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Orientação, Marketing e Moda!

15 junho, 2009

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LESBIAN CHIC
Sophie Marceau (à esq.) e Monica Bellucci no Festival de Cannes. A encenação gay ajuda a divulgar o filme da dupla, Don’t look back
As artistas dizem que são bissexuais. As meninas ficam com outras meninas. Alguma coisa está mudando ou é tudo marketing e imitação?

.

Ser bi está na moda

Esse é o título da matéria feita por Martha Mendonça e Fernanda Colavitti para a revista Época.

Como toda santa vez que alguém ‘famoso’ resolve se declarar gay, bi, lésbica, a máscara do Marketing grita:
“Não! Não! Ela não gosta exatamente do mesmo sexo, só quer aparecer mesmo!”
Se eu fosse radical, diria: Por que os artistas não viram logo anjos, né? Seres assexuados e andróginos!

Essa, pra mim, será a semana do “desabafo”! Falei…

Continuemos, se vocês quiserem, claro, a acompanhar a minha opinião, que obviamente, por ser minha, se trata do meu pensamento!

Elas são bonitas, femininas, vaidosas. E gostam umas das outras. Ao menos é o que dizem – e dizem cada vez mais. Em três semanas consecutivas de maio, três estrelas americanas famosas revelaram que sentem atração pelo mesmo sexo. Megan Fox, símbolo sexual da nova geração, afirmou que prefere as mulheres por serem mais “limpinhas”. O furacão Fergie, do Black Eyed Peas, disse que gostou de experimentar moças. A performática Lady Gaga confirmou sua bissexualidade – e aproveitou para lançar um clipe da nova música beijando outra mulher. Em abril, fora a vez de Kelly McGillis, musa dos anos 80.
A jovem atriz americana Lindsay Lohan, ídolo teen do cinema, não tem escondido sua dor de cotovelo depois que a namorada, uma DJ, a abandonou. Isso sem falar na megaestrela Angelina Jolie, que, antes de se tornar mãe de família, alardeava sua bissexualidade (Brad Pitt acreditou, mas na cama do casal, em vez de outras mulheres, há cada vez mais crianças). No Brasil, Preta Gil não cansa de se rotular como “total flex”. Afinal, trata-se da liberação de um desejo feminino ou de estratégia de marketing?

A liberação feminina e não só de seu desejo é um fato em constante progresso e que já tem bastante tempo… Pra não misturar movimento feminista com orientação sexual, passemos para a análise de especialistas…

Para os especialistas, as duas respostas estão corretas. O erotismo que envolve duas mulheres é infalível em termos de mídia – graças à curiosidade geral sobre a homossexualidade e ao fato de ser a fantasia número um dos homens. Mas a natureza feminina, mais flexível e com menos defesas em relação à afetividade, acaba proporcionando uma liberdade maior no campo sexual – sem que necessariamente haja rotulações. “Viver uma ou outra experiência com alguém do mesmo sexo é diferente de ser bissexual” (Ponto positivo! Realmente, dar selinho não muda nem molda orientação sexual de ninguém, afinal, há quem beije seus cachorros…), afirma Carmita Abdo, psiquiatra e coordenadora do Projeto Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP). “Nem todas as pessoas crescem com uma definição tão absoluta quanto à orientação sexual. Muitas vezes é preciso amadurecer para chegar a uma identidade. E hoje existe uma maior permissividade para a experimentação.” Lançado no ano passado, o livro Look both ways (Olhe para os dois lados), das terapeutas americanas Elizabeth Oxley e Claire Lucius, vai na mesma direção. Para as autoras, homens e mulheres têm a mesma curiosidade sobre o mesmo sexo. Mas as mulheres, que não têm barreiras em beijar e abraçar confortavelmente suas amigas, migram mais facilmente para o teste sexual. Até aí, tudo bem. Mas é mesmo necessário contar tudo na primeira entrevista?

Só eu acho que o mundo é BI? Help?!

