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Injustiça!

25 maio, 2009

janice

Hospital impede americana de visitar parceira antes da morte

Do New York Times, Tara Parker-Pope
Tradução: Paulo Migliacci ME

Quando um ente querido está no hospital, a vontade de estar com ele é natural. Mas e se os funcionários da instituição proibirem? Foi isso que Janice Langbehn, assistente social em Lacey, Washington, diz ter experimentado quando Lisa Ponds, com quem ela vivia há 18 anos, sofreu um aneurisma durante uma viagem de férias à Flórida e foi internada em um centro de trauma em Miami.

Ponds morreu lá, aos 39 anos, enquanto Langbehn tentava em vão persuadir os dirigentes do hospital a permitir que ela e os filhos adotivos do casal a visitassem. “Sinto-me profundamente fracassada por não estar ao lado de Lisa quando ela morreu”, diz Langbehn. “Não sei como ou se conseguirei superar esse sentimento”.

O caso, agora tema de um processo na Justiça Federal da Flórida, vem sendo acompanhado pelos grupos de defesa dos direitos dos homossexuais, segundo os quais parceiros do mesmo sexo muitas vezes reportam se verem excluídos dos hospitais em que seus parceiros estão sendo tratados por não serem “verdadeiros” parentes. E os advogados dizem que o caso pode afetar a maneira pela qual os hospitais tratam todos os pacientes envolvidos em relações não matrimoniais, entre os quais pessoas mais velhas que vivem juntas sem casar, casais heterossexuais não casados e solteiros que contam com o apoio de amigos em lugar de parentes em seus momentos de crise.

Uma das questões que o processo propõe é se o hospital tem o dever judicial para com os pacientes de reservar direitos de visita a familiares ou se pessoas designadas para tanto podem exercer esses direitos. Robert Alonso, porta-voz do fundo que dirige o Jackson Memorial, o hospital envolvido, diz que a instituição em geral não comenta sobre processos em curso, mas acrescentou que o hospital concede direitos de visita caso estes não interfiram com o tratamento de emergência.

“O ponto legal primário é que o tempo de visita em uma sala de emergência do setor de trauma deve ser definido pelos cirurgiões e enfermeiras encarregados de tratar os pacientes”, ele afirmou. Há processo semelhante em curso no Estado de Washington, onde Sharon Reed afirma lhe ter sido negado acesso ao leito de Jo Ann Ritchie, com quem vive há 17 anos. Ritchie estava morrendo de um colapso hepático. Ainda que o hospital tenha normas liberais de visita, uma enfermeira noturna de uma agência de empregos insistiu em que Reed deixasse o quarto de sua parceira, alega o processo.

“Uma das coisas que sua parceira disse foi que tinha medo de morrer, e que não a deixasse sozinha”, disse Judith Lonnquist, advogada de Reed. “É por isso que o sofrimento foi tão imenso – ela sentia que sua parceira poderia imaginar que Reed traiu sua confiança”. Nos dois casos, os casais estavam preparados para emergência médicas – haviam redigido testamentos, concedido procurações e deixado instruções quanto a esse tipo de situação.

Na maneira pela qual Langbehn narra o ocorrido, os detalhes do que aconteceu em Miami são chocantes. Tudo começou em fevereiro de 2007, quando a família – que inclui três crianças que tinham então nove, 11 e 13 anos de idade – chegou a Miami para um cruzeiro. Ao embarcar no navio, Ponds desmaiou enquanto fotografava os filhos jogando basquete.

As crianças conseguiram levá-la de volta ao camarote, e por sorte o navio ainda estava atracado. Uma ambulância conduziu Ponds ao Ryder Trauma Center, no Jackson Memorial. Langbehn e as crianças seguiram em um táxi, e chegaram ao hospital por volta das 15h30. Langbehn disse que um assistente social do hospital a informou de que estava em uma “cidade e Estado antigay”, e de que precisaria de uma procuração de saúde específica para obter informações. (O assistente social nega que tenha feito essa afirmação, segundo Alonso.) O funcionário estava saindo quando Langbehn disse que tinha uma procuração. Ela ligou para pedir que um amigo enviasse o documento por fax.

A ficha médica mostra que o documento chegou por volta das 16h15, mas ninguém informou Langbehn sobre a condição médica de Ponds quando isso aconteceu. Langbehn diz que, nas oito horas que passou na sala de espera, teve duas conversas curtas com médicos. Às 17h20, foi pedida sua autorização para o uso de um “monitor cerebral”, sem que lhe fossem prestadas outras informações. Às 18h20, um médico a informou de que não havia esperança de recuperação.

A despeito de repetidos apelos para ver sua parceira, Langbehn diz que só pôde visitá-la por cinco minutos, enquanto um sacerdote ministrava a unção dos enfermos. Ela afirma que continuou a insistir com o assistente social para que as crianças pudessem ver a mãe, e chegou a lhe mostrar as certidões de nascimento. (Alonso, o porta-voz do hospital, diz que visitas de crianças de menos de 14 anos não são autorizadas no centro de trauma.)

A visita das crianças só foi autorizada à meia-noite e às 10h45 do dia seguinte foi decretada a morte cerebral de Ponds. Langbehn está sendo representada pelo Lambda Legal, um grupo de defesa dos direitos dos homossexuais. “Queremos enviar uma mensagem aos hospitais”, diz Beth Littrell, advogada do grupo. “Se os familiares não forem tratados como tais, se os pacientes não puderem definir quem é considerado parte de seu círculo em uma crise assim, as instituições serão responsabilizadas judicialmente”.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3776457-EI8141,00.html

___

Eu me coloco no lugar dela e mal posso imaginar o tamanho da minha revolta se eu fosse impedida de ver a pessoa que amo em um momento crucial como esse…
E concordo com um comentário que tinha lá na matéria:

“A desculpa de não ser ‘parente verdadeiro’ só serve para mascarar a discriminação, e o fato de serem companheiras há tanto tempo é mais um agravante. Não é preciso ser a favor da homossexualidade para reconhecer tamanha injustiça ocorrida neste e em tantos outros casos semelhantes.” (Daniel)

Indignada (ponto).

6 Comentários leave one →
  1. 25 maio, 2009 3:32 pm

    Quando a gente pensa que a variedade de absurdos acabou, aparece um novo.
    Também fiquei indignada, Té.

  2. 25 maio, 2009 8:11 pm

    Espero que essa seja a última vez que isso aconteça com um casal que se ama,não importando a orientação.
    Lamentável.

  3. 25 maio, 2009 8:30 pm

    a coisa mais estúpida e desumana que se pode fazer com alguém. Mas, se tratando de americanos…nada do que vem deles me surpreende.

  4. beh permalink
    26 maio, 2009 12:46 am

    Como ser humano consegue ser tão ignorante e podre, não? Deixo aqui minha revolta e inconformismo.

  5. Nick permalink
    26 maio, 2009 4:40 pm

    Como é que pode a pessoa amada morrer, sem que a outra possa pelo menos lhe dar conforto….é inconcebível
    O assistente social disse: Cidade antigay….procuração de saúde…. daí quando a coisa vai pra imprensa ou pra mão do advogado, todo mundo tira da reta, nega que falou….Tem mais é que denunciar essa discriminação barbara.

  6. 26 maio, 2009 9:53 pm

    Indignada.

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