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Vida de Garota!

30 outubro, 2008

Brandon Simms, assim que alcançou os 8 anos de idade, insistiu que era uma menina. Seus pais decidiram agora deixá-lo crescer como uma. O caso, e um número crescente de outros assemelhados, acende um acalorado debate científico sobre a natureza do gênero.

O pequeno Brandon, ainda bebê, colocava toalhas e lenços sobre a cabeça e estendia a mão para a gaveta de sua mãe, Tina. “Eu acho que ele queria algo como cabelo”, adivinhou mais tarde a mãe dele. Ele falou sua primeira frase completa em um restaurante italiano local: “Gosto dos seus saltos altos”, disse a uma mulher de vestido vermelho. Em casa, ele retirava as próprias roupas e as substituía por lingeries, calçados. “Ele arruinou todos os calcanhares dos sapatos”, lembra a mãe.

Na loja de brinquedos, Brandon iria direto para o setor de Barbies ou corredores onde as bonecas rosas e roxas eram predominantes. Tina não iria comprá-las, optando por brinquedos neutros: enigmas, jogos com marcadores. Um fim de semana, quando Brandon tinha 2 anos e meio, ela o levou para visitar sua prima de 10 anos. Tão logo ela apresentou a coleção de bonecas que tinha, Brandon pediu para levar a loira em um vestido rosa para casa.“Ele levou isto em toda parte; dormiu com ela como um urso de pelúcia”, conta a mãe.

Uma tarde, enquanto Tina estava ao telefone, Brandon fugiu da banheira. Quando ela o encontrou, ele estava dançando na frente do espelho com seu pênis aninhado entre as pernas. “Olha, mãe, eu sou uma garota”, disse. “Estava feliz em ser uma”, ela recorda.

“Brandon, Deus te fez um menino por uma razão especial”, ela disse a ele antes que eles orassem uma noite quando ele tinha 5. Mas, ele a interrompeu para acrescentar: “Deus cometeu um erro”.

A escola sempre complica a vida de Brandon. Quando os professores da turma dividem grupos de garotos e garotas, Brandon quer ficar com as meninas. E, em toda a sua pré-escola, ele pintou o auto-retrato como se fosse uma garota.

Desde que tinha 4, Brandon tinha sido avaliado por uma sucessão de terapeutas. O primeiro disse que ele estava apenas passando por uma fase, mas a fase nunca passou. Outra sugeriu que Brandon tivera uma primeira infância caótica e isso contribuiu para o seu comportamento. Tina nunca se casou com o pai do Brandon. Por duas vezes, ela manteve convivência breve com ele, quando Brandon tinha 5 meses de idade e, em seguida, quando ele tinha 3 anos. Ambas as vezes, o pai foi bastante rude com o menino e se deu a ruptura da relação. O terapeuta tentou fazer Brandon discutir seus sentimentos sobre seu pai. Ela sugeriu que Tina tentasse um sistema de recompensas em casa. Brandon poderia ganhar até 21 dólares por semana para fazer três coisas: olhar no espelho e dizer “Eu sou um menino”, não se vestir como menina e não usar nada na cabeça. Ele trabalhou durante várias semanas, mas, em seguida, Brandon perdeu o interesse.

Cerca de um ano e meio atrás, Tina viu um programa que falava sobre um garoto em situação muito parecida com aquela de seu filho. A matéria abordava os “distúrbios de identidade de gênero” e, logo, ela procurou se informar indo, inclusive, à conferências sobre o assunto. Foi quando observou o (menino ou menina?) de 7 anos de idade com as bochechas pintadas em rosa e vermelho encarnado com um balão de cachorrinho na mão respondendo:

“Você é transexual?”

“O que é isso?” Brandon perguntou.

“Um garoto que quer ser uma menina.”

“Sim. Posso ver o seu balão”?

Em todo o mundo, clínicas especializadas em transtorno de identidade de gênero nas crianças noticiam uma explosão ao longo dos últimos anos. O Dr. Kenneth Zucker, que executa a mais abrangente clínica em matéria de identidade de gênero para os jovens, em Toronto, tem visto a sua lista de espera quadruplicar nos últimos quatro anos.

Cerca de três anos atrás, os médicos começaram a tratar as crianças transexuais com bloqueadores de puberdade, drogas originalmente destinadas a travar puberdade precoce. Os bloqueadores colocam os adolescentes em um estado de desenvolvimento suspenso evitando o crescimento de pêlos e pomo-de-adão nos meninos e permitindo um crescimento mais alto nas meninas sem o aparecimento dos seios.

Catherine Tuerk, que dirige o grupo de apoio a pais em Washington, DC, começou a defender os direitos dos homossexuais após o filho sair do armário aos 20 anos. Ela tem uma teoria sobre por que alguns pais acham confortável o rótulo de transexuais: “Os pais me disseram que é quase mais fácil dizer, ‘Minha filha nasceu no corpo errado’, do que explicar que ela poderia ser lésbica. Isso está na parte de trás de todos os seus pensamentos. Quando as pessoas pensam sobre ser gay, eles pensam sobre sexo, e pensar em sexo é tabu”. Tuerk acredita que a homofobia é parcialmente responsável por isso e, em alguns casos, certamente ela tem razão.

Globalmente, porém, a explicação do Tuerk toca em algo mais profundo do que a homofobia latente: um subconsciente deturpado sobre as concepções de infância. Você a observa com excesso de vigilância ou bane para o reino dos perversos algo fora da idéia de “puro”. É como se a cultura investisse em uma infância com uma noção de inocência quase vitoriana, não deixando qualquer espaço para volição sexual, mesmo em um futuro distante.” Mas a realidade está bem longe disso – como sabemos e, até mesmo, vivenciamos.

 ________________

 Redação sintetizada, adaptada e traduzida do texto “A Boy’s Life” de Hanna Rosin.

10 Comentários leave one →
  1. 30 outubro, 2008 8:24 am

    Mto interessante isso…
    Traga mais matérias deste tipo!
    Aliás, estou com saudades dos contos q estava escrevendo… rs…
    Bjos

  2. 30 outubro, 2008 10:51 am

    Muito boa a matéria!!!

    Traga mais matérias deste tipo! [2]

    Beijos

  3. 30 outubro, 2008 11:41 am

    Muito boa postagem!!

    O se blog Esta De parabéns
    !!
    http://prasemprejovem.blogspot.com/

  4. Aranel permalink
    31 outubro, 2008 2:36 pm

    Miss X,

    pode deixar, querida!

    Saudades dos contos, é, Miss X? rs

    O último foi domingo passado, mas logo tem mais…

    Beijos e Beijos! =]]]]

  5. Aranel permalink
    31 outubro, 2008 2:39 pm

    Essa história me tocou bastante, Fernanda.

    Pode deixar que também anotei seu pedido!

    Beijos! =]]]]]]]

  6. Aranel permalink
    31 outubro, 2008 4:35 pm

    Muito Obrigada, Alex!

    Beijos! =]]]]]

  7. 3 novembro, 2008 8:54 am

    Adorei! Traga mais matérias deste tipo! [3]

  8. Aranel permalink
    3 novembro, 2008 8:57 pm

    Registrado,Re! Beijos! =]]]

  9. Bel permalink
    4 novembro, 2008 12:32 am

    Nossa, achei esse blog pesquisando sobre o Obama!

    adoooooooooooorei!!

    Essee blog é 10…xD

  10. 11 fevereiro, 2011 5:00 pm

    Parábens este desenho esta lindo 🙂 pode crer ❤ ^-^

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