“É marketing total”, diz a webdesigner paulista Del Torres, idealizadora do Leskut – um site de relacionamentos só entre meninas que, em nove meses, já tem 14 mil participantes. Lésbica assumida, 29 anos, ela diz que, quando existe o desejo verdadeiro, o comportamento é discreto. “As celebridades estão cansadas de saber que esse tipo de declaração chama a atenção, além de torná-las modernas e mais interessantes.” Del lembra a história da dupla de rock russa t.A.t.U. Em 2004, as duas meninas já haviam vendido mais de 2 milhões de CDs, alardeando a ideia de que eram namoradas. No clipe mais famoso, da música “All the things she said” (“Todas as coisas que ela disse”), mostravam o sofrimento por um amor proibido. Usando uniforme de estudantes. Na chuva. “Quando a dupla se desfez, uma delas engravidou do namorado secreto, com quem está casada até hoje”, diz Del. Agora querem voltar a gravar juntas e já avisaram, em entrevista recente: “Quando bebemos, ainda ficamos”.

Marketing tá que nem Eu te amo né?! Tudo que um artista faz agora é marketing promocional.
Chama atenção? Chama! Óbvio! Mas isso não quer dizer que estas ou outras só divulgam sua simpatia, bissexualidade ou lesbianeidade afim de se promovorem, até porque o tiro pode sair pela indesejada culatra!
Eu sou a favor de que – cada vez mais – quem gosta de “comer os seus”, divulgue isso. É como tem na descrição do blog Oráculo de Lesbos: Visibilidade é a chave.
Lógico que nem em sonho eu acho que Fergie, Angelina ou Preta Gil assumem qualquer coisa que fazem ou fizeram na cama pra ajudar a causa homo pelo mundo… (risos); eu apenas prefiro focar no lado positivo de existirem pessoas que não se incomodam de ser elas mesmas (não sei se esse é o caso, porque enfim, né… A Angelina não me liga tá com mais de 1 mês e a Madonna tá muito ocupada com a nova filha e eu não vou incomodar pra saber algo do gênero).

“Eu quero é que o mundo saiba que nós existimos!”

Não há dúvida de que mulher com mulher dá audiência. Há quem diga que tudo começou com o beijo cinematográfico que Madonna deu em Britney Spears no Video Music Awards, em 2003. Não foi um selinho. Justin Timberlake, ex de Britney e a caminho, na época, de tornar-se parceiro musical de Madonna, não conseguiu disfarçar o choque, registrado pelas câmeras. Hoje, apenas cinco anos depois, talvez já achasse normal.

Há uma epidemia de beijos femininos na mídia, das brasileiras do axé Daniela Mercury e Alinne Rosa, na gravação de um DVD no ano passado, às francesas Sophie Marceau e Monica Bellucci, nuas e abraçadas na revista Paris Match deste mês. No último Big brother, a sensação foi o selinho debaixo d’água de Priscila e Milena, que bateu recordes nos sites de notícias. O recém-formado grupo nacional Sexy Dolls anunciou, em seu primeiro clipe, um “beijo triplo”. O vídeo ficou quase uma semana entre os mais vistos do portal Globo.com. Até Woody Allen não resistiu e colocou no filme Vicky Cristina Barcelona uma cena em que Scarlett Johansson beija Penélope Cruz – acontecimento que foi badalado insistentemente anos antes de o filme entrar em cartaz.

Qual é o reflexo de tantas cenas públicas e declarações de bissexualidade na cabeça das adolescentes, mulheres em formação? A psicoterapeuta e sexóloga Mara Pusch, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acredita que o fenômeno da bissexualidade feminina na mídia libera as meninas para o desejo de experimentação inerente aos seres humanos. (preciso comentar que acho isso super válido!!!)  “Quando uma menina diz que é bissexual, ela talvez nem saiba direito do que está falando. Está apenas querendo descobrir do que gosta, o que quer. Se uma pessoa famosa diz que faz o mesmo, ela se sente mais livre”, afirma. “Nesse treino de sexualidade, as meninas costumam não entender direito o que sentem pela melhor amiga, se é admiração ou atração. E ficam mais confortáveis de colocar à prova.”
E onde entram os meninos nisso? Para a psiquiatra Carmita Abdo, muitas vezes eles é que estão no centro de tudo. “São jogos sexuais. Elas sabem que, hoje, beijar a amiga na boca é uma forma de atrair os meninos”, afirma. Del Torres, do Leskut, diz que “virou modinha” as garotas viverem agarradas, sentarem uma no colo da outra ou se beijarem no meio da turma – mesmo que não se digam claramente bissexuais. “Elas acham cool, gostam de chocar e também de atrair os garotos. Mas a verdade é que não se definiram ainda”, diz.

