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DesAfio

1 fevereiro, 2009

desafio-3

Poucas substâncias tem tanta força para catalisar uma reação erótica como o desafio. O que poderia inicialmente afastar acaba aproximando, qual convite irrecusável. Porque, sem correntes, somos capazes de aprisionar com maior eficiência do que com algemas, por mais que as últimas sejam deveras interessantes para serem usadas em outras situações.

Foi desse jeito que, cansada de permanecer naquela festa; meu cérebro enviou o sinal de que o limite havia chegado e minha decisão lógica foi deixar aquele amontoado humano que mais lembrava uma versão pouco organizada do Inferno de Dante.

– Ei, Nel! – Paulo urrou distante para que eu esperasse. – Já vai, mor?

– Hum, hum… Cansada… Melhor ir para casa.

– Vai como?

– Mauro deixou a chave do carro comigo, mas me pediu para que eu não tentasse estacionar.

– Sábio garoto!

– ¬¬… Eu nunca bati um carro! – Reclamei.

– E convém que continue assim, dona Aranel! – Patrícia surgira sabe-se lá de onde e com qual plano. Aquela garota sempre tinha alguma finalidade escondida nos olhares que dirigia a mim.

– Pati! Você queria uma carona… Acabou de achar!

Olhei Paulo com uma expressão assassina, mas – tenho para mim – que ele aprendeu a arte da indiferença bem demais comigo para não a utilizar.

– Já vai, Aranel?

– Vou sim… Se quiser, deixo você no caminho. – Convidei, resignada.

– De preferência, viva… – Gritou uma voz que recordava a de Mauro tendo a boca vedada por outra boca.

Ignorando o comentário, deixamos a festa. Eu e Patrícia seguimos apressadas por mais alguns metros de rua até encontrarmos o carro completamente abandonado. Agradeci mentalmente por estar num local tão fácil e por não sermos mortas naquela procura. Entramos, saímos pela noite e não interrompemos o silêncio até chegarmos ao prédio dela.

– Já? Foi rápido. – Patrícia me observou de uma forma incômoda.

– Hum, hum… Eu olho daqui até você entrar… Boa noite.

– Ou bom dia… Está amanhecendo… Aranel, poderia jurar que… Que você veio nessa velocidade para me largar logo em casa…

– Não resolvi nenhuma equação com esse fim, Patrícia. Meu pé não pesou mais por isso, só minha cabeça que começa a pesar agora.

– Sabe… Acho que você não é mais como antes… Depois… depois de…

– Como “como antes”?

– Aquela Aranel…

– Que Aranel, Patrícia?

– Aquela que parecia pegar gostoso sempre… Pensei que você fosse mais… Que você fosse mais Mais…

Não respondi. Desci do carro. Bati a minha porta visivelmente irritada. Abri a porta dela.

– Chegamos. Vou levar você até a entrada.

Andamos em silêncio mais alguns passos. Observei a rua para verificar se estava vazia. Exceto pelo vigia do prédio dela – que se encontrava na guarita, não havia uma viva alma além das nossas. Foi aí que me aproximei rápido de Patrícia e a prendi entre algumas grades do portão. Senti o coração dela pular e a respiração assumir contornos asmáticos. Olhei-a profundamente, provoquei passando a língua nos lábios dela até quando ela abriu a boca desejando por algo que não estava mais ali. Fitei a guarita, curiosa para ver se o vigia nos via e, na verdade, ele nem piscava. Mordi os lábios dela gostoso, prendi seu cabelo entre os dedos de minha mão e com a outra abri as pernas dela para que recebesse minha coxa grossa; com a outra abri e segurei a bunda dela com vontade. Aí, eu a vi implorar pelo beijo e, só então, eu a beijei. Beijei lento, beijei forte explorando sem pressa, mas sem perder o passo; beijei como se fizesse amor com a língua; beijei com um tesão que não era para ela, mas que estava ali: vivo e pulsante como sempre foi; vivo e à espera daquela a quem ele pertencia. Vi Patrícia abrir a própria calça e levar minha mão até o sexo dela – estava completamente molhado. Eu parei.

– Você pensou que eu não fosse mais… MAIS? De repente, você tem razão, Patrícia. Basta o menos pra deixar você assim… E… fazendo uma subtração, seu sexo menos minha mão igual a uma boa noite pra mim. – Disse isso enquanto enxugava meus dedos alisando a calça dela. Toquei a campanhia, o vigia custou a voltar do transe, mas enfim abriu o portão e, tão logo Patrícia entrou, visivelmente contrariada, eu havia voltado para “o mundo” novamente.

Carro, casa, banho tomado, perfume, ar-condicionado e nenhuma roupa àquela noite – apenas um lençol, muitos travesseiros e um incômodo telefone tocando.

– Nel, o que você fez com a Patrícia? Ela me ligou agora puta da vida dizendo que ou ficaria com “LER” ou a mão cairia de tanto se masturbar hoje por sua causa.

Tentei não rir.

– Paulo… Conversamos depois… Hora de dormir o sono dos justos.

Foi desse modo que eu adormeci pensando: por vezes, quando desafiados, o melhor a fazer é “tirar o fio” da outra pessoa e, assim, afiar a nossa capacidade de dizer não aos nossos próprios desejos até que a hora chegue, até que “o tempo volte”, até que aconteça. E eu sabia: tudo aconteceria novamente.

___________________

 

Olá, minhas!

Uma ótima semana para todas! E obrigada pelos desejos de melhora e pelos e-mails também. =]]]

Ainda não voltei pra 100 %, mas, aos pouquinhos, chego lá! Uma massagem até ajudaria…

Beijo gostoso,

Aranel.

E-mail para contato: aranelhaldatir@hotmail.com

5 Comentários leave one →
  1. 1 fevereiro, 2009 7:04 pm

    òtimo texto Nel….

    e ótima lição…

    Bjo

  2. Cláudia permalink
    2 fevereiro, 2009 7:47 pm

    Como sempre, MARAVILHOSA!!!! =D

    Beijão, querida!!! ^^

  3. Aranel permalink
    3 fevereiro, 2009 7:07 pm

    1. Muito Obrigada, Taty!

    Grandes Beijos. =]]]

    __________

    2. Valeu, Dinha!

    Beijão gostoso, querida! =]]]

  4. 10 fevereiro, 2009 12:58 am

    Arrasou beeibe!!!

  5. 13 novembro, 2009 9:37 am

    Perfeito…a pegada ideal, rss…

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