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Matei porque ODEIO Gay!

9 novembro, 2010

Obs: leia até o final e se quiser, salve o pdf!

Por: Rafael Rocha

As noites em lugares ermos servem de palco para um crime que mancha o cotidiano das cidades brasileiras. É nessas condições que acontece a maioria dos crimes contra homossexuais, e o Brasil ocupa o primeiro lugar do ranking, segundo levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB).

Por aqui, um gay é assassinado a cada dois dias. Minas Gerais ocupa o 5º lugar na escala dos Estados que mais registram esse tipo de crime: entre 2008 e 2009, o aumento chegou a 75%. Foram oito casos há dois anos, contra os 14 do ano passado. Ainda não existem dados deste ano em relação ao Estado.

Números preliminares do GGB para 2010 revelam que neste ano houve aumento de7% nos crimes contra gays cometidos país afora. Em dez meses, foram pelo menos 156 assassinatos de homossexuais. Os dados são alarmantes e a realidade, segundo informa Walkiria La Roche, diretora do Centro de Referência da Diversidade Sexual de Minas Gerais, é ainda pior já que o GGB faz o levantamento a partir do que é noticiado pela imprensa. Para a entidade, muitas ocorrências se escondem na subnotificação.

Esses dados não refletem a realidade. É algo bem maior“, diz Walkiria. Os crimes cometidos contra homossexuais são os mais diversos. Desde as mais sutis formas de preconceito a intimidações, ameaças, agressões e morte que deixamos homossexuais à mercê da intolerância extrema. Um projeto de lei contra a homofobia está parado no Senado.

“O machismo ainda é muito forte na mentalidade do brasileiro, e a visibilidade que os gays alcançaram aumenta a intolerância”, analisa o antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB.

COMOÇÃO. É exatamente esse machismo que há oito anos mudou a vida de Marlene Xavier. Ela é mãe de Igor Leonardo Lacerda Xavier, bailarino assassinado brutalmente em Montes Claros, Norte de Minas, pelo fato de ser um homossexual.

Numa noite em 2002, Igor foi atraído ao apartamento do homem que se passou por um suposto apoiador dos projetos do bailarino. Gay assumido, Igor acabou morto a tiros na mesma noite, dias antes de completar 30 anos. Apesar da comoção que o crime causou na população local, até hoje o assassino está solto, amparado por um habeas corpus.

Em depoimento, na época das investigações, Ricardo Athayde Vasconcelos disse que matou o bailarino porque tinha horror a homossexuais. “O Igor foi morto por homofobia”, resume o poeta Aroldo Pereira, amigo próximo do bailarino.

Atualmente, a defesa de Vasconcelos aguarda o julgamento de um pedido de nulidade do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Para o pesquisador Luiz Mott, fundador do GGB, é necessária maior celeridade na investigação de crimes contra homossexuais. “Uma delegacia especializada em minorias que incluísse os gays poderia ajudar. O grito é a primeira arma do oprimido“.

Pai e filho juntos em crime

O acusado de matar o bailarino Igor Leonardo Lacerda Xavier afirmou que teria agido em legítima defesa. Disse que houve um desentendimento e que o bailarino assediava seu filho, Diego Rodrigues Athayde, na época com 19 anos, e suspeito de ser cúmplice do pai no assassinato.

A perícia, no entanto, aponta que dos cinco tiros que mataram o bailarino, um o acertou na nuca. O corpo de Igor só foi encontrado no dia seguinte, jogado numa estrada.” Não me conformo. Há anos convivo com a dor, e os assassinos do meu filho desfilam de cabeça erguida”, desabafa Marlene Xavier, mãe do bailarino. (RRo)

Combate

Para militante, governo é omisso

O aumento no número de gays assassinados em Minas, nos últimos dois anos, acontece mesmo com entidades como o Centro de Referência da Diversidade Sexual se dedicar a pensar políticas públicas na defesa dos homossexuais.

Para Carlos Bem, coordenador do Movimento Gay da Região das Vertentes, a violência cresce por omissão das autoridades. “Não há políticas públicas efetivas implementadas para os homossexuais”.

O militante também é crítico quanto aos números apresentados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) sobre os 14 assassinatos em Minas, em 2009. “É subjetivo. Apenas a ponta do iceberg”. Outro problema é que a maioria das famílias prefere não comentar quando um parente gay é assassinado.

“Grande parte é vítima da homofobia internalizada e não denuncia quando é vítima”, complementa o professor Luiz Mott, do GGB. A partir de 2011,o governo pretende implantar em Minas um plano na luta contra a homofobia.

“Lutamos para que o crime de homofobia seja tipificado, para que conste nos boletins de ocorrência da PM. O agressor tem preconceito e quem nos atende também“, diz Walkiria La Roche. (RRo)

Impunidade

Números. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), apenas 20% dos assassinos de homossexuais são identificados. Desses, menos de 10% são detidos e julgados, e vários são beneficiados com penas leves, quando não absolvidos.

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=155407,OTE&busca=homofobia&pagina=1

____________________

Já tive um colega que foi cortado da cabeça aos pés. O que era pra ser só um assalto, terminou quase em morte. Vocês podem imaginar o que é sangrar por quase todos os seus poros?

Já recebi diversos e-mail de meninas agoniadas porque os pais ameaçam expulsá-las de casa, quando já não foram. De meninas que apanharam, que foram espancadas simplesmente por nutrirem um sentimento tão belo: o amor.

Eu quero, quando “casar”, que os direitos da minha família já estejam assegurados tanto quanto o de qualquer outro civil. Não quero privilégio, quero IGUALDADE!

