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Aceito!

6 maio, 2011

Não deve ser mais novidade que ontem o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu a união homoafetiva como entidade familiar. Não é segredo, também, que este é um momento HISTÓRICO na luta pelo reconhecimento de nossos direitos. Não é todo mundo que tem a honra e a oportunidade de presenciar esses marcos.

Entretanto, não venho escrever sobre as belas implicâncias jurídicas que tal feito professa. Escrevo, de coração aberto, para compartilhar o que isso representa para minha vida. E, assim, servir como um espelho, pois imagino que a emoção que senti ontem foi vivida por muitos!

Lésbica eu sempre fui, apaixonei-me aos 5, aos 11 anos de idade e tive meu primeiro relacionamento aos 16. Vivi, como tantos, com medo de que minha família ou a família dela descobrissem. Temíamos que os outros e qualquer um soubesse. Essa aflição, 10 anos depois, ainda é experienciada por tantas pessoas…

Como pode existir e como é permitido que alguém tenha medo do amor que sente? Do que esse amor representa?

Aos 18 anos, a pessoa que comecei a namorar com 16, faleceu. E foi essa situação atípica que me despertou e fez eu perceber que a minha situação, homoafetiva, rodeava-me de imensa insegurança. Não apenas sob um prisma de garantias materiais como pensão, herança e afins; mas, principalmente, pela óptica do amor. Quantos constrangimentos e dores eu poderia passar na vida pelo fato de não poder “casar” com a pessoa a quem meu coração pertenceria? “Se ela adoecesse e eu tivesse plano de saúde e, apenas pelo preconceito alheio, não me fosse permitido cuidar dela do jeito certo?

Contudo, como o fato que me acordou foi o de uma morte, o que mais me preocupava era não poder estar ao lado “dela” até nesse momento (a morte) e depois dele também; ou seja, de, de repente, não poder velar,  enterrar, cremar ou qualquer outra cerimônia fúnebre que coubesse a pessoa que amei durante a vida.

Hoje sei que se, num futuro próximo, eu decidir juntar meus paninhos aos paninhos da minha namorada, seremos reconhecidas como família perante a justiça e, por esse motivo, esses temores, acima descritos, foram atenuados. Digo atenuados porque eles só se dissiparão quando conquistarmos todos os direitos que nos são devidos. Não como uma casta privilegiada como muitos tentam distorcer, mas como uma casta de “iguais perante a lei”. Meus temores sumirão quando eu souber que filho nenhum meu poderá sofrer preconceito na escola pelo fato dele ser abençoado com duas mães! Meus temores sumirão quando o Congresso não for mais omisso e, finalmente, deixar claro que nós, homoAFETIVOS, podemos casar de fato e que não é necessária interpretação, nem analogia! Meus temores sumirão quando algo para fazer o BEM não vier a se tornar uma arma destiladora de veneno na boca de falaciosos e falsos defensores do cristianismo. E, com a alma cheia de esperança, é isso que espero. Um país justo, para todos e não alguns.

Ontem nos foi permitido AMAR! A PLC122, o projeto Escola sem Homofobia e outras medidas que virão, nos permitirão ter uma vida plena, livre e feliz! Ontem, uma semente de utopia disse a mim: eu posso existir, crescer e dar lindos frutos.

LUTEMOS PARA ISSO!

obs: Ao ler argumentos tão truculentos, pergunto-me se essas pessoas são assim porque nunca amaram na vida.

7 Comentários leave one →
  1. 6 maio, 2011 8:52 pm

    achei lindo. te desejo muito amor sempre

  2. Ana Carolina permalink
    6 maio, 2011 10:03 pm

    Té,

    Também não é mais novidade que eu adoro os seus posts!

    Extremamente emocionante. Como já comentei contigo, eu adoraria ter escrito todas essas palavras, letra por letra, vírgula por vírgula… com toda a sua sensibilidade e gênio! 😛

    Muito amor…

    Hoje e sempre!

  3. Amanda Andrade permalink
    7 maio, 2011 6:52 am

    Eh incrível como vc consegue transmitir o que sente com tamanha naturalidade, inteligência e admirável perfeição!
    Eu, que já ouvi de vc parte desta história, senti como se estivéssemos sentadas em um canto qualquer, conversando.:)
    Concordo com o que vc falou e já passeis por estas preocupações e se, um dia, eu realmente juntar meus panihos com alguém, ficarei mais tranquila por saber que, agora, poderei cuidar dela com igualdade!
    Parabéns pelo post, q adorei!(Como sempre!rs)
    O primeiro passo foi dado!
    Bj

    Aahhh e vamos ficar torcendo para as outras medidas serem aprovadas tbm!!

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