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“rins verbais”

28 fevereiro, 2009

falar

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Tem uma coisa foda nos términos de namoro, quando vamos ter aquela fatídica conversa “final”- que nunca é a última já que sempre ficam coisas pendentes: ou a gente pouco fala, ou acaba falando demais.

O meu caso depende da situação, mas, geralmente, sempre rolam alguns e-mails after the fight! Uó!

Falando menos

Tem lá suas vantagens segundo a minha vã filosofia. Você não se expõe tanto, evita de falar alguma merda e pode se poupar de uma ressaca moral caso, de repente, fosse expressar o que de-fi-ni-ti-va-men-te não deveria ser dito. Entretanto, isso é uma faca de 4 gumes (existe? a tecnologia anda tão prafrentex), digo 4 porque tem os seus dois e os dois dela.
Sendo uma faca com tantos gumes o que pode acontecer é o seguinte: você deixa de dizer coisas que a motivariam a falar outras que você gostaria de ouvir, precisaria ouvir (etc)… Fosse para o “bem”, fosse causar um mal. 
Outra coisa que abomino é quando a pessoa ensaia falar alguma coisa e cala a si próprio… E você lá, “esperando”… Até diz um: fala… Mas em troca ouve aquele “deixa pra lá” filho da puta!
Existe coisa que dê mais raiva do que o deixa pra lá? Sim, porque no silêncio puro você não sabe se a pessoa tem algo a dizer ou não; mas o suspiro sem palavra nenhuma indica que a criatura ia falar… Aí nasce a agonia do: o que ela ia dizer?!

Enfim, fica nesse chove não molha, as coisas ditas pelas não ditas e sempre vai restar a dúvida. É isso que sobra dessa operação… O resto da divisão e nem tem como fazer a prova dos 9!

E quando é você que fica calada? Que deglute a seco um monte de coisa… Aquelas coisas que vêm na ponta da língua e a gente engole! Não fica, muitas vezes, aquela sensação do tipo: e SE eu tivesse dito isso?
Esse SE nos quebra por inteiro.

Falando mais

Além dos quatro gumes, temos três ramificações: ou você fala demais no sentido de descer o nível legal (xingamentos), ou você resolver abrir todos os segredos e fala mais que a boca, ou você resolve expor todos os seus sentimentos de peito aberto, sejam eles amáveis ou rancorosos.

Já os gumes, são os mais variados possíveis. Uma vez que, geralmente, silêncio gera mais silêncio, falar muito pode tanto provocar replicas imediatas como uma longa ausência de som. Falar demais não implica dizer necessariamente o que se quer, na verdade, quanto mais a gente fala mais parece que há coisas a serem ditas, além de surgir a necessidade de explicar o que já se falou, ou entender o que já se ouviu.

Pode ser muita informação, e mesmo assim, ou talvez justo por ser assim, podemos perder boa parte do que mereceria a nossa atenção e foco.

Falar mais pode diminuir a quantidade de conversas por, com sorte, se chegar ao ponto do: não temos mais nada pra dizer uma a outra… Fica a pergunta, você quer chegar nesse ponto?
Mesmo assim, falar mais pode ter um efeito contrário e aumentar a quantidade de conversas… Quase como num circulo vicioso: querer sempre mais.

Falar muito diminui a nossa capacidade de filtrar o que dizemos, é quando a gente fala sem pensar, sem medir e dá vontade de pedir um band-aid pra tapar boca! PQP
ps: fazendo uma analogia tosca, falar é que nem fazer xixi, se começar fica difícil segurar!

Aí mora um grande perigo: falar o que não devia, não podia ou “não queria”… Na empolgação acaba saindo. A consequência é uma péssima ressaca moral, um belo tapa na cara, ou, sendo otimista, algo se resolve.

Deu pra perceber que é tudo uma grande confusão, né?
Afinal o que é melhor: falar ou não falar?

Depende da mulher, caras Watson’s. Depende.

Fato é que The Cardigans tem razão: “I will never know, ´cause you will never show”.
Se você nunca falar, ela nunca vai saber e vice-versa.

“Acabou que fiquei pensando que certas coisas, aliás, certas pessoas acabam por serem fadadas à incógnita nossa de cada dia. Nem tudo depende dos nossos esforços de imaginar, pensar, assimilar. Logo, tem uma parte importante que depende do outro lado. E se o tal lado não quiser mostrar, a gente nunca vai ficar sabendo mesmo. A parte boa é que isso não mata. Dá pra se conviver com certas dúvidas sim. O importante é ter certeza sobre si próprio.” Maíra Suspiro

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Retirado do: CCP
Mais sobre isso: Irônias

4 Comentários leave one →
  1. hellena permalink
    2 março, 2009 10:33 am

    haha adorei!
    o mais bizarro de tudo, é que como terminei recentemente meu namoro, tava tentando ver em qual das duas situações me encaixava.
    só sei que ontem, após um mês sem ver minha ex, a gente foi tomar uma cerveja e sempre vem aquele assunto desconfortável e provocativo sobre aépocaemquefazíamossexo, sempre com piadinhas DEMAIS.
    senhor, sei la o que eu faço.
    adorei o texto. ri demais e me identifiquei demais.
    🙂

    • Té Pazzarotto permalink*
      2 março, 2009 11:21 am

      Somos duas, então.
      Sempre fico tentando filtrar as palavras e detesto quando o tema aépocaemquefazíamossexo retorna.
      Valeu =D

  2. 2 março, 2009 5:20 pm

    Acho que eu sempre sou daquelas que fala demais.Odeio ficar engasgada,prefiro soltar 1000 farpas,colocar tudo pra fora,pq eu sei quando falo demais e sei pedir desculpas.Prefiro assim pq o ”Se” como vc falou é o que mais pesa pra mim.
    Me segue por anos até em N situações,por isso não deixo mais nada pra depois.Melhor terminar com aquela sensação de fiz oq pude.

  3. Té Pazzarotto permalink*
    2 março, 2009 5:34 pm

    Eu só fico calada se a pessoa não vale a pena!

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