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Tempos Modernos

20 junho, 2009

tp2.

Tempos Modernos…

(…) Se você acha isso estranho, antiquado ou inadequado…  Sinto dizer, mas tenho que fazê-lo: “Bem-vinda aos novos tempos modernos!”

Tem idade certa?
Não. Cada ser humano tem crescimento, desenvolvimento, percepção, (…)  individual e diferenciado entre si. Ok, fatores ambientais e genéticos contribuem e interferem…

Às vezes não consigo entender a insistência em se delimitar as coisas em etapas: agora você faz isso, depois você faz aquilo… É quase a superespecialização do trabalho, até o resultado é o mesmo: alienação.

Também não consigo entender certas necessidades em se explicar, em obter respostas que, se vierem, mesmo assim, não podem ou não devem ser consideradas verdades absolutas. Já pensou se até hoje parada cardíaca significasse morte? Se AIDS ainda fosse considerada uma doença gay? Se ser homossexual ainda fosse um distúrbio da sexualidade, uma doença? Enfim…

Tentam dizer que a homossexualidade é genética (há quem seja contra, há quem seja a favor), pra dizer o mínimo da minha opinião: acho perigoso certas afirmações que não ponderam todos os prós e contras!

E aí as engrenagens que não param de girar, impulsionam o tempo para frente mais uma vez…

Nessa ciranda, o assunto: idade, tem estado bem presente.
Faz muito tempo que ouço pais, professores, governadores, juristas (…), falarem sobre faixa etária, classificação… Que idade tal não pode fazer isso, que idade x é aquilo e blá blá blá…
Quanto a isso, acho que excesso de proteção é prejudicial… Mas quando eu tiver meus filhos, eu os educo do meu jeito… Não vou me meter no que os outros querem fazer ou como querem agir…

Porém, não é isso que quero “discutir”…

Ao longo de mais de 9 anos de inserção no meio gay, de várias formas diferentes e em locais diferentes, vi explodir a quantidade de meninas se beijando. Primeiro era moda por causa da novela, depois era por causa da Avril, agora é porque são emos ou porque seus ídolos fazem isso… O motivo muda, a atitude é a mesma…

Já conversei muito sobre isso, se discutia exaustivamente o assunto em comunidades e fóruns… Não importava o quanto se falasse, ou se rotulasse, a cada ano a idade das meninas que se auto-intitulavam bissexuais ou lésbicas diminuía e a quantidade só aumentava…

Mas vejamos, pessoas, não é isso que vemos acontecer em todas as áreas? Cada vez mais há uma prematuridade no amadurecimento da criança e do adolescente… O que está acontecendo poderia até ser encarado como um retorno às origens*…

Voltando ao tema em foco…agyness1
Existe idade certa pra pensar sobre a própria sexualidade?
Existe idade certa pra achar que se é ou não lésbica ou gay?
Por que tanto cuidado em levantar uma bandeira? Pra nada! Medos e limites que não servem de nada.

“O ser humano não nasce puro, ele nasce inocente.”

Não há uma explosão de lésbicas de uma hora pra outra, o que há é uma liberdade sexual maior, tanto para se falar sobre, quanto para se praticar. (é literalmente uma volta às origens)

A primeira menina que gostei eu tava na alfabetização, tinha 5 anos… Ela sentava no meu colo e até hoje eu lembro que me arrepiava. Se minha namorada hoje senta no meu colo e eu me arrepio, sei que isso é desejo… Por que com 5 anos não era?! Era sim! E como era!

Essa coisa de cercar a infância como se fosse algo puro:
“Você a observa com excesso de vigilância ou bane para o reino dos perversos algo fora da idéia de ‘puro’. É como se a cultura investisse em uma infância com uma noção de inocência quase vitoriana, não deixando qualquer espaço para volição sexual, mesmo em um futuro distante. Mas a realidade está bem longe disso – como sabemos e, até mesmo, vivenciamos.”

… Quando eu era pequena, entre 7 e 10 anos, e brincava de Barbie, de carrinho e de Xuxa… Cortei um pouco o cabelo da Xuxa e a fiz de namorada da Barbie. Pra minha mãe eu falava que era porque eu não tinha o Ken; na minha brincadeira, as duas eram mulheres mesmo!

