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Brasis

2 novembro, 2010

Pelas nossas mãos… Sobre intolerância, ignorância e preconceito

Eu tentei me concentrar apenas na minha leitura, mas não consegui! Sou contra qualquer tipo de discriminação e, em especial, contra o preconceito do qual posso ser vítima e sou direta ou indiretamente.

Isso é ululante, uma vez que é a vítima que fica marcada com as demonstrações da ignorância e violência alheias. Logo, a marca é interiorizada e sentida de diversas formas; independentes de quais sejam, a marca do preconceito se transforma em memória, em uma lembrança que não deveria existir!

É difícil manter a razão e a serenidade em momentos de “crise”, quando somos achincalhados ou tentam nos diminuir, tornar-nos iguais em “inferioridade”. Digo inferioridade por crer que agressões desarrazoadas são fruto de insegura e complexo, que caracterizam uma esfera digna de menosprezo.

Toda e qualquer violência é merecedora de desprezo, repugnância e, para almas mais elevadas, de pena (compaixão) ou indiferença!

Ao contrário do que possa parecer, as declarações e manifestações de Xenofobia mundo a fora não se constituem em exceção, não. Elas são comuns, cotidianas. E podem, em muitos aspectos, aproximar-se do vírus que infectou diversas sociedades antes destas implodirem, talvez o exemplo mais recente seja o Nazismo?!

É árduo não retribuir ódio com ódio. Mas é o que devemos fazer…

Em todo caso, se fosse para separar o Norte e o Nordeste do resto do país, gostaria que o “Brasil” nos devolvesse tudo que nos pertence, ou seja, tudo que é/foi criado por nordestinos e nortenses. Para começar, que todas as obras que foram erguidas pelas nossas mãos ou com a ajuda delas se desfaça, se despedace. Que a música que produzimos seja só nossa, e que o resto seja privado de uma voz privilegiada como a de Maria Bethânia e da inteligência de um Luiz Gonzaga ou um Zeca Baleiro. Que importantes figuras da história deixem seus marcos, livros e sabedoria para os seus descendentes, logo, que as obras de Rachel de Queiroz, as palavras de José de Alencar, de Ariano Suassuna, que o Código Civil de Clóvis Beviláqua, que a sapiência de Ruy Barbosa e tantos outros fiquem aqui, conosco e só para nós. Por fim, quando pensarem em tirar férias, procurem outro lugar, deixem nosso Ceará, nossa Amazônia, nossa Bahia, nosso Fernando de Noronha, Porto de Galinhas, Olinda, Pipa, Jericoacoara e vários outros paraísos terrestres e marítimos só para que nós, “Brasileiros”, desfrutemos…

E só mais uma dica…

Tudo começa assim, achamos que o inimigo é o estranho, quando na verdade ele está em nossa cabeça, somos nós mesmos. Afastamos um, depois outro. Criamos uma barreira, um muro para ser mais exata. Em seguida, percebemos que a diferença também mora ao lado, e que discordamos até de quem pensávamos ser amigo/aliado. Isolamo-nos num ambiente de bolha, onde só interessa o EU, e, quando olhamos ao redor, todos parecem inimigos, formigas, vermes, inferiores, mas você não percebe que quem estará sozinho… Bem, quem está sozinho é você!

Obs 1: Realmente, esse tipo de coisa é algo que desgasta a minha esperança de que pessoas sejam mais humanas!

_________________

Afins:

https://napontadosdedos.wordpress.com/2010/10/26/dia-31/

https://napontadosdedos.wordpress.com/2010/10/15/dois-pesos-2/

Alguns posts do twitter:

http://xenofobianao.tumblr.com/

Textos sobre o assunto:

http://blogdosakamoto.uol.com.br/2010/11/01/breve-comentario-sobre-preconceito-no-twitter/

http://mariafro.com.br/wordpress/?p=21285

http://cadaminuto.com.br/noticia/2010/11/01/apos-vitoria-de-dilma-nordestinos-sao-vitimas-de-xenofobia-no-twitter

10 Comentários leave one →
  1. Luua permalink
    2 novembro, 2010 12:33 am

    Que deprimente! Esse tipo de gente me enoja… Não sei daonde tiram essa ideia de que o Sul é superior ao resto do país
    Afff

  2. Mara permalink
    2 novembro, 2010 8:12 am

    Na realidade penso que um dia todos nós vamos aprender a respeitar o próximo como deve ser feito, que é o básico,tratar o outro como queremos que sejamos tratados.
    Para mim, a discriminação é algo naturalmente humano, de maneira alguma certa, mas algo que ainda está na índole de todos nós, em maior ou menor grau.
    Té, existem pessoas como as simpáticas que leem seu blog (eu por exemplo) e como as que escrevem coisas legais (você por exemplo) e a gente existir mostra que sempre há esperança. Então que seu dia seja repleto de AMOR, amor meu e de todos que não concordam com estas coisas tão acintosamente feias e sem propósito.

    Bjo grande e não perca a esperança!

    • 2 novembro, 2010 3:39 pm

      Obrigada Mara, e concordo com você sobre a discriminação estar presente dentro de nós de alguma forma, mas não tenho certeza sobre a sua origem, se natural ou se cultural… ou ainda, ambos.

