Geralmente acabo ouvindo a Transamérica por hábito – um dia eu coloquei lá e deixei, outro dia também e me acostumei com os locutores e comentaristas. Até semana passada. Na quarta-feira, dia de estréia das meninas nas Olimpíadas, eles resolveram dar seus palpites. Não sobre o desempenho, mas sobre as meninas em si.

Um deles soltou um “mas aquela centro-avante é maior do que o Adriano. Eu… se encontrasse com ela… eu… correria dela… Eu gosto de mulher… mas aquela lá… dá medo”.

Ao que outro (infelizmente não me lembro o nome) respondeu: “eu gosto de mulher, mas não das que jogam futebol”.

Desliguei o rádio na hora. Juro que até agora estou tentando entender o que me deixou com tanta raiva – se o estereótipo, se o preconceito, se o lembrete de que vivemos numa sociedade machista ao extremo, se tudo junto…

Também não sei por que não mandei o e-mail indignado que eu ia enviar. Acho que porque eu não consegui pensar em nada que não fossem palavrões pra mandar. Mas fiquei com a sensação de que meu colégio – e os outros similares – ensinaram direitinho a lição.

7 Comentários leave one →
  1. Mah permalink
    13 agosto, 2008 1:58 pm

    Isso é realmente ruim…na minha área (ed. física), infelizmente, a gente ve mt disso…se a gente convive diariamente com pessoas diferente, tanto no sexo como na personalidade em si, pq separar isso na hora de praticar algum esporte? Não seria muito mais fácil juntar os dois e aproveitar oq cada um tem de melhor?
    É uma pena q a maioria não percebe isso, não ve o qnt estamos perdendo por essa segregação idiota.

  2. Té Pazzarotto permalink*
    13 agosto, 2008 7:30 pm

    Eu, felizmente, não passei por isso no colégio, sempre ofereceram da escolinha de futebol a seleção, e a relação sempre foi tranquila com os meninos.
    Espero não estar enganada ao achar que a mentalidade(o fato de não querer uma mulher por ela jogar futebol) desse comentarista faz parte de uma minoria.

  3. uiu permalink
    14 agosto, 2008 10:22 am

    Nossa, é revoltante mesmo. Despreparo total. Mas, eu merecia sim um “belo” email, mesmo q fosse com palavroes. Como vc escreve bem, ia saber encaixa-los muito bem.
    😀

  4. 14 agosto, 2008 4:39 pm

    Marina,
    Sabe o que é um ser humano que menstrua o mês inteiro?? Pois bem…era eu! Para fugir de qualquer atividade física no colégio mandava o “estou muito menstruada, não consigo fazer esporte!”. Tanto foi que um dia chamaram minha mãe no colégio para perguntar se ela tinha me levado ao médico por causa da “menstru” ininterrupta. Anos depois, eu descobri pq tanto horror a ginástica na escola: o meu professor. Um homem cascudo, grosso, que humilhava os mais fracos na prática esportiva. Ou seja, o preconceito no/do esporte já vem de casa! Êta mundinho quadrado!!
    bjos!!

  5. Greenie permalink
    14 agosto, 2008 9:09 pm

    Nunca fui muito fã de futebol no colégio (aliás, era um zero à esquerda em Educação Física), mas várias colegas minhas jogavam e não tinham problema nenhum com os guris, mesmo que jogos mistos não acontecessem com muita frequência.

    Como disse a Té, espero não estar enganada ao pensar que essa idéia do comentarista é apoiada por uma minoria…E ouso dizer que, com esse ponto de vista, quem perde é ele, que exclui das suas “possibilidades” um monte de mulheres lindas, inteligentes, simpáticas e interessantes que jogam futebol!

    Beijos.

  6. Marina Meirelles permalink
    14 agosto, 2008 11:25 pm

    Pois é, pessoal… povo cabecinha…

    Uiu, não perdi meu tempo. Preferi desabafar aqui, com pessoas que vão me entender, do que enviar email praqueles caras, que vão transformar meu protesto em chacota…

    Mari e Mah, vim a descobrir depois de velha que amo esportes – especialmente o fute – mas que além do preconceito contra meninas jogando futebol ou batendo bafo ou fazendo qq coisa “de meninos”, existia um preconceito contra quem não era naturalmente “fera” naquilo. Enfim, hoje eu poderia jogar muito melhor, mas…

    Greenie e Té, eu não sei se esse é um ponto de vista da minoria. Basta ver a “preocupação” que as pessoas tem pra saber se o Richarlyson é gay ou não. Affff!!

  7. Marina Meirelles permalink
    14 agosto, 2008 11:25 pm

    Ah, e obrigada pela participação de todos! 😉

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