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Baccio & Coffee

25 janeiro, 2009

baccio-coffe

Certas pessoas têm o poder de fazer morada nos nossos pensamentos; o dom de instalar seus domínios além dos lugares onde a segurança finca os limites para as ações e estabelece o cercado ideal das saliências e permissividades restritas. Talvez porque precisemos de amor para viver e, com o desejo, materializemos a convicção de que somos amáveis em realidade, fulgor e extensão.

Foi quando a boca do mundo parecia ter emudecido completamente que a voz dela ecoou mais forte dentro de mim, como se meus ouvidos, naquele instante, fossem moucos para os demais sons do universo; surdos para tudo que não dissesse respeito a ela, ao que ela se tornou para mim. Não me surpreendi ao trocar as passagens compradas secretamente meses antes para saciar o meu tesão por café na presença da melhor companhia; a única que desejava naquele momento.

– Ane, estou na sua cidade. – Por telefone, dei a notícia que poderia mudar nossas vidas.

– Como é que é?

– Estou aqui no Imperial. Apartamento 1023.

– Você está aqui mesmo?

– Estou. Não conseguiria voltar a ser eu mesma após deixar aquela cidade sem que minha crença no ser humano fosse resgatada.

– E eu sou o resgate?

– É muito mais que isso, na verdade.

– Vou vestir uma roupa e pego você. Acabei de sair do banho. Resgate ou não, considere-me a caminho.

Não demorou muito e lá estava ela. Linda como nunca. O cabelo longo e pesado caindo sobre a face e uma expressão de prazer infantil por me ver ali tão perto depois de tanto tempo, após tantas conversas. Senti os braços dela me envolverem no saguão do hotel com uma intimidade e entrega que apenas reservamos às pessoas mais caras. A simplicidade realmente a definia, mas era a capacidade de surpreender com ela que tornava Ane prazerosa demais, irresistível demais para ser só amiga.

– Para aonde você quer ir?

– Vim tomar café com você…

– Veio de tão longe só pra isso, Aranel? – Um sorriso tendendo para o irônico se instalou prontamente no rosto dela.

– É. Ao menos, para começar. – Pude ver o rosto de Ane corar enquanto minha mão roçava na coxa dela de forma discreta.

– Nel… vai me fazer bater o carro.

– Não por isso… Lembra aquela cafeteria que você me falou?

– Hummmm… “Baccio & Coffee”. Vamos para lá!

Chegamos, sentamos e, numa conversa gostosa que parecia não se encerrar, vimos à noite avançando entre uma e outra xícara de cappuccino; entre uma e outra troca de carinho sincero.

– Acho que você se prende demais ao hábito, Nel.

Parada, pensando sobre o que ela acabara de dizer, vi a feição dela mudar de cautelosa para preocupada. – Disse algo errado?

– Você nunca diz, Ane.

– O que foi então?

– Você, – assumi com sinceridade. – Mas é verdade o que disse. Nós nos apegamos à comodidade da rotina amorosa e esquecemos o cotidiano da nossa vida antes do amor.

– Perigoso.

– Bastante.

– Isso também, Nel… Mas, dizia que é perigoso ficar perto de você.

– A mocinha pode me explicar o porquê…

– Dá vontade de ficar mais.

– Então, fica.

– E o que eu ganho depois dessa conversa; desse café tão… despretensioso…

– Nada com você é despretensioso, Ane. Nada. Uma pessoa que agrega a personalidade forte de mulher, com a sutileza de quem guarda – na timidez – os seus segredos, sempre tem uma pretensão, ainda que não admita nem pra si mesma.

– Mas… o que ganho?

– Um beijo, talvez.

– O que faz você acreditar que esse é o meu desejo?

– A minha certeza de que isso nos renderia algo bem maior do que prazer…

– E não é que voltamos ao Baccio & Coffee? – Como sempre, ela me fez rir. – Isso torna tutto piu facile. – E, como sempre, eu me inundava quando ela falava italiano só para mim.

Expulsas da cafeteria pelo adiantado da hora, retornamos ao hotel, subimos e nos observamos por mais tempo do que poderia marcar em meu relógio imaginário. E nossos olhares falavam tanto quanto a canção que tocava no computador displicentemente esquecido a um canto da mesa. Eu a senti puxar minha mão devagar para uma dança e vi o blues sensual de B. B King em “Help the poor” embalar o encontro dos nossos corpos ardentes enquanto o primeiro beijo acontecia.

