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17 julho, 2013

Cresci entendendo algo sobre a violência das normas de gênero: um tio encarcerado por ter um corpo anatomicamente anómalo, privado da família e dos amigos, que passou o resto de seus dias em um ‘instituto’ nas pradarias do Kansas; primos gays que tiveram que abandonar o lar por sua sexualidade, real ou imaginada; minha própria e tempestuosa declaração pública de homossexualidade aos 16 anos, e o subsequente cenário adulto de trabalhos, amantes e lares perdidos. Todas estas experiências me submeteram a uma forte condenação que me marcou, mas, afortunadamente, não impediu que seguisse buscando o prazer e insistindo no reconhecimento legitimizador de minha vida sexual. Identificar esta violência foi difícil precisamente porque o gênero era algo que se dava por assentado e que ao mesmo tempo se vigiava terminantemente. Se pressupunha que era uma expressão natural do sexo ou uma constante cultural que nenhuma ação humana era capaz de modificar. Também cheguei a entender algo da violência da vida de exclusão, aquela que não se considera ‘vida’, aquela cuja encarceração conduz à supressão da vida, ou uma sentença de morte suspensa.(BUTLER, 2007 [1990, 1999], p. 23-24)

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