A estudante de marketing paulistana Lygia, de 19 anos, conta que seu primeiro beijo foi aos 9. Na melhor amiga. “Nós estávamos brincando, eu fui chegando perto e a beijei”, diz. Um pouco mais velha, passou a ficar com meninos, mas só porque as amigas faziam o mesmo. No ano passado seguiu seu desejo e ficou de novo com uma menina. “Agora sou lésbica. Acho bom que hoje o preconceito seja menor”, diz.

Ela já contou aos pais e a alguns amigos sobre suas experiências. Outra estudante, Aline, de 16 anos, ficou com uma menina aos 13. Tudo começou quando a amiga contou que gostava de meninas. Alguma coisa a acendeu: “Ainda é cedo para me definir. Hoje eu digo que sou bi. Mas no futuro posso mudar”.

Se a homossexualidade – ou bissexualidade – feminina está mais palatável, é porque vem embrulhada num pacote delicado e feminino. Quando o armário se abre, saem dele mulheres magras, sexy, de batom. É o fenômeno chamado light lesbian chic ou lipstick lesbian, cujo símbolo televisivo é o seriado americano The L word, que já entra na quinta temporada. Nele, um grupo de lésbicas lindas vive histórias de amor repletas de cenas tórridas. Professora de literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora de livros sobre homossexualidade como As heroínas saem do armário, Lúcia Facco critica a força do modelo da “lésbica de batom” como o único aceito (e até festejado) na sociedade.

“De repente, mulher gostar de mulher entrou na moda. Mas desde que elas tenham características consideradas femininas, que atraiam os olhares masculinos e não choquem”, afirma. Para ela, o imaginário social poderia ser mais bem trabalhado para compreender e aceitar bissexuais e lésbicas de uma maneira geral – bem como todo o universo homossexual. Essa é uma possibilidade. A outra é lembrar às garotas, em casa, que nem tudo o que seus ídolos fazem ou dizem que fazem precisa ser imitado. E que tampouco precisam se deixar levar pelos garotos a fingir que são o que não são.

A grande questão, pra mim, é que a quantidade, aos poucos, elimina os fatores: minoria e esquisito.
Afinal, o que é o estranho na nossa sociedade de massas? O estranho é a exceção, o diferente, o que não se encaixa ao padrão e para ser padrão é necessário que seja a “maioria aceita”…

A moda atrelada a um tipo de comportamento parece sempre ser vista sob uma ótica depreciativa, mas nem sempre o resultado é negativo e/ou passageiro…

Prefiro colher os bons frutos do Marketing da Moda da Liberação Sexual!

___

ps: Fiquei pensando também, nas minhas amigas N e E que se agarram pelos 4 cantos da faculdade, e pondero sobre discrição e desejo verdadeiro…
ps1: A Madonna num se agarra com mulher desde que eu nasci não? Pra registro, sou da década de 80!
ps3: A Dani M (fazendo a íntima) num namorava uma moça aí, não sei quem era, só ouvi comentários distantes…
ps4: Eu comecei a comentar sem terminar de ler a matéria toda, agora fico embasbacada, fiz uma transmissão de pensamento com Mara Pusch;
ps5: Mais uma que minha clarividência atingiu: Lúcia Facco!!!

