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Senão? Sim, não…

26 outubro, 2008

 

Nem o tempo é capaz de apagar certos efeitos que uma atração provoca, porque, das combinações mais perigosas a que duas pessoas podem chegar, a erótica é uma das poucas que possuem o poder de tornar prazer e dor uma coisa só. E não será preciso pitadas de sadismo ou doses de masoquismo para perceber: quando o irresistível aparece diante de nós, nós nos curvamos ao prazer antes mesmo de recordar a dor.

– Preferia que não fosse tão cortês comigo… Para todos os efeitos, não estamos mais juntas…

– Eu vejo motivo, Nel. Ainda sou educada… – Ignorando o meu comentário, Luana abriu a porta do carro para que eu entrasse. Talvez, porque quisesse ser apenas gentil; talvez, porque soubesse o quão atraída eu ficava com aquilo tudo. – Chegaremos rápido. – Ela acrescentou dentro do carro.

Tentei não olhar para ela, mas era inevitável. Aquele perfume, aquele corte de cabelo, aquele ar mais másculo numa mulher – naquela mulher -, faziam de mim uma presa mais vulnerável do que eu verdadeiramente gostaria de admitir. E tudo havia começado daquela mesma forma. Era estranho ver que, no fim, tudo permanecesse da mesma maneira. Olhava pela janela do carro, mas nem via a paisagem mudar. Na minha cabeça, duas palavras apareciam num letreiro luminoso: Luana, Sexo. Realmente precisava sair dali; precisava ficar bem longe dela.

Mais uma vez, a maldita garota repetiu o gesto. Abriu a porta do carro e, bem devagar, forçou o corpo de encontro ao meu roçando seio com seio, fazendo meu coração disparar.

– Desculpa. Foi sem querer…

– Querendo? – Completei automaticamente o jargão de Chaves e me repreendi por ter pensado tão alto.

– Não, foi sem querer mesmo. – Vi Luana conter o sorriso maligno.

Algo me dizia que, em seus pensamentos, ela havia guardado o “quando eu quiser, você vai saber”. Detestava aquela convicção arrogante dela. Odiava o quanto aquela insolência me excitava ainda mais.

Chegamos à festa um pouco tarde e logo nos separamos. Paulo me avistou longe e, entre gritos, já anunciou:

– A Nel chegou! Meu aniversário está salvo! – No meu ouvido… – Ai, Nel, alguém inteligente e com juízo pra me salvar do Marcão que teve a cara de pau de aparecer… E eu? Louco pra ver a cara do de baixo, né?

– Paulo! E quem vai me salvar da Luana? – Perguntei em resposta. – Queria saber quem teve a idéia brilhante de fazer justo ela me buscar… Ah, foi você, sua ameba?! – Nem foi preciso torturar para que meu atrapalhado amigo confessasse mais esse crime.

– Mas ela está linda, né? Faz 1 ano que vocês não se falam…

– Ah… Paulo! Esquece seu presente esse ano.

O aniversário seguiu e, vencida, fiz o possível para aproveitar entres piadas e tiradas de humor; entre uma dança e outra. Percebi Vanessa se aproximar, mas preferi não dar atenção e continuei ali; apenas dançando.

– O que você está querendo, hein? – Aquela voz chegou branda, mas forte como sempre. – Quer mostrar que consegue seguir adiante sem mim? Eu não consigo! Pronto! – Senti a mão de Luana colhendo o meu braço com força e me arrastando para o andar de baixo.

– Eu que pergunto! O que você quer, Luana?

– Você não sabe mesmo?

– Deveria ter pensado nisso antes de me trair…

– Nel, pela última vez, eu não traí você! – Luana fechou a porta que dava para varanda deixando o mundo para trás.

– Não? Está insinuando que eu ouço e vejo coisas que não existem? Não sabia que psiquiatria era a sua especialidade e eu sua paciente esquizofrênica. Você continua a me ensinar coisas novas pelo visto.

– Eu havia bebido, estava dormindo e Carol usou o seu perfume… – Luana se aproximou colando o corpo no meu, jogando-me contra a parede com força. – Esse cheiro que me destrói…

– Eu vi…

– Viu o quê? Viu um beijo até eu escutar sua voz à porta e perceber que aquela não era você? Só pode ter visto isso, porque foi o que aconteceu… – Luana mordeu o meu pescoço e arranhou minha bunda embaixo do vestido levantando minha perna direita para se encaixar perfeita entre minhas coxas. As folhas das árvores batiam levemente nas costas dela e eu podia sentir algo duro pressionar meu sexo fazendo-lhe latejar.

– Ah… Não… – Murmurei hesitante.