– Vem aqui…- Eu a livrei da calça, sentei-a na cama e me ajoelhei entre as suas pernas sem descolar os nossos lábios um segundo sequer. Desci o beijo em direção ao pescoço, retirei-lhe a camisa e demorei no colo – completamente perdida entre o gemido dela; absolutamente hipnotizada por aquele murmúrio de prazer.

– Esperei tanto por isso… – a voz sexy e pausada dela saiu entrecortada como sua respiração.

– Não mais. – Pressionando-lhe as costas com minhas mãos, forcei-a a se deitar alcançando a parte interna das suas coxas com a boca. Puxei o seu corpo rumo ao meu rosto para sentir, naquele cheiro de sexo já molhado, a antecipação do meu prazer em provar o gosto dela.

– Sssssssssssss… Ah…

– Isso… Que gemido gostoso… Geme pra mim, vai… – falei enquanto a penetrava sem parar deixando o gozo dela umedecer minha mão cada vez mais.

– Ah… Sssssssss… Vou gozar…

– Delícia…

– Aaaaaaah… – Ela gemeu forte pouco antes que eu sentisse seu sexo se contraindo ainda comigo dentro dela. – Quero sentir você gozar também…- Ane sentenciou com a voz macia.

– Agora? – Perguntei sem esconder a ansiedade e excitação.

– Sim.

Sem esperar que ela se recuperasse e já completamente livre da roupa, sentei-me sobre a parte inicial da bunda dela vendo meu clitóris se intumescer com o encaixe rápido e perfeito.

– Esfrega… Assim… Esfrega mais… – Ane implorou rouca enquanto eu roçava gostoso me derramando sobre ela até gozar.

Não sei por quantas vezes mais, aquela madrugada, tivemos orgasmos juntas; só sei que adormecemos próximas como havíamos nos feito presentes na vida uma da outra por um longo período de meses de uma forma diferente.

Há curas que somente chegam com o tempo, mas existem instantes que apenas acontecem se fizermos de nossas ações o retrato verdadeiro do nosso momento, da nossa vontade. E a vida tem dessas coisas inacreditáveis. Algumas horas depois de ter mandado o mundo para o inferno, acabei alcançando o paraíso sem perder meus pés do chão. E, se há coisas que merecem tradução em palavras, há palavras que precisam de silêncio para falar mais alto. É assim que toda história começa e, sem pretensões de ser mais que um capítulo, acaba virando uma saga inteira, um manuscrito com anseio de começo, mas sem desejo de fim. Que então fosse o que era preciso; o que era possível: realidade e libertação.

***

Minhas…

Apesar da febre e mal estar, não faltaria ao nosso encontro. Cá estou! Mantendo sempre as respostas aos e-mails em dia.

Um grande beijo e uma excelente semana,

Aranel. =]

E-mail para contato: aranelhaldatir@hotmail.com

8 Comentários leave one →
  1. 25 janeiro, 2009 8:27 pm

    EU gostei. ;P

  2. MAriana permalink
    26 janeiro, 2009 1:47 am

    POxa, eu adorei… Preciso de umas ajudas ! xD
    se puder pode me contatar?
    me add no msn
    marianinha_soumaiseu@hotmail.com

  3. 26 janeiro, 2009 4:36 pm

    Obrigada, meninas! =]

  4. 27 janeiro, 2009 12:33 pm

    ADOREI!

    =P

    Melhoras pra ti!

    • 27 janeiro, 2009 4:51 pm

      Fernanda,

      Muito Obrigada e em duplicidade! Já estou um pouquinho melhor! Beijos!

  5. Cláudia permalink
    27 janeiro, 2009 9:13 pm

    Como sempre, Nel

    PERFEITA!!!

    Fica boa logo, tá?!

    Beijinhos!!!!

    • 28 janeiro, 2009 2:19 pm

      Obrigada, Dinha! Pode deixar que estou me esforçando pra ficar boa logo! Na verdade, preciso mesmo… Beijos, linda. =]]

  6. Mara permalink
    31 agosto, 2009 11:02 pm

    Adorei, como identifica com o momento que estou vivendo…
    como é bom sentir!!!

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