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O lugar de Ofélia

15 fevereiro, 2009
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quarto-ofelia1

Por: Ofélia

.

Ofélia observava.

Observava as pessoas, como sempre fez.
E de tanto observar ela chegou a uma conclusão. Esse é o papel dela. Ver as histórias alheias, escrever histórias. Não se sente como fazendo parte delas. Se sente como um poeta solitário, frustrado. Os poetas românticos, aqueles que morriam de tuberculose.

Chateou-se. Apoiou os cotovelos no joelho. Ela pertencia a lugar algum. Ninguém jamais poderia entender uma pessoa tão esquisita. Ninguém jamais poderia acolher uma pessoa tão esquisita. Ela definitivamente pertencia a lugar algum. Se achava diferente.

No seu desespero de querer se sentir acolhida se apaixonava por toda mulher que lhe desse um pouco mais de atenção, como Joel Barish. Imaginava os lábios delas lhe proferindo palavras românticas, seus dedos delicados entre os seus.

Não era Will, definitivamente.
Will apenas lhe ajudou, mas ela não queria os lábios dele lhe proferindo palavras românticas. Não queria seus dedos grosseiros pegando em sua mão.
Tão pouco queria Ofélia junto de si uma mulher que não fizesse sentido.

Ofélia queria a famosa ‘sua metade’.
Queria alguém como ela. Queria alguém que se sentisse deslocada como ela, a quem ela pudesse acolher de volta. Queria alguém que lesse seus pensamentos só de olhar nos seus olhos. Queria alguém pra ela ligar à noite, só pra ouvir a voz. Queria cabelos delicados no seu colo, e poder acariciar o rosto dela com a ponta dos dedos. Queria ouvir uma voz feminina e doce chamando seu nome.
Ofélia queria se apaixonar pela mulher que seria perfeita pra ela. E só para ela.

Mas Ofélia não conseguiria isso. Ela pertence a lugar algum.

_____

http://www.mundodeofelia.blogspot.com/

5 Comentários leave one →
  1. Té Pazzarotto permalink*
    15 fevereiro, 2009 1:32 pm

    Já disse…
    “Gostaria de conhecer Ofélia”;
    “Ofélia me conhece bastante”;
    “Eu gosto de Ofélia” =)

  2. 15 fevereiro, 2009 11:14 pm

    NA VERDADE OFELIA É COMO TODO MUNDO

    NINGUÉM PERTECE A NADA, QUEM ACHA QUE SIM É PORQUE TEM PREGUIÇA DE ANDAR

  3. 15 fevereiro, 2009 11:53 pm

    Como não apreciar Ofélia? Principalmente retomando uma personagem tão rica na tragédia de Shakespeare – Hamlet.

    Ela chega doce e delicada embora a loucura e a morte acabem por fornecer abrigo à sua presença que “não pertence a lugar algum”, porque transcende tudo mais.

    É fácil ser prosaico e tomá-la por secundária; por coisa até pior, sobretudo observando-se com uma visão simplista de quem se apega ao número de suas aparições em Hamlet, mas a profundidade e riqueza de matizes psicológicas que Ofélia oferece dificilmente será alcançado ou mesmo apreendido por todos, mesmo parcialmente; mesmo por aqueles que crêem até saber um pouco mais e, assim, acabam demonstrando sapiência em coisa alguma.

    Acontece.

    Mas, essa Ofélia daqui; essa Ofélia que quer uma mulher, que quer tanta coisa… essa Ofélia que retoma um universo nem sempre acessado por todos, mas acessivel aqueles que conseguem ver além, merece as minhas boas vindas!

    Seja Bem Vinda, Ofélia!

  4. 16 fevereiro, 2009 10:16 pm

    Muito obrigada, Aranel!
    Essa Ofélia que incorporo é um misto de várias pessoas, mas aonde eu predomino. Talvez eu transpareça sozinha nela, mas acho que prefiro um escudo. Como esse escudo, escolhi essa figura delicada de Shakespeare, que se afoga na sua própria loucura.

  5. 17 fevereiro, 2009 6:57 pm

    Muito bem vinda!!!

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