Quero que meus filhos tenham as mesmas oportunidades, sejam eles homos ou não. Quero que tenham amigos como qualquer criança/adolescente etc. sem que pra isso precise viver numa bolha.  Não quero ver meus filhos chorando porque outras pessoas tentaram lhes humilhar por suas mães serem lésbicas…

É difícil entender que o que queremos é paz?!

Se “o grito é a primeira arma do oprimido“; então…

GRITA, porra!!!

Esse estudo é de 2003, mas com certeza vale a pena ler: Matei porque odeio gay – 2003

12 Comentários leave one →
  1. 9 novembro, 2010 5:54 am

    Valeu pela notícia e pelo pdf Mineirinha =)

  2. 9 novembro, 2010 1:37 pm

    …..
    =D

  3. 9 novembro, 2010 2:47 pm

    É realmente indignante que alguem agrida numa pessoa por ser homossexual!! Discordar, achar errado, até vai.. cada um tem o direito de pensar o que quiser. Mas daí a manifestar esse pensamento emagressão?! E depois nós é que desagradamos a Deus.
    ps: impressão minhha ou lésbicas sofrem menos agressões físicas que os gays?

    • 9 novembro, 2010 4:00 pm

      Juro que não sei te responder isso. Mas as notícias passam essa impressão…

  4. 9 novembro, 2010 5:45 pm

    O Borrillo e a Young-Bruehl (fiquei conhecendo através de um artigo de um juiz daqui sobre homofobia) falaram um pouco, amparados em outras fontes, sobre as formas de preconceito/discriminação sofridas pelas lésbicas em especial. Talvez vocês se identifiquem, talvez não; de minha parte, eu achei bem interessante.
    (se tu quiser, te passo, Té)
    Sobre os números do GGB: tem muita gente que questiona a validade. Há quem diga que os dados não têm como ser corretos do ponto de vista estatístico (entre outras razões, por serem baseados em notícias veiculadas na imprensa) e, dentre estes, tem os que defendem que a situação é muito pior e os que assumem que “a coisa não é tão feia assim”. Mas não dá pra negar que, inexistindo estatísticas oficiais, é o que se tem.
    Um detalhe é que os números do GGB são relacionados a assassinatos, o que é particularmente grave, claro, mas infelizmente não é a única forma de violência que existe, como o próprio pdf do post (que é do GGB também) lembra. Tem muitas manifestações que chegam a ser chocantes, de tão “medievais” que parecem.

    • 9 novembro, 2010 6:39 pm

      Eu sou da turma que acha que o ‘buraco’ já está no ‘inferno’.
      E quero sim, manda pro meu e-mail?
      =p

  5. Ariel permalink
    9 novembro, 2010 10:26 pm

    Achei a notícia realmente muito boa. Concordo com o grito ser a primeira arma do oprimido, mas quanto mais leio sobre o preconceito, mais medo dá.
    É claro que algo precisa ser feito, mas levantar e dar a cara para bater é realmente difícil, sinceramente, sou do tipo que ficou com medo demais para fazer qualquer coisa.

    • 9 novembro, 2010 10:36 pm

      Entendo…
      Eu já me considero um pouco diferente… Não consigo ficar calada, nunca consegui.
      Mas é claro que não sou louca, né? Em caso de morte, eu acho que ficaria quieta…

      Que bom que gostou da notícia, venha sempre que quiser =)

  6. jorge Menezes Bandeira permalink
    10 novembro, 2010 12:10 pm

    Precisamos divulgar os trabalhos científicos que pesquisam as relações de gênero e que afirmam que a questão da homossexualidade é determinada por funções hormonais durante a formação do cérebro.Infelizmente temos pouquíssimas publicações em lingua portuguesa(ex:Porque…De Alan e Barbara Pease, editora sextante).Penso que se houver uma conscientisação de que esta é uma questão gerada pela natureza haveria menos preconceito .

    • 10 novembro, 2010 2:11 pm

      Não gosto de determinações.
      Desconheço corrente científica que trate do corpo do homem e de suas relações sociais que tenha “determinado” algo e que, com o avanço dos estudos, não tenha sido desmentida, ou pelo menos fortemente criticada… É quando se retira o termo “determinante” da teoria.

      Eu sou da seguinte opinião: tornar a homossexualidade um fator exclusivamente biológico seria reavivar a sensação de doença, de que é possível tratar, de que é possível modificar o sujeito para que ele não possua determinada característica.
      Penso que seja um erro acreditar que, no tempo corrente, tal afirmação não seguiria esse curso. Penso que seja um erro acreditar que a homossexualidade, enquanto fator biológico, seria tratada como a cor dos olhos etc. Afinal, o preconceito é enorme…
      Entendo, porém, que jogar tudo para a natureza retiraria a culpa que tantos homossexuais sentem por serem homossexuais. Afinal atestaria: não tive escolha; ressalva seja feita, não estou dizendo que temos…
      Apenas acho que é um conjunto de fatores que nos torna “felizes” =)

      De qualquer sorte, sempre é relevante estudar as pesquisas sobre sexualidade.

  7. 11 novembro, 2010 10:46 am

    Eu acredito que devemos sim, cada um ao seu modo, de acordo com a sua realidade, divulgar, compartilhar toda e qualquer informação sobre discriminação, preconceito e violência.
    Claro que concordo que esse levantamento é apenas a ponta do iceberg, pois esses números são muito maiores. Sem contar os casos de humilhação ou desrepeito a que estamos sujeitos no dia-a-dia,
    e nesses casos, cabe a cada um, inserir no seu meio, suas idéias e defesas para que assim possamos nos movimentar pela sociedade sem as amarras impostas pela discriminação.
    Eu não quero viver á margem se para mim, não há diferença entre as pessoas, todos temos os mesmos direitos.
    Sou contra qualquer tipo de preconceito e enquanto cada um não se movimentar, nem que seja em doses homeopáticas, pouco vai mudar.

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