– Já faz 1 ano e eu não penso em mais ninguém, não tive mais ninguém; não quero outro alguém além de você…

– Sim… – Gemi gostoso permitindo que Luana se livrasse da minha calcinha. Estava tonta de desejo e, enquanto ela tocava meu sexo com a mão, vi meu corpo se derramar em um prazer há muito tempo contido, há tanto tempo represado… – Não…

– Sim ou não? Se não, eu páro…

– Vai… Assim, sim, senão eu mato você… – sussurrei feminina enquanto Luana me deitava cuidadosamente no chão da varanda abrindo a própria camisa; descendo a alça do meu vestido devagar. Ainda pude ver as luzes se acendendo nos apartamentos vizinhos . Estávamos vulneráveis aos olhos dos outros; os outros pouco nos importavam.

– O que é isso duro aqui?

– Nada demais… Você me deixa assim… Abre as pernas pra mim, vai… – Senti os bicos dos seios de Luana roçarem nos meus e me abaixei involuntariamente, a fim de sugar os dela.

– Oh… Ai… Que gostoso… Mas, pára… – Com agilidade, Luana se esquivou e abriu minhas pernas de forma abrupta. – Você vai dar pra mim primeiro… – Sobre mim, ela iniciou uma série de beijos enquanto masturbava meu sexo e forçava a penetração com o peso do corpo até ficar completamente dentro de mim; até fazer – do vai e vem dos seus quadris – o prenúncio do melhor orgasmo que já tive.

– Ai… Delícia… – Luana apertou minhas nádegas aumentando a intensidade e velocidade do ritmo que havia iniciado.

– Isso… Me molha gostoso assim, vai… – Foi a última coisa que escutei antes de cair desfalecida nos braços dela.

Se provocar é uma arte tentada por todos, resistir é um poder que apenas alguns vão dominar. E, mesmo isso, possui um limite de tempo; ainda isso, tem uma zona limítrofe de espaço. Entre os “senões” que o orgulho impõe, a vida nos dispõe o “Sim” e o “não” para por fim ou continuar. Há pessoas que possibilitarão escolhas, mas aquelas únicas e irresistíveis sempre se imporão em si como a única opção.

***

Desejando conversar, sugerir, pode escrever para aranelhaldatir@hotmail.com .

13 Comentários leave one →
  1. missgray permalink
    26 outubro, 2008 1:14 pm

    Linda a foto.
    Demais o texto.
    Parabéns, Aranel!
    Beijão!

  2. Aranel permalink
    26 outubro, 2008 2:17 pm

    Muito (Muito) Obrigada, querida!

    Beijão! =]]]]]]]]]

  3. star65 permalink
    26 outubro, 2008 2:40 pm

    Como sempre, Aranel, utiliza as palavras com maestria e nos enleva com seus textos… a foto é um complemento inspirador…
    Beijos…

  4. Té Pazzarotto permalink*
    26 outubro, 2008 3:43 pm

    A Luana me lembra sua namorada, só que sem o fator “traição”, claro!

    Muito bom o texto, pra variar, né?! Deu até coisinhas… rs

    Beijo, Arrrrranel =p

  5. Kellen permalink
    26 outubro, 2008 3:54 pm

    Arrasou Nel…
    Uiiii….rsrs
    Como sempre,texto perfeitoooo!
    Bjs

  6. 27 outubro, 2008 3:18 pm

    Credo,quase moorri agora de tesão.Que lindo.Parabéns.

  7. 28 outubro, 2008 10:54 am

    Bah, muito bom!!!!!!!!!!

    Vou te linkar!!

  8. Aranel permalink
    28 outubro, 2008 7:31 pm

    Muito Obrigada, Star! =]]]

  9. Aranel permalink
    28 outubro, 2008 7:34 pm

    Deu coisinhas o texto? É, Té? Que coisinhas, hein? Beijos! =]]]]

  10. Aranel permalink
    28 outubro, 2008 7:36 pm

    Feliz por você ter gostado, Kellen! Beijos! =]]]]

  11. Aranel permalink
    28 outubro, 2008 7:39 pm

    Marcia, que fofa você! Realmente obrigada! Saber das reações é mais que prazeroso! Grandes Beijos! =]]]]]

  12. Aranel permalink
    28 outubro, 2008 7:41 pm

    Obrigada, Fernanda!!!!! Buena!!!

  13. Letícia Gomes permalink
    4 novembro, 2008 5:53 pm

    Aranel, seu texto é maravilhosamente
    perfeito!! Até, dar arrepios.
    Ameei!!!
    Volterei aqui sempre.
    Beijos!!!

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