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Palestina x Israel

8 janeiro, 2009

palestina

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Realmente, eu sou alguém que detesta discutir assuntos polêmicos escrevendo. Não há aquela troca imediata que permite réplica, tréplica etc.
Enfim, também não posso parecer alheia ao que acontece no mundo.

O último confronto entre israelenses e palestinos começou no final do ano passado e parece que só vai piorar.

A inquietação daquela área geográfica é tão antiga, mas tão antiga, que nem Cristo existia ainda.

A região conhecida atualmente como: Palestina, Israel, Iraque, Líbano, Jordânia… Sempre foi alvo de disputas, disputas que vem desde o milênio II a.C quando Canaã (Palestina) era apenas um “beco” do comércio entre África e Ásia…
Aquela zona já foi praticamente toda da Assíria, depois do Império Babilônico… Até pertencer aos romanos, já pertenceu.
Nesse tempo já existia o cristianismo e foi a época da Primeira Cruzada.
Resumindo: aconteceu MUITA COISA.

Enfim, sem entrar tanto nas bases do problema, o que se tem como “fato histórico” é que aquele território sempre passou de mão em mão; que sempre foi um território conflituoso.

Fazendo uma síntese meio esdrúxula, imagine o seguinte:
É como se você tivesse dois povos enormes que entre conflitos e paz conviveram por um tempo. Essas povos sempre foram vítimas de ataques externos com interesses econômicos e/ou religiosos.
Até que um dia, um dos povos que já se encontrava bastante disperso (processo conhecido como diáspora), meio que foi “expulso” – pelos romanos- e o outro passou a pertencer, pouco tempo depois, a um domínio árabo-muçulmano.
Aproximadamente 16 séculos depois, no final do séc. XIX, começou algo “suave” chamado: Sionismo¹.
O resultado foi uma crescente emigração de retorno à “Terra Santa”.

Oh, se eu continuar desse jeito não chego nunca ao meu ponto de reflexão.
Vamos adiantar e pular o processo histórico.

Enfim, a situação seria simples se o ser humano fosse simples. Mas temos, todos nós, o dom de complicar as coisas; temos em nós, quase de forma inata, o desejo de ter razão e de não conseguir perdoar sem dar o troco, aquela coisa do “não levar desaforo pra casa”.

Dessa maneira, desde 1948, quando Israel declarou sua independência desrespeitando a resolução 242 da ONU, assistimos e acompanhamos pelos noticiários os conflitos na região.

É tão difícil encontrar uma solução pra lá.
E não, não acho que seja só uma questão política ou religiosa, pra mim, é fundamentalmente humana!
Já morreu tanta gente que a sensação que tenho é que qualquer decisão acabaria provocando um sentimento de injustiça, de que não era pra ser assim. E é difícil pedir pra milhares de pessoas, pessoas que perderam filhos, esposa, marido, irmãos, amigos etc; que deixem tudo de lado.
É complicado chegar pra qualquer um desses indivíduos e dizer: esqueça esse passado para que não haja mais mortes, pra que ninguém mais perca, pra que ninguém mais sofra.palestina1
Tão difícil quanto isso, é fazer essas mesmas pessoas aceitarem.
Pra mim, não é uma questão de paz ou de guerra… Só tem essas proporções por ser muita gente e pelo armamento. Acho guerra algo mais frio, mais meticuloso, estratégico.
Essa situação é emocional, pode até não ser pros chefes de Estado, mas pra criança palestina de 8 anos que joga uma pedra num jipe israelense e sai correndo é sim. Pra criança judia que quer entrar no exército e matar muçulmanos também.

Apesar de difícil, é necessário! A não ser que eles tenham a intenção de se matarem até não restar um…

Eu só lamento muito por todas as vidas, qualquer outro julgamento seria precipitado.
Eu não cresci em meio a guerra, vendo as pessoas que amo morrerem covardemente.
Muito menos cresci numa cidade cercada indo pra escola com medo de ter um homem-bomba dentro do ônibus.
Mas uma coisa eu sei, viver sob essas circunstâncias é algo extremamente forte pra que alguém condene qualquer atitude de forma imediata. 
Não quero dizer com isso que em situações extremas seja lícito ou “aceito” matar pessoas, estou apenas dizendo que mesmo diante de uma barbárie é preciso ter bom-senso pra não cair no mesmo “erro” cometido pelo outro.

O homem é o lobo do homem
… Isso já diz tudo!

__

Ah, pra quem gosta de filme, tem um documentário belíssimo: “Promessas de um novo mundo”; ele traz uma bela solução pra palestinos e israelenses: amor e respeito.
Quem conseguir achar, assista. Vale a pena.

