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Minha parte eu quero em respeito

8 março, 2009
North Country

North Country (Terra Fria), filme com a lindíssima Charlize que mostra uma trabalhadora de uma mina que é estuprada porque os seus colegas acham que tudo bem, que ela ta la pra isso mesmo…

por: Marina Meirelles

Em homenagem ao dia internacional da mulher, a emissora de rádio BandNews apresentou ontem um especial, entrevistando especialistas a respeito de temas sobre e para o público feminino. No entanto, por trás da homenagem, havia um ranço do preconceito contra as mulheres. Uma das entrevistadas – não lembro seu nome agora – afirmava que existem muitas mulheres no cargo de direção das empresas, mas que muitas delas desistiam das pressões das grandes corporações porque queriam dedicar mais tempo à família e aos filhos e acabavam indo para empresas menores, onde podiam dividir melhor seu tempo.

Realmente, algumas mulheres devem ter essa vontade de dividir seu tempo entre trabalho e família, sentem falta do convívio com os filhos. Mas por que diabos essas tarefas não podem ser divididas com os homens? Quando se entrevista homens, ninguém pergunta se ele divide a tarefa de educar e cuidar dos filhos com sua mulher, porque espera-se que ela esteja, primordialmente, tomando conta das atividades que dizem respeito ao lar.

Acredito que muitas mulheres acabam optando por empresas menores e tendo que dividir seu tempo simplesmente porque os maridos não fazem isso. Eles não foram educados e não são cobrados por isso como elas são – não justifica a situação, mas explica. Logo, a colocação da especialista entrevistada foi bastante preconceituosa e limitada.

O dia internacional da mulher foi criado não só para celebrar as conquistas das mulheres na sociedade – como a participação da vida social, política, econômica e acadêmica em vários países -, mas também para lembrar que ainda existe um longo caminho a ser percorrido em direção à igualdade entre homens e mulheres. No entanto, as pessoas celebram, muitas vezes, apenas a primeira parte (quando elas sabem porque existe a data). Os homens dão flores para as mulheres com as quais convivem. As empresas fazem programações especiais e dão presentes às funcionárias. Em todas as mídias existem homenagens de fabricantes, agências de publicidade, prestadoras de serviço – principalmente aquelas que trabalham com o público feminino.

Pouca gente, no entanto, se lembra da segunda parte. Dos direitos que ainda devem ser conquistados e das condições que devem ser melhoradas. As mulheres chegaram ao mercado de trabalho, mas continuam ganhando menos que os homens para exercer a mesma função. De acordo com a Fundação Seade, essa diferença é de 5%, em média, no Estado de São Paulo. A instituição também menciona a discriminação ocupacional – ou seja, o difícil acesso das mulheres a posições mais altas e de maior remuneração. A Organização Internacional do Trabalho estabelece que apenas 3% dos altos cargos nas corporações são ocupados por mulheres. A igualdade só deve acontecer daqui a 470 anos, segundo prognóstico da OIT.

No ano passado, na mesma data, a diretora executiva do Unicef, Ann M. Veneman, afirmou que “apesar dos progressos, continuamos a viver em um mundo onde milhões de meninas continuam excluídas da escola, exploradas no trabalho precoce, são traficadas, estão especialmente vulneráveis ao HIV/aids e são alvo da violência sexual”.
Além disso, vivemos num mundo em que:

– há mulheres que apanham de seus maridos e têm vergonha ou medo de denunciar. Quando elas resolvem fazê-lo, são ridicularizadas por policiais mal-preparados.

– muitas mulheres engolem as traições de seus maridos porque se sentem culpadas ou acham que isso é natural ou têm vergonha de contar isso para outras pessoas ou são cheias de medo de se impor e pedir o divórcio.

– existem países, como o Marrocos, a Índia ou mesmo o Brasil, em muitas cidades, em que as mulheres devem ficar trancafiadas dentro de casa. Aquelas que desafiam essas regras sofrem represálias.

– as garotas não podem simplesmente sair pra dançar que sempre tem um mala no pé delas, achando que elas têm obrigação de ficar com alguém naquela noite.

– meninas são estupradas e abusadas, muitas vezes dentro de suas próprias casas, e mantêm esse segredo por medo, vergonha ou culpa.

– em alguns países da África, mulheres têm seus clitóris cortados para evitar que sintam prazer (para isso, os homens sabem onde fica o clitóris).

– mulheres são contaminadas pelo HIV por seus maridos, que têm relações sem proteção fora do casamento (duplo desrespeito)

– mulheres são obrigadas a não trabalhar porque seus maridos querem que elas fiquem em casa

– existem academias de ginástica só para mulheres porque os idiotas dos maridos não querem que elas vão para as academias convencionais por ciúmes dos professores e colegas da sala de musculação (esses maridos não conhecem a teoria do convento e da penitenciária feminina…)

Por essas e por outras, poupem-me dos parabéns no dia de hoje. Quero minha parte em respeito.

____

Post original: Minha parte eu quero em respeito

G1 > Como surgiu a data

3 Comentários leave one →
  1. Té Pazzarotto permalink*
    8 março, 2009 2:48 pm

    Acho necessário abrirmos os olhos pro mundo, sabe? Mesmo que achemos que não vamos gostar do que iremos ver.
    É legal receber flores e homenagens, mas quer algo mais gratificante do que respeito?
    Por isso optei pela republicação desse texto.
    Feliz Dia das Mulheres e os meus parabéns e respeito a todas nós.

  2. beh permalink
    8 março, 2009 10:11 pm

    Apoiado…em genero, grau e número.

  3. 10 março, 2009 11:12 am

    q isso! arrasou! q frase é essa?! vou plagiar no meu blog agora mesmo, foi lindo.

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