  3. A.C. permalink
    2 novembro, 2010 10:28 am

    Acordei com uma fome imensa de estudar (deve ser a minha consciência gritando por causa do meu primeiro capítulo do TCC); entre as minhas leituras, encontrei um textinho de Arendt (referente a uma correspondência de Arendt ao seu mestre Karl Jaspers) sobre o mal e a moral, que diz assim: “O mal provocou ser mais radical que o esperado. Em termos objetivos, os crimes modernos não estão estipulados nos Dez Mandamentos. Ou: a tradição ocidental está padecendo de preconceito de que as piores coisas que os seres humanos são capazes de fazer provém do vício do egoísmo. Não sabemos, todavia, que os maiores males o mal radical não tem mais coisa alguma a ver com tais motivos pecaminosos, humanamente compreensíveis. O que o mal radical realmente é eu não sei, mas parece-me que ele de algum modo tem a ver com o seguinte fenômeno: tornar os seres humanos, enquanto seres humanos, supérfluos (não os usando como meios para um fim, o que deixaria intocada sua essência enquanto humanos, atingindo apenas sua dignidade humana; mas, mais propriamente, tornando-os supérfluos enquanto seres humanos)”.
    Logo quando li o pequeno texto acima citado, lembrei-me dessa sua reflexão. Pegando emprestado o pensamento de Arendt (o que tenho feito com muita frequência, você sabe disso), acredito que na condição de herdeiros de toda essa tradição de pensamento e de todo esse colapso da moralidade e da política totalmente destruídos, ainda podemos, enquanto seres humanos, nos enquadrar naquilo que Arendt, nos meados do século XX, chamou de homem supérfluo. Ou seja, acredito que ainda estejamos vivenciado os resíduos de todo esse mal radical. O homem supérfluo de Arendt, como já discutimos várias vezes, é aquele que perdeu a sua capacidade de compreensão, que é incapaz de julgar o certo e o errado (incapacidade de juízos) e até mesmo incapaz de agir. Não vivemos sob um regime político Totalitário, mas em termos arendtianos, ainda temos no mundo a figura do homem supérfluo que possibilita que o mal entranha-se entre os homens, na sociedade. É este homem supérfluo que, imbuído de preconceitos e ignorâncias, comete tais barbaridades como a xenofobia. São seres supérfluos, Té. São seres humanos que não conseguem viver em um mundo plural, respeitando as diferenças. E uma coisa eu concordo plenamente com Arendt: a política não se faz sem a pluralidade humana. Sem a tolerância com as diferenças até a nossa condição humana fica sem sentido; é de fato, lamentável. Ontem eu vi o link que você me mandou, tive até dor no estômago ao ler todos aqueles twittes… Revoltante! Queria e até preciso acreditar, assim como Arendt, na condição humana e principalmente na natalidade, na nossa capacidade e liberdade de começar de novo…
    Té, como sempre você ofereceu para nós uma brilhante reflexão. Perdão, mas quando um texto chega a ser brilhante, pouco podemos comentar, acrescentar. E como brinquei ontem com você pelo skype, juro que eu gostaria de ter escrito esse texto… Parabéns!

    Beijos!

    Ana.
    _____

    grifos meus

    • 2 novembro, 2010 4:13 pm

      Ou seja, acredito que ainda estejamos vivenciado os resíduos de todo esse mal radical.

      Só discordo dessa parte, acho que isso está se fixando e não desaparecendo. Infelizmente.
      Obrigada, xD~
      Beijinho =*

  4. 2 novembro, 2010 3:32 pm

    Sabe Té sou contra a qualquer tipo de preconceito, pq desde que me conheço por gente passei por preconceitos, uma hora por ser fora do peso que a sociedade nos impoe, outra hora por ser lésbica e por ai vai, eu penso que deveria ser criada uma lei não somente contra a homofobia, mas sim uma lei que desaprova qualquer tipo de preconceito, desde raça, cultura e orientação sexual.
    Sou Paulista mas amo o povo nordestino trabalhei em Fortaleza por alguns dias e foi o local onde mais bem recebida eu fui, e pode apostar se em nosso país separar os Estados a região Central morre na poluição e sem nada, pois tudo nessa região é construido na base de mão-de-obra de outros Estados.

    Beijos

    • 2 novembro, 2010 3:47 pm

      Mas já existe lei, querida Afrodite:
      “A Lei nº 7.716, de 05 de janeiro de 1989, que trata de crimes xenofóbicos, em seu artigo 1º (com a redação determinada pela Lei nº 9.459, de 13 de março de 1997), diz que serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.
      Inclusive essa lei é uma das que a PLC 122 pretende alterar, acrescentando: orientação sexual.
      Um abraço e obrigada pela visita =)

    • 2 novembro, 2010 4:14 pm

      “Isso é um preconceito lamentável. A democracia se encarregará de extirpar esse tipo de coisa. É algo racional e absurdo. São comentários movidos pelo ódio de gerações que nem tem conhecimento da história política do Brasil”
      (http://cadaminuto.com.br/noticia/2010/11/01/apos-vitoria-de-dilma-nordestinos-sao-vitimas-de-xenofobia-no-twitter)

  5. 2 novembro, 2010 6:08 pm

    A que ponto chegamos… Muito triste, muito vergonhoso!

  6. Cláudia permalink
    3 novembro, 2010 10:34 pm

    Deprimente!

    Mas, apesar de todo o preconceito que nós (nordestinos e nortenses) sofremos ao longo de todos esses anos, é costume do nosso povo tratar muito bem aquele que chega, não importa de onde!

    Muitos beijos, Tezinha!!!! =D

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