__

¹ Movimento político e religioso judaico iniciado no séc. XIX, que visava ao restabelecimento, na Palestina, de um Estado judaico, e que se tornou vitorioso em maio de 1948, quando foi proclamado o Estado de Israel. 
² Thomas Hobbes

Leia mais no G1

6 Comentários leave one →
  1. Mah permalink
    8 janeiro, 2009 11:50 pm

    É…a questão lá é mais complicada do q parece…e os dois governos tão errados…
    Assunto delicado de se tratar…

    Mas, seu texto ta mt bom, pra variar…

  2. 9 janeiro, 2009 4:32 pm

    Também creio dessa forma. O debate é intricado, o passado e o presente histórico de carnificina naquela região parecem catalisar a visão mútua de ódio entre esses povos fazendo da guerra uma triste comprovação da teoria do eterno retorno.

    Era para ter comentado antes*, sobretudo pelo apanhado tão poderosamente humano que você fez.

    Tenho a impressão de que é justamente essa “banalidade do mal”, a qual você se reporta muito bem nas entrelinhas e sobre a qual Hannah Arendt falava, que mantém sentido para vidas, mesmo ao custo da morte de tantas outras pessoas.

    Nem carece dizer que o absurdo se definiria bem nessa construção sem nem precisar da ajuda de Kafka dessa vez…

    Triste – para não dizer mais. =[ Mas, um importante relato o seu.

    *Mas a internet caiu e o comentário anterior fez pluft com ela. =/
    PS.: indicação do documentário devidamente anotada.

  3. Diamante Negro permalink
    10 janeiro, 2009 3:12 pm

    Minha caríssima Té,

    Se entendi bem o teu texto, parece-me que temos opiniões semelhantes sobre o tema.

    É claro que as suas opiniões são sempre dignas de respeito e admiração, e neste caso, suas palavras também me fizeram lembrar de Hannah Arendt (e como você também já sabe, nutro uma enorme empatia com o pensamento de Arendt): muito bem lembrado a questão da “banalidade do mal”, um dos conceitos chaves de Hannah – o comprometimento com uma ideologia a qual acata cegamente na medida em que mergulha no coletivo, faz com que o indivíduo permaneça sem consciência moral, sem julgamento próprio, insensível ao sofrimento do outro, no exercício da sua obediência burocrática. E é nesse sentido, que a filósofa política se refere à “banalidade do mal”, não para negar o horror do holocausto ou das formas institucionalizadas do terror, afinal, de resto, nenhum mal é banal, mas para dizer que o mal comentido pode aparecer como se fosse banal. Neste caso, trata-se do cumprimento de ordens por um funcionário dedicado, na total submissão a valores externos, heteronômicos e portanto não-questionados. Quanto menos críticos os indíviduos, mais completamente se deixam sujeitar às regras cujos fundamentos não buscam conhecer.

    Ok, vou ficar por aqui. Ah, lembra que eu te falei do Russell? Ele é contra a guerra e apresenta até uma teoria bem parecida com a sua aí…rs sobre a questão ser muito mais emocional do que político, enfim, dê uma olhada em Russell, você vai gostar! 😉

    Beijos

    • 10 janeiro, 2009 7:57 pm

      Alguém que nutre empatia por Hannah e acrescenta Bertrand realmente enriquece o ambiente. A lembrança restou melhor fortalecida após seu pertinente comentário.

  4. 15 maio, 2010 5:36 am

    Na prática – sou de direita, e extrema – em Israel. Apesar disto, meus olhos são abertos para tudo o que você escreveu!… E, gostei; até me simpatizo. Gostaria de conhecer pessoalmente, pois tem um grande coração.

    Enfim, se o humano fosse simples – seria tão fácil vivermos todos em uma casa só! Afinal, a humanidade é uma família…

    Só uma coisa, em tudo o que escreveu – não gostei – e é a frase que desde minha adolescência cogito acerca do porquê de tantas pessoas se prenderem a ela, sem perceberem que ela é errada: HOMO HOMINI LUPUS! (O homem é um lobo para o próprio homem!) – repito: não me apraz, desde a adolescência.

    O lobo não ataca outro lobo: eles procuram viver juntos, em união, superando diferenças na alcatéia…

    O homem tem dificuldade extrema, só de ficar imaginando o que o outro está pensando!

    Então, parabéns por todo o resto; sem ofensa aos lobos, ou a quaisquer animais!
    _______________

    Por que sou de direita extrema???
    Pergunte-se antes: como pode um de direita extrema ter amigos árabes?
    Eu sou isto…
    E, que posso fazer? O mundo não deixa opções.

    • 15 maio, 2010 10:13 am

      Obrigada J.
      Sobre a frase, não creio que seja uma analogia direta, não a leio como um paralelo exato no qual o lobo seria pensado como uma criatura mortífera e cruel para sua própria espécie. A interpreto na linha da metáfora mesmo, ou seja, a figura do lobo representa um animal selvagem e – em teoria – feroz; dessa forma, o homem ser seu próprio lobo implicaria na máxima de que o homem causa seu próprio mal e sua própria destruição.
      Entendi seu ponto de vista, já que o lobo não ataca, que fosse escolhido outro “ser” para a construção. Entretanto, acho que o que acaba prevalecendo é a força do imaginário, do que se pensa a respeito do lobo, e não o que lobo é de fato.

      Quanto ao fato de você ser de extrema direita, concretamente, prefiro compreender a julgar.
      Mais uma vez, obrigada.

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