Eu não tinha novela com lésbica pra me influenciar ou me fazer pensar nisso. Mal via a novela das oito. Era apaixonada pela professora Helena de “Carrossel” e queria ser o Alef de “Olho por olho” só pra namorar a Cacau…
A primeira vez que mainha perguntou se eu era lésbica eu tinha 11 anos de idade e estava apaixonada por uma prima…

Não tem nada de anormal pensar nessas coisas. O desejo humano é natural! Ele simplesmente surge, sem fabricações. O único desejo e necessidade “fabricado” somos nós, publicitários, os responsáveis, mas isso não vem ao caso.

Quanto mais rápido se tiver informação, menos tempo você vai ficar “noiada”, preocupada, se achando estranha. E mais tempo vai ter pra aproveitar, sentindo-se bem, sem ter que adiar questões que surgem hoje prum amanhã sempre imprevisível…

Não é questão de concordar, discordar nem criticar pensamento ou achismo de ninguém. É apenas um ponto de vista…

Problemas, indagações e/ou dilemas com a sexualidade não estão ligados a idade e, às vezes, nem tanto com maturidade, mas com a visão de cada uma sobre mundo.

* origens históricas

10 Comentários leave one →
  1. 20 junho, 2009 7:40 pm

    Que textão!
    Adorei e concordo, acho que cada um tem seu próprio tempo.
    Beijos

  2. beh permalink
    20 junho, 2009 10:43 pm

    Para as pessoas chegar nesse patamar de pensamento, terão que evoluir muiitoooo, né?
    A ciência vive instigando o porquê da homossexualidade, chegaram até à pouco tempo, mostrando a diferença entre o cérebro dos gays e heteros. Descoberto o verdadeiro motivo da homossexualidade, o que hão de fazer e para quê não é?
    Tbm não acho que tenha idade para se descobrir gay ou não. Os sentimentos acontecem naturalmente, não existe instrução para sentir isso ou aquilo e por quem, somos seres evolutivos, as pessoas mudam, o mundo muda. Se pudéssemos optar simplesmente, seria bem simples, como apertar um botão e pronto, estamos resolvidos!
    Olha, acho que a primeira vez que senti aquele arrepio por uma mulher,o primeiro sinal, não tinha nem 10 anos, foi por uma linda mulher estampada numa capa de revista…rsrs..

    Parabéns pelo texto!
    Bjs

  3. Té P. permalink*
    21 junho, 2009 12:39 am

    Obrigada, meninas. =)

  4. Renata J. permalink
    21 junho, 2009 12:41 am

    Esse lance de tempo é importante. Só assumi p mim mesma que era lésbica há 2 anos, depois de uma separacação de um casamento de 5 anos. Quando tive minhas primeiras dúvidas, nem sabia o que era lésbica, hj as meninas sabem bem o que é. Acho que sou feliz como sou pq tive meu tempo de preparação. Se fosse antes (e tive oportunidades para experimentar, mas preferi manter-me na minha comodidade heterossexual, apesar das dúvidas)talvez não estaria tão bem e certa do que quero como estou agora. Adorei o texto!

  5. 21 junho, 2009 3:22 am

    Realmente cada um tem seu tempo, hj eu sei o que quero, sei que sou lésbica, só não grito para todos pois a familia não respeita, mas eu tenho respeito por eles, hj eles sabem o que sou só fazem de conta que não veem…quem sabe eles ainda não chegaram no tempo deles…adorei bjs.

  6. 21 junho, 2009 5:15 pm

    isso tudo que vc disse é bem verdade… na minha inocencia de 5 ou 6 anos de idade eu me lembro que “brincava” que namorava uma amiguinha, rolava ate beijo na boca.

  7. 21 junho, 2009 7:22 pm

    Olá meninas
    A jornalista Lilian Werneck que acabou de lançar o filme O Móbile: Admiração (curta-metragem que conta a história de amor entre uma artista plástica e uma atriz) concedeu entrevista ao Bota Dentro (http://www.botadentro.com/2009/06/para-mim-o-amor-e-um-mobile-um.html) contanto como foi a criação do filme e destacando a importância da mídia, da imprensa e de produções artísticas no processo de visibilidade da homossexualidade. Na entrevista, ela aproveita e disponibiliza o link para download do filme. Eu assisti e adorei! Da para assistir online também.

    Nina Ferri (www.botadentro.com)

    • Renata J. permalink
      22 junho, 2009 5:33 pm

      Vi o trailler e gostei. Vou baixar para assistir o fime!

  8. Maria permalink
    23 junho, 2009 11:41 am

    Olá, Té!

    Esse texto me fez lembrar da Ingrid, do pré, nós tínhamos 6 anos e ela já me causava arrepios (que não eram de frio!).
    Era estranho sentir essas coisas e não saber direito como reagir…

    Saudade!

    Bjo grande!

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