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Festival Mix Brasil reúne 148 filmes

8 novembro, 2012

“‘Nosso Paraíso’: amor se mistura com sangue no drama de Gaël Morel”

Por MARCIO CLAESEN – O Estado de S.Paulo, estadao.com.br

Há um fator que homogeneíza parte do rol de produções do 20.º Mix Brasil tanto quanto a temática da diversidade sexual. Os jovens – adolescentes e pós-adolescentes – imperam no cardápio dos 148 filmes incluídos na programação que começa hoje, em São Paulo. Neste ano, o festival volta-se àquele segmento para tentar entender como se dá a percepção, autoaceitação e relação de suas sexualidades com quem os rodeia.

A reunião de tantos títulos com o mesmo tema no Mix reflete o que tem sido visto em seus similares pelo mundo, afirma André Fischer, um dos diretores do evento ao lado de João Federici. “É uma questão internacional de renovação de público mesmo. Há uma preocupação desses festivais de programarem filmes jovens para trazer esse público, o que já ocorre há um tempo. Aqui, no Brasil, a gente ainda não sentiu isso tão forte, mas cada vez mais há sinais dessa mudança.”

Esse público, no entanto, não parece preocupado em levantar bandeiras ou aceitar rótulos que determinem sua sexualidade, acredita o diretor. “Hoje, o quadro é diferente do que era um tempo atrás. Havia uma questão de afirmação de identidade e hoje é difícil dizer o que seria essa identidade gay. É algo que está se formando. O padrão, para essa nova geração que está na adolescência, já não vale mais. Então, nós estamos pesquisando, tateando o que seria essa nova sexualidade”, revela Fischer.

Pensamento que encontra eco em depoimentos como o do estilista Dudu Bertholini, no documentário A Volta da Pauliceia Desvairada, de Lufe Steffen, um retrato agridoce da agitada noite gay de São Paulo. “Hoje em dia, a questão é mais a personalidade do que a ‘escolha’ sexual”, diz.

A diversidade também está presente em outra característica do evento. No caso, nos países de origem das obras, 25 ao todo. A Argentina comparece com três longas. Em dois deles, o universo teen é o alvo. Em O Espaço Entre Nós Dois, de Nadir Medina, esse desinteresse pela definição de identidades de que fala Fischer fica mais claro. A história mostra o dia seguinte de uma noitada na vida de dois rapazes e uma moça.

Do outro lado do oceano os jovens continuam no foco, mas por vezes precisam lidar com questões ainda mais ásperas. Em um país onde 55% da população acredita que homossexuais deveriam procurar ajuda médica, um casal de jovens da Romênia recebeu uma câmera do diretor Claudiu Mitcu para filmar seu dia a dia por dois anos, em Nós Dois. “Há esperança, se pensarmos que apenas dez anos atrás você poderia ir para a cadeia por expressar abertamente sua homossexualidade. Mas estamos muito longe de estar à vontade com o assunto”, contou o diretor ao Estado.

No documentário, há cenas de uma tímida parada LGBT em Bucareste e passeatas de fundamentalistas que pregam nas ruas que gays e lésbicas deveriam “formar seu próprio país num deserto da Líbia ou da Austrália”. Enquanto os dois rapazes sofrem com a dificuldade dos pais de lidarem com suas orientações sexuais, Mitcu diz que quis transmitir “que todos devem se sentir livres para se expressarem se nenhum mal está sendo feito a ninguém”.

Outra geração. A terceira idade é a outra borda etária que merece atenção do evento. Ela surge, por exemplo, no francês Nosso Paraíso, que retoma a parceria de Gaël Morel e Stéphane Rideau revelados em Rosas Selvagens, filme de 1994 de André Techiné, no qual vivem um triângulo amoroso com a bela Élodie Bouchez.

Aqui, Gaël é o diretor do longa que trata de Vassili (Rideau) – um prostituto chegando aos 40 anos – que se envolve com um rapaz mais jovem enquanto rouba e mata homossexuais idosos. Morel diz que sua inspiração veio de histórias de Bret Easton Ellis e filmes de Gregg Araki e não se preocupa se passa uma imagem amarga da velhice ou negativa dos gays. “Eu projetei o meu filme como uma reação contra a representação normativa da nossa sociedade atual. Uma ideia a que eu trago uma resposta sexual”, diz o cineasta.

Além de filmes, o Mix conta com espetáculos teatrais, eventos literários e atrações musicais e ocorre até dia 18 em São Paulo. Depois, segue para o Rio, onde ganha algumas produções inéditas na cidade e o braço teatral – Dramática em Cena – pela primeira vez na capital fluminense.

MIX BRASIL

Abertura nesta quinta-feria, 08, às 21 h, no Cinesesc, com a exibição do filme No Caminho das Dunas, de Bavo Defurne.

Programação completa e salas de exibição: www.mixbrasil.org.br

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Fonte: http://estadao.br.msn.com/cultura/festival-mix-brasil-reúne-148-filmes

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  1. 8 novembro, 2012 10:08 pm

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