___

Para ler a matéria sem as minhas observações:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI77055-15228-1,00-SER+BI+ESTA+NA+MODA.html

 

14 Comentários leave one →
  1. 15 junho, 2009 8:19 pm

    Adorei a irônia!
    Prefiro colher os bons frutos do Marketing da Moda da Liberação Sexual![2]

  2. beh permalink
    16 junho, 2009 12:30 am

    Muito oportuno o que foi colocado pela sexóloga sobre a liberação da experimentação. Sendo mídia ou não…está sendo positivo isso tudo, é uma forma das pessoas assistirem, sentirem que o mundo pode ser bem diferente daquilo que estão acostumadas a acharem normal. E acho que aos poucos vamos colhendo os frutos da propaganda da moda sim..rs… ainda bem.

    bjs

    • Renata J. permalink
      16 junho, 2009 10:37 am

      Concordo, beh. O lance da visibilidade é super importante, pois se as “pessoas normais” virem que os ídolos podem ser homo ou bi, torna a diversidade sexual um pouco mais “normal” aos olhos da sociedade.
      Excelentes comentários, Té.

      • Té P. permalink*
        16 junho, 2009 1:30 pm

        Primeiro, obrigada =p

        Tava aqui respondendo os comentários e me veio uma “luz”…

        Vocês não acham irônico, guardada as devidas proporções, que assumir a homo ou bi ou (…) na mídia seja considerado um mkt positivo e assumir a orientação sem os holofotes, sendo um cidadão ‘comum’, cause tanto medo pelas consequências sociais e profissionais da revelação?

        ai ai, esse mundo é louco!

    • Té P. permalink*
      16 junho, 2009 1:22 pm

      Exatamente nos frutos que pensava, Beh =)

  3. 16 junho, 2009 9:13 am

    Bom,sinceramente pra mim é marketing sim.
    Posso estar errada,mas para uma industria milionária onde tudo oq vier é peixe,qualquer coisa pra garantir o aumento dos lucros,seja isso farsa ou não.

    • Té P. permalink*
      16 junho, 2009 1:21 pm

      Não estou julgando o mérito da questão, quis abordar outro ponto de vista, o da visibilidade…
      Se é ou deixa de ser mkt é problema dos assessores das moças e moços e deles mesmos.

      Se eu ficasse famosa da noite pro dia, e minha orientação fosse especulada, eu não teria por que mentir, não deixaria de assumir o que gosto e prefiro =p

  4. Ana Laura permalink
    16 junho, 2009 1:41 pm

    achei ótima a abordagem do tema sob um novo foco, as vezes a imprensa nos da um tema pra discussão e praticamente nos impõe o que devemos falar ou não sobre o tema. Faz muito tempo que rola essa coisa de marketing, principalmente em relação a Ana Carolina e era só nisso que ficava.
    Realmente, querer discutir o ponto positivo das exposições foi extremamente válido.

    Parabéns pelos comentários, Té!

  5. Greenie permalink
    19 junho, 2009 5:48 am

    “Vocês não acham irônico, guardada as devidas proporções, que assumir a homo ou bi ou (…) na mídia seja considerado um mkt positivo e assumir a orientação sem os holofotes, sendo um cidadão ‘comum’, cause tanto medo pelas consequências sociais e profissionais da revelação?”

    É extremamente irônico, pra dizer o mínimo.

    “ps: Fiquei pensando também, nas minhas amigas N e E que se agarram pelos 4 cantos da faculdade, e pondero sobre discrição e desejo verdadeiro…”

    Essa história de “faculdade”, “discrição” e “desejo verdadeiro” chegou a me trazer lembranças…

    :*

  6. 4 agosto, 2009 3:15 pm

    eu achei uma droga que saco

  7. 23 outubro, 2009 4:46 pm

    Tem gente que fala d +!!!!!
    prova primeiro p/ saber!!!!! ai depois vc fala
    pode ter certeza quem provou a primeira nunca + esqueciiii!!!!
    uuuiiii!!!!

  8. lala permalink
    9 setembro, 2010 10:53 pm

    E viva a diversidade sexual \o

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