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“Paradoxos”

16 novembro, 2010

O texto abaixo foi escrito pela querida LD em 20 de julho de 2008! Infelizmente ela parou de escrever o blog que considerava como uma legítima fonte de opinião e informação.

Vez ou outra, passo por lá para reler algumas coisas, um dia desses foi a vez do texto que postei abaixo. Já se passaram mais de 2 anos de sua produção e o que mudou?

Uma lei que continua no armário, os assassinatos que só aumentam, as palavras que continuam ecoando e as ações que continuam escapando, inexistindo… Por isso questionei-me: politizar LGBT’s é uma utopia?

Modificando um pouco o contexto da frase de Pedro Guimarães do blog Homomento: estão todos “preocupados demais com a sua fatia do bolo, não se importam com todas as outras que também querem comer.”

O Brasil é o campeão das Paradas do Orgulho GLBT e o campeão (para não dizer campeoníssimo) em crimes homofóbicos. Isso em um país onde índices e estatísticas não são nem um pouco confiáveis significa que somos praticamente hours concours em violência contra homossexuais.“A visibilidade política da Parada ou de qualquer manifestação pública é proporcional à quantidade de agentes politizados envolvidos na sua construção. Por isso a importância de cada integrante da multidão que a compõe. A Parada é formada por cada um de nós e sua capacidade de transformação social depende do grau de envolvimento que cada um de nós tem em relação a ela. Fica aqui o convite e o desejo: que cada um e cada uma de nós dancemos muito na próxima Parada, pois, como dizia a feminista libertária Emma Goldman, “se eu não puder dançar esta não é minha revolução”, mas que nossos corpos, corações e mentes estejam sintonizados com a idéia de que a construção de um mundo sem racismo, machismo ou homofobia depende do governo, das leis e das políticas públicas, mas também depende de cada um de nós.” – Fragmento – discurso de Regina Facchini durante lançamento do livro “Parada – 10 anos do Orgulho GLBT em SP

Olha, qualquer um que tiver o mínimo, mí-ni-mo, de… sei lá… inteligência, sensibilidade… vergonha na cara mesmo, não pode deixar de atrelar uma informação à outra: campeão em paradas-campeão em crimes. Estufar o peito pra se orgulhar de uma sem morrer de vergonha da outra, SIMULTANEAMENTE (!), é simplesmente ser o protótipo do imbecil alienado burro! repito… BURRO!!!

E o que você quer dizer com isso? Que não devemos mais ter Paradas? Não devemos ir às Paradas? Não devemos ficar alegrinhos com elas? NÃO, imbecil! Só quero que você não se satisfaça só com isso!

Um aspecto muuuuito interessante do comparecimento em massa às Paradas eu encontrei nas palavras do Trevisan (que, DIGA-SE, é favorável à elas): as pessoas irem às Paradas independe da “militância”, ou seja, a Parada é o ÚNICO evento do qual todos podem participar (!?!). Bacana, né? Ou seja (de novo), todos os outros eventos promovidos pela militância são praticamente secretos… rsss… ninguém sabe, ninguém viu… a despeito de eles acontecerem aos borbotões… (!).

Por que será?

Existe alguma ONG, entidade, clubinho, grupinho, que tenha alguma noção sobre o número de blogs feitos por homossexuais que existe na net? Alguém tem um mailing? Como é que falam com as pessoas? Huuum… deve ser por isso, né?

Não é difícil ter consciência do que significa e no que implica ter a mídia oficial (jornais, TV, etc) como única forma de divulgação. Mas esse é um assunto que merece uma analise mais cuidadosa e fica pra próxima vez.

Ainda no que se refere às Paradas, vou compartilhar meu alento com vocês. Abaixo reproduzo as lúcidas palavras da Regina Facchini e Julio de Assis Simões. Oásis no deserto e esperança de propagação de consciência:

“Para conquistar esses direitos, o movimento gay precisará aprender a dialogar com a própria base GLBT e a sociedade civil, avaliam os antropólogos Regina Facchini e Julio Assis Simões, autores de Na Trilha do Arco-Íris: Do Movimento Homossexual ao GLBT. ”As paradas são muito importantes, mas o movimento precisa melhorar o diálogo para não se firmar como um movimento de massa de um único dia do ano. O ativismo ainda está focado no diálogo com o Estado, fóruns e entidades”, diz Simões. Apesar das milhões de pessoas na Parada, Regina avalia que falta articulação para que os gays entendam que há direitos a conquistar. ”O movimento gay não é de massa. Se fosse, as coisas já teriam mudado há muito tempo. O ativista tem de aprender a falar ao coração das pessoas.””

Após 30 anos de luta, movimento gay quer mais que só um dia de Parada.

Eu também!!!

______________________

Sabe do que estou cansada? De ver todo mundo delegando funções, esta tarefa é daqui, essa é dali. Cruzam os braços e esperam…
Não dá pra esperar pelas autoridades competentes, será que ainda não “percebemos” isso?

Repito o que disse ontem, nada vai mudar se continuarmos parados.

Quem segura a bandeira somos nós, e somos nós que devemos agarrar o futuro. Enxerguem que não adianta esperar pelo governo, pela justiça, por ninguém. Só nós sabemos o que é correr risco, sofrer esse tipo de preconceito.

Cabe a nós lutarmos pelas mudanças, pressionarmos os tais órgãos competentes e não esperar por eles.

CHEGA DE HOMOFOBIA!

2 Comentários leave one →
  1. 16 novembro, 2010 8:27 pm

    Percebe-se a dificuldade de ter um movimento pelo que interessa as pessoas. todos tem tempo p futilidade, mas quase ninguém está disposta a lutar pelo que de fato interessa!

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